Rita Lee em Porto Alegre [14/06/2009]

junho 25, 2009 by Fernando Corrêa  
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Primeira vez a gente nunca esquece, ainda mais num Pic-Nic.

E foi depois de quase dois anos de trabalhos prestados que criei coragem para escrever. Parece mentira, mas eu andava meio desligada e até agora a possibilidade de publicar textos no lugar de fotos assustava. Sendo assim, peço desculpas de antemão, pois quem vos escreve não passa de uma “produtorazinha”, estudante de Relações Públicas e muito fã de Rita Lee. Rá! Chegamos no “X” da questão, ou melhor, no “R”. Foi pela vontade de ver ela de perto mais uma vez que resolvi pegar a enxada e acabar de vez com a raça da erva venenosa que tanto protegia meu teclado. O show da Rita Lee em Porto Alegre só provou a relação estreita e afetuosa entre a rainha do rock brasileiro e a cidade do mais bonito pôr-do-sol do país. Fãs e músicos de todas as idades dançavam juntos no palco, na pista e no mezanino ao som de grandes sucessos consagrados ao longo de sua carreira e músicas que não cantava ao vivo há milênios como “Cor de Rosa Choque”“Bwana”. Essa segunda, por sinal, foi repaginada em homenagem ao“negão TESUDO” – como Rita fez questão de enfatizar – clamando: “Obama Obama…Me chama que eu vou” e exibindo fotos do presidente no telão. Bem humorada e performática como sempre, falou de gripe suína, corinthians e segunda divisão. Bricou com o público tentando traduzir a música de abertura da novela das oito e seus jargões mais comuns e fez todo mundo rir ao declarar que não pode mais tocar guitarra por causa da cirurgia de érnea de disco, feita recentemente. Do alto de seus 63 anos, faz cover de Chuck Berry e piada com Yoko Ono pela demora da “japonesa” para liberar a gravação da versão de “I Wanna Hold Your Hand”. O rock vestido de forró de “O Bode e a Cabra” encantou a platéia, tanto quanto a performance de “Vingativa” das Frenéticas e da novíssima “Tão”, que tem cara de trilha da Marvel. Cornetas, chapéus, triângulos, serpentes de pelúcia, perucas, tudo ganhava vida em suas mãos, até mesmo o curioso Teremin, instrumento dos anos 20 que funciona através de estática. “Ovelha Negra” foi cantada pela platéia inteligentemente coordenada por suas mímicas e o bis teve direito a “Mania de VocꔓLança Perfume” e camiseta do Internacional. Apesar de eu ser gremista, tenho que reconhecer que não foi à toa que em uma das suas conversas com o público alguém gritou de longe e a chamou de mito. “Mito? Mito é forte”, diz ela, “Mito é Maria Bethânia”. Pois eu digo, mito é Rita Lee.

Mely Paredes

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