The Complete Monterey Pop – D.A. Pennebaker

Este box de três DVDs reúne os registros dirigidos por D.A. Pennebaker, e lançados, em três décadas diferentes, do que foi um dos eventos seminais para a cultura de festivais de música. Considerado por muitos o precursor do Woodstock, o Monterey Pop Festival foi a primeira grande aglomeração de jovens embebidos em psicodelia, e acabou por compor o que viria a chamar-se de “festival de rockâ€. O evento transcendeu seu próprio ineditismo ao reunir, no auge do verão do amor, tantos grandes artistas da época. É o caso de apresentações históricas como a de Jimi Hendrix.
Uma das estrelas do set de DVDs, a aparição de Hendrix é coroada por um dos grandes momentos da história do rock e da própria invenção da postura rock ‘n’ roll: após 40 minutos de show, o anúncio de que sacrificaria alguém que amava. E, então, o maior guitarrista de todos os tempos incendeia sua guitarra diante de uma platéia estupefata. Esta é apenas metade de um dos discos, que ainda conta com boa parte da apresentação do suingado Ottis Reading.
Um outro DVD traz o corte original feito nos registros em vÃdeo do festival. Lançado ainda em 1968, Monterey Pop era não mais do que um compacto que alternava algumas das grandes performances do festival. A intenção inicial de Pennebaker recebeu tratamento de última geração, o que resultou em melhores imagens e som. “My Generationâ€, do The Who, “Wild Thingâ€, de Hendrix, “California Dreamingâ€, do The Mamas & The Papas, apresentações clássicas sucedem-se, mas uma se destaca: Janis Joplin rasgando o céu da California com “Ball and Chainâ€.
O DVD de “outtakes†traz os Byrds, cortados do vÃdeo da época, questionando a versão oficial do assassinato de Kennedy, além de diversos outros artistas divididos nos três dias de festival. Um livro com fotos e textos completa o box que, infelizmente, não tem lançamento nacional. O preço dessa preciosidade ultrapassa facilmente os R$ 200 nas lojas, mas é uma aquisição definitiva de um material que registra o que a maioria das pessoas presentes no evento não deve nem sequer ser capaz de resgatar na memória. Fernando Corrêa
Sigur Rós – Heima

Os islandeses do Sigur Rós, após uma turnê pelo mundo todo, voltam ao paÃs de origem no verão de 2006 para a gravação de Heima, uma série de concertos não anunciados e gratuitos em diferentes cidades, em forma de documentário-show. Passando por pequenos vilarejos e cidades interioranas, muitos dos espetáculos ocorrem em lugares vazios no meio das montanhas, ou abandonados—alguns até sem eletricidade—, mas todos fantásticos. Se o DVD fosse sem áudio, já valeria a pena pela fabulosa edição e tratamento das imagens, porém aliado ao som etéreo e angelical da banda, é uma das melhores coisas que já assisti ouvindo. Emocionante do começo ao final dos créditos. Luciano Scherer
Barão Vermelho – Rock in Rio 85
agosto 20, 2008 by fernandacorrea
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No dia 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral sagrava Tancredo Neves o primeiro presidente civil depois de 21 anos de ditadura militar. A data que marcou a volta da democracia ao Brasil ficou também na história de uma das maiores bandas de rock do paÃs: o Barão Vermelho. Foi no gigantesco palco do Rock in Rio que Dé, Mauricio Barros, Guto Goffi, Frejat e Cazuza se apresentaram diante de 85 mil pessoas. Eufóricos com a eleição do novo presidente e com a sonhada liberdade de expressão, jovens dançavam enrolados em bandeiras do Brasil e cantavam pro dia nascer feliz.
O DVD Barão Vermelho – Rock in Rio 1985 traz o registro de um show antológico do quinteto carioca. Com 13 músicas (mais uma faixa bônus), o show mostra na Ãntegra a primeira das duas apresentações que o Barão fez no festival. Com o repertório baseado na turnê Maior Abandonado, em 45 minutos de música o Barão toca o que tem de melhor. Estão lá os sucessos “Maior Abandonado†e “Bete Balançoâ€, além de “Down em Mimâ€, “Todo amor que houver nesta vidaâ€, “Por que a gente é assim?†e, no final, a apoteótica “Pro dia nascer felizâ€, com Cazuza convocando a “rapaziada esperta†a dar, na manhã seguinte, um bis na felicidade nacional. Nos extras, o documentário Aconteceu em 85, que mostra diferentes pontos de vista do evento e seu contexto histórico, mesclando depoimentos de Pedro Bial, Lucinha Araújo, Leda Nagle e dos músicos com reportagens e imagens da época.
No palco, Cazuza mostra que ainda era um diamante bruto, mas ser apenas o vocalista de uma banda de rock já estava se tornando pouco para seu talento. Cinco meses após a apresentação no Rock in Rio, ele deixou o Barão para seguir em carreira solo. O DVD é também o registro único de algumas versões: “Um dia na vidaâ€, “Mal nenhum†e “Subproduto de Rockâ€.
Se por um lado o tratamento dedicado às imagens não é suficiente para corrigir as falhas de iluminação, por outro o áudio remasterizado compensa. Talvez o dia não tenha nascido feliz sempre, mas sem dúvida é o registro de uma data que entrou para a história, numa apresentação simbólica em que os jovens e o rock nacional celebraram enfim a sua liberdade.
>> Por Fred Vittola
Brian Wilson – Pet Sounds Live in London (DVD)
agosto 20, 2008 by fernandacorrea
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Sentado diante do teatro lotado, Brian Wilson pouco toca a superfÃcie branca e preta de seu teclado. O contexto justifica: depois de viver como um vegetal por décadas, o mÃtico ex-Beach Boy engatinha sua reaparição como esta figura totalmente diferente da que se imagina estar por trás do disco que o endeusou. Por isso, o choque é ainda maior. Pet Sounds ajudou a fundamentar os rumos que a psicodelia e a experimentação dariam à música no fim dos sixties. A harmonização e as melodias vocais, maravilhosamente belas, prescindem de muito talento, que aparentemente acabou prejudicado em Brian. Ainda assim, a genialidade das canções, a banda competente e apaixonada e a própria figura tragicômica do lÃder, ao cantar “Wouldn’t it be nice†e “I’m Waiting For The Day†(mexendo os braços como uma criança feliz e alcançando as notas agudas como pode)—tudo isso junto—não deixam que um evento surreal como a execução integral de Pet Sounds, quarenta anos depois, fique aquém de um aceitável muito bom.
>> Por Fernando Corrêa





