Roberta Sá em São Paulo [2009]
por Stéphanie Concistre
A noite em que São Paulo virou Rio
A tímida plateia paulistana foi a escolhida para o lançamento da turnê do novo dvd da Roberta Sá, Pra Se Ter Alegria, na noite de 19 de novembro. Com alguns minutos de atraso e uma banda enxuta – cinco integrantes -, a cantora surgiu no palco com um vestido longo, o possível culpado pelo ritmo lento do começo da apresentação, cantando “O Pedido”. O público, sentado, aplaudiu formalmente, sem fugir do que se esperava para alguém de São Paulo. Naquele momento, o palco parecia grande demais para a potiguara, mas o entrosamento da banda e a afinação de Roberta levaram o show muito bem.
A apresentação seguiu uniforme até a animada “A Vizinha” em que os poucos corajosos que estavam de pé ganharam alguns outros, e por coincidência, o vestido perdeu o volume. Roberta já estava mais solta, conversando com o público e até reconheceu um de seus compositores na plateia, o palco já estava do tamanho certo para o show. Antes de cantar “Mais Alguém” ela falou da emoção de ter uma música sua em “Viver a Vida”, a novela das oito. A declaração teve cara de novidade, mas essa não é a primeira vez que ela tem músicas suas em trilhas sonoras. Mesmo “Mais Alguém” já foi tema de “Negócio da China” e “A vizinha do lado” esteve em Celebridade, quando a cantora nem tinha gravadora ainda.
Antes de “desmontar” o vestido pela última vez, transformando-o num curtinho e rodado, Roberta Sá comentou que na coletiva de divulgação da turnê, jornalistas comentaram que, nos seus shows no Rio, todo mundo ficava de pé, e em São Paulo isso nunca acontecia. Terminou dizendo que naquele dia São Paulo não devia nada para o Rio de Janeiro. A declaração empolgou aqueles que ainda não tinham se soltado e o show se transformou em uma grande roda de samba, com “Laranjeira”, “Girando na Renda”, “No Braseiro” e, quando a banda já começava a desmontar os instrumentos, Roberta decidiu por cantar “Falsa Baiana”, que teve uma versão única, quase a capella. Quando o show tentava acabar pela segunda vez, pedidos por Cicatrizes foram ouvidos e ela concordou na hora. “Ah, Cicatrizes a gente toca!”, pediu animada para cada um voltar para os seus instrumentos.
A banda é a mesma desde o primeiro trabalho, o que explica o entrosamento, mesmo quando Roberta Sá confundia a música, eles rapidamente acompanhavam, riam e a apresentação tinha um tom mais pessoal. Roberto Campello no violão, cavaquinho, produção e direção musical; Antonia Adnet no violão, vocais e percussão, Élcio Cafaro na bateria e percussão, Jovi Joviniano na percussão e Ronaldo Diamante no baixo e na percussão.
O dvd é um registro da carreira de Roberta Sá até o momento, misturando canções dos seus dois álbuns, Braseiro (2005) e Belo e Estranho Dia pra Se Ter Alegria (2007). Foi gravado enquanto ela ainda estava em turnê do show de homenagem a Carmen Miranda, “Alô…alô! 100 anos de Carmen Miranda”, também muito elogiado pela crítica. O público do show encontrou uma Roberta muito mais a vontade, conversando realmente com o público, apresentando as canções, falando das parcerias que teve nesse trabalho. Nos extras do dvd têm participações de Chico Buarque, Ney Matogrosso, Yamandú Costa, entre outros.
Roberta Sá nasceu no Rio Grande do Norte, mas foi para o Rio de Janeiro ainda adolescente. Começou a fazer aulas de canto por hobby, enquanto cursava jornalismo. Em 2002, entrou para o programa Fama, na Globo, mas não chegou a final. O primeiro contrato veio logo em seguida, com a Som Livre. É casada com o cantor Pedro Luís, do Pedro Luís e a Parede, e também um de seus grandes parceiros na música.
Rita Lee em Porto Alegre [14/06/2009]
junho 25, 2009 by Fernando Corrêa
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Primeira vez a gente nunca esquece, ainda mais num Pic-Nic.
E foi depois de quase dois anos de trabalhos prestados que criei coragem para escrever. Parece mentira, mas eu andava meio desligada e até agora a possibilidade de publicar textos no lugar de fotos assustava. Sendo assim, peço desculpas de antemão, pois quem vos escreve não passa de uma “produtorazinha”, estudante de Relações Públicas e muito fã de Rita Lee. Rá! Chegamos no “X” da questão, ou melhor, no “R”. Foi pela vontade de ver ela de perto mais uma vez que resolvi pegar a enxada e acabar de vez com a raça da erva venenosa que tanto protegia meu teclado. O show da Rita Lee em Porto Alegre só provou a relação estreita e afetuosa entre a rainha do rock brasileiro e a cidade do mais bonito pôr-do-sol do país. Fãs e músicos de todas as idades dançavam juntos no palco, na pista e no mezanino ao som de grandes sucessos consagrados ao longo de sua carreira e músicas que não cantava ao vivo há milênios como “Cor de Rosa Choque” e “Bwana”. Essa segunda, por sinal, foi repaginada em homenagem ao“negão TESUDO” – como Rita fez questão de enfatizar – clamando: “Obama Obama…Me chama que eu vou” e exibindo fotos do presidente no telão. Bem humorada e performática como sempre, falou de gripe suína, corinthians e segunda divisão. Bricou com o público tentando traduzir a música de abertura da novela das oito e seus jargões mais comuns e fez todo mundo rir ao declarar que não pode mais tocar guitarra por causa da cirurgia de érnea de disco, feita recentemente. Do alto de seus 63 anos, faz cover de Chuck Berry e piada com Yoko Ono pela demora da “japonesa” para liberar a gravação da versão de “I Wanna Hold Your Hand”. O rock vestido de forró de “O Bode e a Cabra” encantou a platéia, tanto quanto a performance de “Vingativa” das Frenéticas e da novíssima “Tão”, que tem cara de trilha da Marvel. Cornetas, chapéus, triângulos, serpentes de pelúcia, perucas, tudo ganhava vida em suas mãos, até mesmo o curioso Teremin, instrumento dos anos 20 que funciona através de estática. “Ovelha Negra” foi cantada pela platéia inteligentemente coordenada por suas mímicas e o bis teve direito a “Mania de Você”, “Lança Perfume” e camiseta do Internacional. Apesar de eu ser gremista, tenho que reconhecer que não foi à toa que em uma das suas conversas com o público alguém gritou de longe e a chamou de mito. “Mito? Mito é forte”, diz ela, “Mito é Maria Bethânia”. Pois eu digo, mito é Rita Lee.
Mely Paredes
Oasis em Porto Alegre [12 de maio de 2009]
maio 13, 2009 by Fernando Corrêa
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por Gustavo Lacerda
Cachorro Grande foi uma incandescente chama piloto para o fogão de duas bocas que inflamou as cerca de 12 mil pessoas presentes no Gigantinho. Oasis entrou no palco, ao som de Fuckin` in the Bushes, às 21h40. Os irmãos Gallagher, apesar de praticamente não se comunicarem, mostraram que estão em plena forma, mesmo vindos de uma turnê que começou em outubro e Porto Alegre sendo o último de quatro shows no Brasil – os outros foram no Rio de Janeiro, em São Paulo e Curitiba.
A banda, aliás, mostrou seu novo integrante da cozinha: Chris Sharrock. Se não demonstra tanta habilidade quanto Zack Starkey – baterista, filho de Ringo Star, que vinha acompanhando o grupo, participou da gravação do último CD, Dig Out Your Soul, e voltou a se dedicar em tempo integral ao The Who -, o ex-baterista de Robbie Williams esbanja virtuosismo.
A coesa escolha da sequência inicial de músicas fez a pista incendiar rapidamente: “Rock & Roll Star”, “Lyla”, “The Shock of the Lighting”, “Cigarettes and Alcohol” e “Meaning of a Soul”. Misturando canções do primeiro CD, Definitely Maybe, com dos dois últimos, Don´t Believe the Truth e Dig Out Your Soul, no começo do show, Liam, liderando os vocais em todas, garantiu que o público pulasse sem parar.
Com uma plateia em ponto de ebulição, foi hora de desacelerar um pouco e cozinhar em banho-maria. Para isso, nada melhor do que a nova “To Be Where There`s Life”, com direito a improvisação. Em seguida, Noel assume os vocais – de forma tímida, mas com muita qualidade. Esta, inclusive, é a diferença entre os irmãos diante do microfone: enquanto Liam tem um timbre mais agressivo e uma forma única de cantar, que o fez ser um dos frontmen mais influentes dos anos 90, Noel se destaca pela técnica. E que técnica fez o Gigantinho inteiro cantar, no bis, “Don´t Look Back in Anger”, liderado por Noel na voz e violão, numa versão sem bateria e sem o característico piano nos moldes de Imagine, dos Beatles.
Falando nos Fab Four, para colocar mais lenha na fogueira e pôr fogo em tudo de uma vez, a noite acabou com um cover de “I`m the Walrus”, numa pegada bem mais rock`n roll do que a original.
Ainda se destacaram os clássicos “Champagne Supernova”, “Supersonic”, “Morning Glory” e “Wonderwall”. Diante das labaredas desencadeadas pelo Oasis, até a chuva que caiu forte na manhã se intimidou, cessando três horas antes da passagem de som do grupo.
Kiss em São Paulo [2009]
abril 14, 2009 by Brunna Radaelli
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Na apresentação do Kiss na Arena Anhembi, havia mil presentes para cada ano dos 35 que a banda tem de carreira. O show contou com o que o Kiss tem de melhor: maquiagem, muita pirotecnia, bateria levitando, sangue e fogo sendo cuspidos, músicos voando e o rock and roll direto que fez a banda tão famosa. Pouco antes das 22h, a cortina gigante com o logo da banda desceu tapando o palco ao som de “Won’t Get Fooled Again” do The Who, tradicional introdução nos shows do quarteto mascarado. Após o anúncio da “melhor banda do mundo”, Paul Stanley puxou a introdução de “Deuce”, e a cortina caiu junto com uma explosão de fogos. Era o estopim para os fãs alucinados pularem e cantarem – inclusive as partes instrumentais. Daí pra frente um clássico após o outro. O repertório da primeira parte foi baseado no clássico álbum ao vivo de 1975, o KISS ALIVE!. Gene e Paul, à beira dos sessenta anos, compensaram a idade com um carisma hipnótico. Eric Singer – baterista que substitui Peter Criss – foi preciso e fez alguns arranjos novos que deixaram as músicas mais vibrantes. Na guitarra, Tommy Thayer – substituto do carismático e beberrão Ace Frehley – foi impecável. No final do primeiro bloco, Paul anunciou que era a hora de tocar o hino do KISS ARMY – como chamam sua legião de fãs. Depois de chamar “Rock and Roll All Nite”, veio a introdução de batera, seguida de uma explosão e chuva de papel picado que encheu a Arena inteira, transformando o show numa festa incrível. Após um intervalo, Paul Stanley entrou no palco tremulando uma enorme bandeira do Brasil. Agradeceram ao público e voltaram com tudo para execução de mais seis músicas. Os espectadores tiveram o prazer de assistir Gene cuspir sangue e voar até o topo do palco para cantar “I Love It Loud” e Paul flutuar até o meio da Arena para cantar “Love Gun” perto dos fãs. “Detroit Rock City” encerrou e deixou claro que aquela noite foi memorável e que o Kiss é a banda mais quente do mundo.





