Logo

Menu
  • Home
  • News
  • Entrevistas
  • Lançamentos
  • Ouvir, Ler, Ver
  • Shows
    • Black Sabbath Brasil 2013
  • Festivais
    • Planeta Terra 2013

O óbvio não está | Cris Lisbôa

Por Cris Lisbôa | em 07/06/2012 | Comente
Colunas
yoko_ono_73_blog

_por Cris Lisbôa

Há muito tempo atrás fui em uma exposição da Yoko Ono. Não lembro onde foi, mas lembro que era da Yoko. Tinha uns quadros em branco, pendurados e, ao lado dos quadros, pregos e martelos. Adoro martelos. Adoro pregos. Amo pendurar coisas. Ali não dava para prender nada. Só fazer formas com os pregos. Coisa que descobri também gostar. Se não estou mentindo, fiz um C. De pregos. Uma graça. Grande Yoko, pensei. E ai fui até o balcão com martelos (de novo) e bati em xícaras. E ri. Os pedaços voaram para todos os lados. Um cara deu um pulinho para o lado. Esta mulher é ótima, disse. Ainda bem que desmanchou os Beatles. Porque senão eles iam ficar cada vez mais chatos e não seriam mitos. Acredite. Esta é minha teoria, Yoko Ono consagrou a história dos Beatles. Eles devem desculpas a ela. Enfim, o assunto é outro. Aqui. Perto dos quadros com pregos e das mesas com xícaras tinha um labirinto. Um labirinto de verdade feito todo em acrílico transparente. Babaca, hein? Juro que eu disse. Mas entrei, claro, sou de família classe média pequena burguesa e nós, os classe média pequenos burgueses aprendemos a aproveitar as coisas sejam elas quais forem. A churrascaria serve sushi? A gente come uma picanha seguida de um sushi. Ué. O hotel tem aquelas bananas que são puxadas por jet-ski? Vamos andar de bananas. Desperdício é coisa de pobre. Pobre desperdiça tudo. Coloca reparo. Pobre não sabe o valor de nada. E adora ser atropelado. Mas ai o labirinto. Transparente. Entrei. Achando fácil. Dei de cabeça no plástico duro na primeira dobra. E com o ombro em outra parede. As paredes não apareciam. Mas me atacavam. E tive um acesso de riso e as pessoas do lado de fora começaram a olhar. E fiquei com vergonha e uma certa vontade de chorar porque eu simplesmente não sabia sair de dentro de uma coisa toda transparente. E entrei em mini pânico. E demorei quinze minutos para achar a saída. E compreendi que com aquele labirinto ela provava o que todo mundo acha que sabe: que o óbvio, o fácil, o que parece simples e inofensivo é sempre a nossa pior escolha. Filha da puta.

@crislis é editora-chefe da Revista Noize e de gênio uma cachaça, mas de alma um guaraná.

Tags: Arte e DesignColuna da Cris LisbôaCris Lisbôacristiane lisbôaexposiçãoYoko Ono

Últimas

  • Daft Punk sem capacete

    24/05/2013 - 1 Comentário
  • Planet Hemp livre

    24/05/2013 - Comente
  • A Banda Mais Bonita do Mundo?

    24/05/2013 - Comente

Leia Também

  • David Bowie para ver e ouvir

    04/04/2013 - Comente
  • Isso é fazer música: uma conversa com Nando Reis sem pausa, pauta ou Titãs | Cris Lisbôa

    21/03/2013 - 4 Comentários
  • Yoko Ono usa foto de óculos de Lennon em protesto contra armas de fogo

    21/03/2013 - Comente
0 comments
  Livefyre
  • Get Livefyre
  • FAQ
Sign in
+ Follow
Post comment
 
Link
Newest | Oldest

Leia a Revista NOIZE

RSS Feed RSS - Posts

Agora no Instagram @RevistaNOIZE

revistanoize
2
1
  • Home
  • Contato
© 2013. Todos os direitos reservados. NOIZE Comunicação.