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Review | Grimes, princesinha pós-lo-fi

Por karla | em 03/08/2012 | Comente
Ouvir, Ler, Ver
Grimes_-_Visions_album_cover

_por Fernando Halal

Disco: Visions
Avaliação: dá um caldo
Para quem gosta de: Zola Jesus, Chromatics e Austra

Visions / Grimes by Revista NOIZE on Grooveshark

“Weird”. A expressão é preguiçosa, mas resume bem a novíssima vertente de artistas descolados cuja música mais parece um patchwork randômico de referências marginalizadas pela indústria. É preciso admitir, porém, que nada tem de preguiçoso o que faz a “revelação do ano” Grimes (não sou eu quem fala).

Misturando freneticamente doses de eletrônica, synthpop, ambient, industrial, new age e uma pitada de funk chinelão, a cantora empacota o seu produto com uma roupagem punk que anda faltando a muita banda por aí. E a Grimes – alter-ego da loirinha canadense Claire Boucher, de 24 anos – não se resume à música.

Antenada com toda a gama de manifestações artísticas que a tecnologia lhe propõe, a excêntrica moça parece ter entradas USB por todo o corpo. Performática, craque na linguagem audiovisual e também nas artes plásticas, ela é workaholic por direito: em menos de 24 meses, criou projetos paralelos, dirigiu clipes para amigos e colocou nada menos que quatro discos no mercado.

O mais recente deles é Visions.

Cercada de tantos projetos, surge a dúvida se a artista realmente tem uma identidade própria, algo que se destaque em meio a tantos pastiches de popstar.

Boa parte das faixas do novo álbum está bem longe da dance music e sua tradicional linearidade, mas pode fazer todo o sentido se acompanhada dos multicoloridos gráficos equalizadores do seu player.

“Be a Body” é a desconstrução pop em síntese, e o próprio hit “Genesis” exige do ouvinte uma atenção redobrada. Se “Vowels = Space And Time” é o mais próximo que Grimes consegue chegar do pop convencional, “Oblivion” vai além e poderia figurar sem problemas na já clássica trilha de Drive.

Resumindo, um trabalho irregular de uma artista cuja principal preocupação parece ser fugir do óbvio. Resta saber se ela terá fôlego para tantas reinvenções, ou se desaparecerá em meio aos inúmeros hypes que o mundo esqueceu na era pós-Internet.

Tags: resenhareview

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