Por Rafael Carvalho
Com
Born This Way batendo à porta (já “vazou”), Lady Gaga coloca em cheque direitos autorais de fotos tiradas em suas apresentações ao vivo.
Foi divulgado esta semana, um documento de autorização de uso de imagem (
clique aqui para ver), preenchido em uma apresentação de Washington por um fotógrafo do site TDB.com - e divulgado pelo mesmo, onde além das restrições normais do uso de imagem, constam termos que trazem a imagem para autoria de Lady Gaga. Com isso, cedendo direitos autorais da imagem para a Ate My Heart, empresa que cuida de toda a carreira de Gaga, e que é de propriedade dela mesma.
A cantora não é a primeira a fazer este tipo de pedido. Bandas como Beastie Boys e Foo Fighters já fizeram o mesmo. Todos do mundo das imagens de áudio e vídeo, porém, concordam que, com a demanda de fotos, fica mais difícil ter controle de onde elas vão parar, mesmo sendo utilizadas primeiramente no site/publicação assinalado no documento. Ou seja, a partir do momento em que a foto cai na web, ela está no mundo.
“Só porque ela se apresenta ao vivo não quer dizer que ela tem competência de criar boas imagem. É como um site que compartilha músicas reivindicar direitos autorais das músicas”, diz o edtor do BestMusicLive, Erik Thureson, para a Rolling Stone America.
No Brasil, exemplos contrários aconteceram nos últimos anos. Artistas como Gilberto Gil, Capital Inicial, Fresno e Tulipa Ruiz curtem que os fãs publiquem fotos e vídeos produzidos em seus shows.
Restringir direitos autorais de fotos e vídeos para si mesmo, traz a condição de que o possuidor das imagens a tenha à sua disposição para publicidade, publicações de seu interesse ou até mesmo capa de álbuns (poderia ter usado alguma, já que a capa de
Born This Way pode ser considerada a mais feia da história do mercado musical fácil, fácil) sem que o fotógrafo responsável pela imagem ganhe nada por isso, e ainda perca o direito de uso daquela imagem, ou do pacote, que o foi requisitado. Portanto, uma grave discussão.
Segundo a Ate My Heart, existem dois tipos de formulários de autorização de uso de imagem, e um deles é menos restritivo e destinado a publicações maiores. Eles reconhecem que as mesmas podem perder o controle de utilização das imagens mais facilmente do que veículos menores, para onde é destinado o formulário mais rígido. A preocupação, segundo os mesmos, é de que imagens recentes de Lady Gaga sejam usadas de forma indevida ou como propaganda irregular de algum produto/serviço.
Fotógrafos de veículos menores reclamam dos dois lados, já que têm que liberar suas fotos para a cantora, assinar formulário mais rígido, passar quatro horas em um show para ganhar US$ 125 dólares pelo trabalho e ainda não ter nenhuma outra fonte de renda se o trabalho for requerido por Gaga. “Falta reconhecimento dos dois lados”, diz Tim Bugbee, fotógrafo de shows da Rolling Stone.