
Nesta sexta-feira (14/5) estreia o documentário Alma Negra - Do Quilombo ao Baile nos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Goiânia e Niterói. Com direção de Flávio Frederico (da série Balanço Black), o longa propõe um mergulho na soul music nacional e no impacto político e cultural dos bailes black durante as décadas de 1970 e 1980. A Noize assistiu ao filme e conversou com o diretor sobre o projeto.
“A ideia original era um documentário musical sobre a soul brasileira, mas, à medida que fomos aprofundando a pesquisa e entendendo a dimensão e ebulição dos anos 70, os bailes black, a intelectualidade negra, o movimento negro e o empoderamento da população negra, o filme foi crescendo”, afirma o diretor. Segundo ele, a produção, realizada ao longo de mais de dez anos, se transformou em “um manifesto antirracista”.
O filme recupera a importância dos bailes soul como espaços de celebração da negritude e construção de comunidade. Em um dos depoimentos, o jornalista e militante Hamilton Cardoso define o movimento soul como “a libertação do negro”, enquanto o músico Dom Salvador descreve os bailes como um lugar para “extravasar”. A produção também aproxima esses encontros da ideia de quilombo, entendendo ambos como territórios de pertencimento, troca e resistência cultural.
Alma Negra - Do Quilombo ao Baile ainda revisita o legado de Tim Maia, pioneiro do soul nacional, trazendo referências da época que viveu nos Estados Unidos; também outros nomes fundamentais da black music brasileira, como Jorge Ben Jor, Carlos Dafé e Cassiano. Em um dos relatos, Zezé Motta recorda uma viagem aos Estados Unidos nos anos 1960 como um momento transformador para sua autoestima. “Percebi que os negros brasileiros andavam cabisbaixos. Lá eles andam de cabeça erguida”, afirma.
Para construir a narrativa, a equipe realizou cerca de 30 entrevistas com músicos, produtores, pesquisadores e personagens que viveram o movimento de dentro para fora. “Queríamos prioritariamente que vozes negras contassem essa história negra”, explica Frederico. Entre os principais desafios da produção, esteve o acesso a imagens de arquivo. Segundo o diretor, poucos materiais da época foram preservados no Brasil, o que levou a equipe a recorrer a acervos internacionais, como registros da Cinemateca Portuguesa.
Com produção da Kinoscópio e distribuição da Synapse Distribution, o documentário reúne depoimentos de nomes como Carlos Dafé, Sandra de Sá, Dom Filó e Seu Jorge. Antes da estreia comercial, o documentário Alma Negra passou por festivais como o Festival do Rio, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o IN-EDIT Brasil.




