
Não é raro ver grandes álbuns dos anos 90 e 2000 lançados em CD que hoje também ganham prensagens em vinil, surfando no revival dessa mídia física. Com a chegada dos CDs nos anos 80, os discos de vinil enfrentaram uma concorrência como nunca antes experimentaram. Os Compact Disc foram, inicialmente, pensados para música, mas depois ampliaram seus horizontes para toda forma de armazenamento de dados. Após de um reinado de mais de duas décadas no mercado, os CDs perderam popularidade, muito devido à ascensão do streaming, enquanto o vinil voltou aos holofotes.
Pelo 19º ano consecutivo, o vinil está em crescimento exponencial. Os discos, inclusive, geraram três vezes mais receita do que os CDs, aponta a Recording Industry Association of America (RIAA), com as vendas batendo a marca de US$ 1 bilhão.
O Brasil também está em crescimento: com aumento de 25,6% no último ano, comprovando que, por aqui também, o vinil impulsionou o crescimento da mídia física. Nesta lista, reunimos dez álbuns nacionais que representam esse momento com direito a raridades.
O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui (2013), Emicida - lançado em vinil em 2014 pelo Laboratório Fantasma
Estreia do rapper, lançado pela sua própria gravadora, aLaboratório Fantasma, as 14 faixas contam com produção musical de Felipe Vassão e participações de Elisa Lucinda, Rael, Dona Jacira, Tulipa Ruiz, Pitty, Wilson das Neves, Adriana Drê, MC Guime, Leo Justi, Quinteto em Branco e Preto, Rafa Kabelo, Fabiana Cozza e Juçara Marçal.
O álbum já apresentava o estilo de Emicida: poético e politizado, sendo “Hoje Cedo” e “Levanta e Anda” uma das favoritas do público. Lançado também pela Laboratório Fantasma, o disco tornou-se item de colecionador, podendo custar até R$ 820.
A Tempestade (1996), Legião Urbana - lançado em vinil em 2010 pela EMI
O penúltimo álbum do grupo já trazia clima de despedida. Com produção deTom Capone, o repertório trazia parceria com Marisa Monte, em “Soul Parsifal”, e “1º de Julho”, canção composta em 1994 para Cássia Eller, que estava grávida de Chico Chico.
O álbum ganhou prensagem em 2010, via EMI, em comemoração aos 25 anos de banda e foi masterizado no Abbey Road, estúdio em Londres. A gravadora, ao lado de Dado Villa-Lobas e Marcelo Bonfá, prepararam uma edição especial com os oito álbuns.
Foram disponibilizados em três formatos: uma caixa com oito discos, em vinil de 180 gramas e com os CDs vendidos separadamente. Além de capas e encartes originais, cada item possui um material, como fotos e textos de bastidores, da jornalista Christina Fuscaldo. Hoje, somente o vinil do álbum é possível encontrar por mais de R$ 2 mil.
Bloco do Eu Sozinho (2001), Los Hermanos - lançado em vinil em 2012 pela Polysom
Depois de emplacar o hit “Anna Júlia” no seu álbum de estreia, Los Hermanos (1999), o grupo carioca escolheu a calmaria da serra para dar vida ao seu segundo trabalho. Isolados produziram as 14 faixas, com produção de Chico Neves e Marcelo Sussekind.
De um trabalho para o outro, Marcelo Camelo abriu espaço para outros integrantes da banda compõem as faixas, como Rodrigo Amarante, autor de “Sentimental” e “Flor”, que, anos depois, seguem sendo umas das mais populares do grupo.
A Polysom, via coleção Clássicos do Vinil, lançou box com os quatro discos de estúdio da banda Los Hermanos (1999), Bloco do Eu Sozinho (2001), Ventura (2003) e 4 (2005), e o ao vivo Los Hermanos Na Fundição Progresso (2008).
A Procura Da Batida Perfeita (2003), Marcelo D2 - lançado em vinil em 2025 pela Noize Record Club
Para construir as 11 faixas, em uma mistura de rap com samba, o carioca trouxe, para seu segundo álbum, samples de Paulinho da Viola, Antônio Carlos e Jocafi, Luiz Bonfá, Marku Ribas e João Nogueira e Zé Katimba.
Gravado em Los Angeles, D2 contou com Mario Caldato Jr. e David “Marroquino” Corcos. na produção e feats de will.i.am (do Black Eyed Peas), Stephan, Ivan Conti Mamão (do Azymuth), Seu Jorge, DJ Zegon, MC Marechal e DJ Nuts. O álbum foi o título #93 do Noize Record Club, com lançamento em janeiro de 2025, relembre aqui.
Barulhinho Bom (1996), Marisa Monte - lançado em vinil em 2026 pela Noize Record Club
Em comemoração ao aniversário de 30 anos, a “Viagem Musical” de Marisa ganha sua primeira prensagem em vinil. O disco duplo mescla interpretações ao vivo, registradas durante a turnê Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão (1994) com gravações de estúdio, em produção assinada pela própria artista, ao lado de Arto Lindsay.
Na primeira parte do repertório, músicas clássicas da cantora, como “Beija Eu” e “Bem Leve”, dividem espaço com releituras: “A Menina Dança”, dos Novos Baianos, “Panis Et Circenses”, d’Os Mutantes, e até George Harrison aparece numa versão de “Give Me Love”. No segundo bloco, Marisa dá voz a composições inéditas de Carlinhos Brown, Gilberto Gil, Moraes Moreira, Lulu Santos e um poema do mexicano Octavio Paz, traduzido por Haroldo de Campos e musicado por ela. O álbum está disponível em pré-venda no NRC+, garanta seu exemplar aqui.
Admirável Chip Novo (2003), Pitty - lançado em vinil em 2013 pela Polysom
Ícone do rock nacional, a estreia da baiana, produzida por Rafael Ramos, faz referência a distopia de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo (1932) Ambientado em 2540, a publicação retrata uma sociedade doente pela tecnologia.
Pitty bebeu dessa ideia para dar vida às 11 faixas, como na faixa homônima: “Pane no sistema, alguém me desconfigurou Aonde estão meus olhos de robô?”, com trabalho audiovisual caprichado. Em comemoração aos 20 anos ganhou edição em vinil, pela Polysom, hoje pode chegar até R$ 700.
Sobrevivendo no Inferno (1997), Racionais MC’s - lançado em vinil em 2025 pela Fatiado Discos
O álbum já ganhou duas prensagens em vinil: primeiro lançado de forma independente pelo selo Cosa Nostra Fonográfica, conquistando, assim, cerca de 1,5 milhão de cópias, no mesmo ano. No ano passado, o grupo lançou duas edições limitadas do vinil, pela Fatiado Discos e Boogie Naipe, com LP duplo, livreto com 50 páginas, com fotos e letras, e dois pôsteres exclusivos.
Só nos Forevis (1999), Raimundos - lançado em vinil em 2021 pela Bolachão Discos
Maior sucesso comercial da banda, o disco marcou o auge dos Raimundos no mainstream sem abandonar a mistura de hardcore, forró e humor escrachado que definiu o grupo nos anos 90. Produzido por Tom Capone, trouxe hits como “Mulher de Fases”, “A Mais Pedida” e “Me Lambe”, além de ser o último álbum com Rodolfo Abrantes nos vocais.
O álbum ganhou sua primeira edição em vinil, em 2021, 22 anos após seu lançamento em CD e cassete, via Bolachão Discos, com tiragem de apenas 300 cópias.
Ao Vivo (2004), Rita Lee - lançado em vinil em 2026 pela Universal Music
Gravado no Hotel Unique, em São Paulo, o projeto reuniu clássicos da carreira de Rita Lee em novas versões ao vivo, misturando sucessos dos anos 70, 80 e 2000. Faixas como “Ovelha Negra”, “Lança Perfume” e “Mania de Você” aparecem ao lado das inéditas “Meio Fio” e “Coração Babão”. O LP duplo chega nas cores azul e vermelho.
Por Onde Andará Stephen Fry (1997), Zeca Baleiro - lançado em vinil em 2025 pela Romaria Discos
Disco de estreia de Zeca Baleiro, o álbum apresentou ao público uma mistura singular de MPB, rock, reggae e música nordestina, com letras bem-humoradas e referências pop improváveis. “Heavy Metal do Senhor”, “Flor da Pele” e “Mamãe Oxum” ajudaram a transformar o maranhense em um dos nomes mais originais da música brasileira dos anos 90. Lançado via Romaria Discos neste ano. Compre aqui.



