
Para RDD, a música baiana tem um “molho” que não se limita a estilos musicais, mas se conecta à forma de sentir e construir o som. Esse pensamento o guiou em Hot Sauce (2026), álbum de estreia solo, que chegou às plataformas em 16/4.
“É o que temos de mais especial: os ritmos. Quando a gente fala de ‘molho’ na Bahia, sempre tem essa pitadinha de percussão”, explica. Para ele, essa identidade nasce justamente da mistura constante: “Aqui é um caldeirão inacabável. Vai do arrocha ao pagodão, do axé ao samba-reggae, e isso aparece na minha música de várias formas”.
As 13 faixas passeiam pelo pagodão baiano, samba-reggae, arrocha, funk, afrobeats e o dancehall. Hot Sauce começou a ser desenhado em 2017: “De lá prá cá, muita coisa mudou, na vida e na própria indústria. Quis reunir as composições de diferentes épocas porque a arte é atemporal, faço música realmente para marcar as pessoas”, explica.
Com produção própria, o disco conta com feats como Karol Conká, Rincon Sapiência, Rael, Rachel Reis, Kekel, Luccas Carlos, Gaab, e, internacionalmente, também o DJ britânico Afro B, o duo de afro-eletrônico Team Salut e o rapper de Bangladesh Anik Khan.
Os convites vieram da rede de amigos e parceiros. Foi ele, por exemplo, quem produziu Urucum (2022), álbum que Karol lançou após a turbulenta passagem pelo BBB. Ele explica que não pensou em momento nenhum no retorno comercial dessas parcerias: “Não queria que fosse algo forçado, mas pessoas que realmente tem a ver comigo”, define. “Rael, por exemplo, já foi em shows do ÀTTØØXXÁ, eu sou fã desde o Pentágono, viramos amigos. Eu e Rincon somos parceiros desde 2017, no meu primeiro festival fora de Salvador, a gente dividiu line-up. São parcerias de muitos anos”.
O disco nasce com ambição global, mas sem abrir mão das raízes: “Sempre quis me comunicar com o mundo. Isso veio acontecendo aos poucos na minha carreira”, diz, lembrando experiências com o ÀTTØØXXÁ, projeto que o rendeu três indicações ao Grammy Latino, e colaborações com nomes como Major Lazer.

Recalculando a rota
Assumir a carreira solo, no entanto, trouxe uma mudança de abordagem. Enquanto o ÀTTØØXXÁ tem uma sonoridade expansiva e cheia de camadas, RDD quer ser mais minimalista: “O ÀTTØØXXÁ soma, é volume, é muita informação. O RDD tenta condensar, trazer essa riqueza da Bahia nos detalhes”, resume.
“Meu ‘eu baiano’ está sempre ali, tentando levar essa música para o pop mundial”, afirma. Essa intenção aparece tanto ao “baianizar” referências externas quanto ao adaptar ritmos locais. “O maior desafio foi unir diferentes mundos sem perder a essência da Bahia”.
O pagodão é o fio condutor do projeto que, para RDD, vem crescendo, muito por causa de Léo Santana. “O pagodão é muito do ao vivo, ele arrebenta, é visceral. Com “Zona de Perigo” chegamos nos charts do mundo inteiro. Ele ai caminhando sempre na calma, porque a Bahia tem o tempo da Bahia”.
Se tivesse que escolher uma faixa que sintetiza o álbum, ele elege “AYAYA”. “É um caldeirão: tem dancehall, pagodão, funk, arrochadeira, inglês, Brasil… está tudo ali”, descreve. Mais do que um destaque, a música funciona como chave de leitura do projeto: “Talvez tenha sido o início de tudo. Ela traduz esse tempero forte, essa união da Bahia com o mundo, e do mundo com a Bahia”.










