
Não consigo pensar num começo melhor pro festival do que esse que rolou. Os peruanos do Vieja Skina mostraram de cara que o El Mapa de Todos vinha pra levantar o astral de Porto Alegre com um elemento fortíssimo: música boa. Donos de uma técnica absurda, tocam o mais clássico ska, acrescentando pegadas de jazz e latinidade - só pra descontrair. Os caras deram uma aula de metais e de sincronia com uma performance impecável sem demonstrar esforço algum. O público do elegante Theatro São Pedro não quis ficar parado e as cadeiras perderam a vez para os corredores, que ficaram cheios de gente em pé, dançando e esquentando o ambiente. Ao som da banda, só faltou um drink e areia no chão pra gente se sentir curtindo, sei lá, um pico bacana na Jamaica. Milongas Extremas [wonderplugin_slider id="764"]
Milonga sempre me pareceu um estilo triste, ainda que muito lindo. Porém, ao ver o show dos uruguaios do Milongas Extremas, fui apresentada a uma nova face desse som. Os meninos de Montevidéu rompem a doçura tradicional com violões explosivos e acelerados, à moda espanhola, e um canto bem-humorado. Essa, inclusive, é uma característica que me chamou atenção sobre o grupo: a atitude despojada, buena onda, dos rapazes deixa esse som dramático com um tom bem divertido. Foi um ótimo começo pra segunda (e agitada) noite de El Mapa. Onda Vaga [wonderplugin_slider id="765"]
Super aguardada, a banda de uruguaios e argentinos fez a galera enlouquecer, com direito a um monte de gente dançando em cima do palco. Num momento como esse, a gente vê o porquê do festival tomando forma e fica feliz por injetar tanta latinidade na veia de uma só vez. O show-experiência consolidou a impressão que eu tinha da banda formada em 2007. Pra mim, Onda Vaga soa como se a música do Devendra Banhart e do Manu Chao tivessem um filho, e o bebê nascesse tirando uma onda no trombone, vestindo a camisa 10 da seleção argentina e alpargatas. Em outras palavras, não é à toa que os caras fazem tanto sucesso e lotam casas em todo canto do globo. A banda não tem nem uma década de estrada, mas sabe desde o início como despertar os genes sul-americanos que fazem a gente invadir o palco e botar o quadril pra se mexer.
Los Pirañas [wonderplugin_slider id="766"]
Eu queria que a semana do El Mapa de Todos tivesse três sábados seguidos, pra poder passá-los do jeito delicioso que foi o último. Vi uma sequência de shows ótimos, no meio de uma plateia só de gente bacana - incluindo Jorge Drexler, que se apresenta na cidade hoje à noite e foi no do Centro Histórico-Cultural da Santa Casa ontem conferir um show do festival. Drexler, que teve um álbum produzido por um dos integrantes da Los Pirañas, já sabia o que eu descobri lá: se você tiver a chance de ver os colombianos tocando, não perca. O trio chegou eletrizando o público sem pedir licença, e todo mundo entrou na pira daquela psicodelia. Os caras pegam elementos de gêneros latinos e reorganizam toda a sua lógica, criando uma lisergia de batucadas, distorções de guitarra e um baixo brutal. O “ruidismo tropical”, como eles mesmos definem, fez a plateia dançar sem pudores. Teve até a performance genial de uma senhorinha que subiu no palco e deu um banho de juventude na galera. A vovó ilustrou como todo mundo sentiu: contagiado por aquele ritmo (não, não o Ragatanga). Sem dúvidas, foi o show que mais me impressionou. Saí de lá com um vinil deles, feliz da vida. François Peglau [wonderplugin_slider id="767"]
Sabe quando você simplesmente gosta de tudo em um show? François, líder da banda, com seu balançar de cabeça tipo Zé Bonitinho e seu terno xadrez. O baixista super sério e cabeludo, com um bigode marcante. E, principalmente, o quanto eles estavam à vontade no palco. Essa combinação já agradou de cara. O som tem a alegria do pop, os metais do ska, a malandragem de guitarras solando e mais umas surpresas, tipo as gravações de pessoas discursando que eles tocam no começo das músicas. Com uma latinidade bem mais contida que as demais atrações do festival, a banda inclusive trouxe músicas em inglês, um diferencial. O peruano com nome francês e visual mod fez um show divertido, espontâneo, e saiu de lá com uma turma de novos fãs. Ana Muniz [wonderplugin_slider id="768"]
Uma menina doce, uma voz estrondosa e composições lindas. Acrescente umas dancinhas intuitivas despretensiosas, uma postura super próxima à plateia e temos uma breve descrição do que Ana Muniz mostrou no último dia de El Mapa. A moça delicada, que fala o maravilhoso dialeto “paz e amor” entre uma música e outra, fez o chão tremer com a força do seu cantar. A performance da gaúcha, repleta de arranjos experimentais, tem uma poesia tão própria que o público não assistiu, e sim contemplou. Energia, amor, universo e toda essa vibe natureza estão nas músicas da Ana, um talento pra ficar de olho.














