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Com Zezé Motta,”Xica da Silva” volta ao cinemas; relembre a trajetória musical da cantora


Por:

Brenda Vidal

Fotos: Divulgação

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"Da terra do sol, da luz de mel, da cor do café, eu sou Zezé" — é um verso de "Muito Prazer Zezé", faixa que abre seu disco homônimo lançado em 1978. Essa canceriana filha de Oxum é conhecida por sua gigantesca trajetória artística como atriz no cinema, teatro e televisão, mas nem todos sabem que o que chegou primeiro na vida de Maria José Motta de Oliveira foi a música.

Nascida em Campos dos Goytacazes, ela foi ainda pequena morar com a família na capital do Rio de Janeiro. Filha de mãe costureira, seu pai era violonista, um músico erudito que tocava música popular. Apesar da especialidade vocal da filha ao cantar impecavelmente canções que aprendia só de ouvido pelo rádio. Enquanto ajudava a mãe, seu pai torcia para que Zezé e a música se encontrassem. A atriz costuma dizer: “Você já é uma cantora”, como relembra em entrevista a Guilherme Guedes em live de 2023.

Profissionalmente, foi o teatro que primeiro abriu as portas para a artista, mas a música vinha junto em espetáculos que encenou, como Roda Viva (1968) e Godspell (1974). Além disso, no início da década de 1970, ela se apresentou como cantora em diversas casas noturnas de São Paulo. Em entrevista concedida a Taís Araujo, Zezé conta que o impulso para investir em uma carreira musical veio após a divulgação do filme Xica da Silva (1976), de Cacá Diegues. O filme, inclusive, foi restaurado e está em cartaz nos cinemas.

Foi nesse momento que a vida da artista cruzou com a de Guilherme Araújo, empresário emblemático dos anos 1970, que organizou um jantar para apresentar Zezé aos seus amigos músicos, como Caetano Veloso, Rita Lee, Gilberto Gil e Moraes Moreira.

Com o incentivo deles, Zezé mergulhou na música e gravou alguns discos que merecem ser redescobertos. Em diversas entrevistas, ela é perguntada se, caso tivesse que escolher apenas um caminho, seria a música ou a atuação. Para surpresa de muitos, é pela música que ela optaria. Abaixo, apresentamos uma sugestão para você se aventurar na carreira sonora de Zezé.

Zezé Motta (1978)

A estreia de Zezé é uma das obras mais enérgicas de sua discografia. Os vocais passeiam com liberdade entre as faixas, abrindo espaço para diálogos, gargalhadas e notas rasgadas. O álbum traz "Magrelinha", de Luiz Melodia, além de "Muito Prazer Zezé", de Rita Lee e Roberto de Carvalho. Sobre essa canção, Zezé conta que Rita Lee ainda não a conhecia bem quando a escreveu e, por isso, recorreu a entrevistas e reportagens para construir um verdadeiro cartão de visitas da artista.

Luiz Melodia também assina "Dores de Amores", enquanto Leci Brandão compõe "Dengue". O repertório inclui ainda "Trocando em Miúdos" (Chico Buarque e Francis Hime), "Crioula" (Moraes Moreira), "Pecado Original" (Caetano Veloso), "Babá Alapalá" (Gilberto Gil), além de "Bola de Meia, Bola de Gude" (Fernando Brant e Milton Nascimento), "Feiticeira" e "Poço Fundo", de Gilberto Gil. Zezé também aparece como coautora de "Cais Escuro", ao lado de Paulo César Feital.

Dengo (1980)

O segundo disco faz jus ao título, com uma sonoridade marcada pela cadência e por canções que dialogam com o soul de Luiz Melodia, sem abandonar a MPB. O repertório reúne composições de Jards Macalé, Duda Machado, Dorival Caymmi e Gonzaguinha, entre outros.

Frágil Força (1984)

O mood e sofrência com as divas, como em "Pouco me Importa" e "Agora". Ao mesmo tempo, o disco evidencia a versatilidade da cantora ao incluir um frevo em "Carnaval de Rua" e temas ligados à negritude em "Negrito" e "Nega Dina".

A Chave dos Segredos (1995)

O álbum retoma sonoridades que dialogam com os anos 1970 e 1980, reafirmando temas recorrentes da trajetória musical de Zezé: o amor, a cadência da música brasileira e questões ligadas à identidade negra. A figura de Xica da Silva reaparece como referência simbólica, enquanto gêneros como chorinho e samba ganham mais espaço no repertório.

Negra Melodia (2011)

Lançado pela gravadora Joia Moderna, Negra Melodia marca um resgate artístico significativo na trajetória de Zezé Motta, consolidando sua posição como uma das maiores intérpretes de Luiz Melodia e revelando sua intimidade com o repertório de Jards Macalé. O disco, produzido por Thiago Marques Luiz sob direção musical de André Bedurê e Rovilson Pascoal, entrelaça com refinamento 12 composições de dois gênios da MPB dos anos 70 — compositores injustamente marginalizados como "malditos" pela indústria fonográfica. Recusando as trilhas óbvias, Zezé privilegia faixas menos conhecidas como "Soluços" (Macalé) e "Decisão" (Melodia), transformando-as em momentos de "desespero elegante", conforme descrito pela crítica. 

Por:

Brenda Vidal

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