
Há 28 anos, o mundo da música foi impactado pelo lançamento de The Miseducation of Lauryn Hill (1998), primeiro e único álbum de estúdio de Lauryn Hill. O disco nasceu em um momento de intensas transformações na vida da artista: recém-saída do sucesso dos Fugees, Lauryn estava grávida de seu primeiro filho, Zion, fruto de seu relacionamento com Rohan Marley, filho de Bob Marley, que ganhou uma faixa em sua homenagem. A artista já contou que a gravidez teve um papel importante em seu processo criativo.
A essa altura da carreira, ela já tinha lançado dois discos: Blunted On Reality (1994), The Score (1996), ambos como integrante dos Fugees, grupo de rap formado por ela em parceria com Wyclef Jean e Pras Michael.
Com Miseducation... a artista fez história ao se tornar a terceira mulher negra a faturar um Grammy de Álbum do Ano, após Natalie Cole em 1992, com Unforgettable… With Love (1991) e Whitney Houston em 1994, com The Bodyguard: Original Soundtrack Album (1992). Depois de HIll, outra cantora negra só viria a ganhar o prêmio em 2025, quando Beyoncé foi reconhecida por Cowboy Carter (2024).
Em 2024, a Apple Music divulgou uma lista com os 100 melhores álbuns da história segundo a plataforma, com curadoria feita por artistas e especialistas no assunto, e o disco de Lauryn Hill alcançou o primeiro lugar.
Para celebrar 28 anos desse disco que marcou a história da música, listamos cinco curiosidades sobre The Miseducation of Lauryn Hill. Confira abaixo:
Gravado no estúdio de outra lenda
Lauryn gravou o álbum entre Miami, Nova York e Kingston. Na capital jamaicana, ela teve como base o Tuff Gong Studios, fundado por Bob Marley, além de ser a antiga casa do músico. O convite para usar o local partiu de Stephen Marley, seu cunhado à época.
"Estar na casa de Bob Marley criou um ambiente mágico. Foi Stephen Marley quem nos convidou. Eu tive que organizar o equipamento que precisava ser levado para a Jamaica e garantir que o local funcionasse como um museu quando não estivéssemos gravando," relembrou Gordon "Commissioner Gordon" Williams, engenheiro de som responsável pelo álbum, em uma entrevista ao Okayplayer.
Conquista histórica
O álbum recebeu 10 indicações ao Grammy, em 1999, e a rapper levou cinco estatuetas — incluindo Melhor Álbum de R&B, Melhor Performance Vocal Feminina de R&B, Best R&B Song e Artista Revelação — tornando-se a primeira artista a ganhar essa quantidade de prêmios em uma noite.
O trabalho ainda se tornou o primeiro álbum de hip-hop a levar o troféu de Álbum do Ano.
“Música de mesa de centro”
Rohan Marley, ex-companheiro de Lauryn Hill, contou em uma entrevista que as primeiras versões do álbum não agradaram os executivos da gravadora da artista à época: "Lauryn e sua mãe levaram [as primeiras versões do] álbum dela para a Sony Records e eles disseram: 'Isso é música de mesa de centro. Que porcaria é essa? Música de mesa de centro'. Ela pegou o material dela e saiu de lá," contou o empresário jamaicano.
Inspiração literária
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Lauryn Hill explicou que o nome do álbum é uma alusão direta ao livro de Carter G. Woodson The Mis-Education of The Negro (1933) — traduzido como A Deseducação do Negro.
"O título do álbum aborda essas lições de vida, aquelas coisas que você não encontra em nenhum livro didático, coisas pelas quais passamos e que nos forçam a amadurecer", disse a cantora. "Espero que aprendamos com isso. Algumas pessoas ficam estagnadas. Dizem que o que não nos mata nos fortalece, e essas são algumas lições realmente poderosas que mudaram o rumo e a direção da minha vida."
A capa que quase foi outra
Em entrevista ao Okayplayer, o fotógrafo Eric Johnson revelou que foi com Hill até a Columbia High School, em South Orange, Nova Jersey. A escola, antes frequentada pela artista, seria usada como cenário para a foto de capa do álbum.
"Queria criar algo que fosse elegante, mas com o qual as pessoas comuns também pudessem se identificar," disse ele na entrevista. No lugar de usar as fotos tiradas no local, uma delas serviu como base para a imagem que conhecemos, do rosto da artista entalhado em uma escrivaninha de madeira. O resto é história.








