
Há uma década, Danilo Cutrim, Vitor Izenzee e Nicolas Christ surpreenderam os fãs com o anúncio de que seguiriam juntos após o fim do Forfun. Ao lado de Pedro Lobo, formaram o BRAZA, que estreou em 2016 com um disco autointitulado que apontava para uma nova identidade sonora. Agora, eles celebram tanto o aniversário de nascimento do grupo quanto o do mais recente álbum, Baile Cítrico Utrópico Solar (2025).
Ao longo de 10 anos, quatro álbuns e um EP, essa sonoridade foi ganhando cada vez mais solidez, sem nunca se enquadrar em um rótulo específico. "A gente segue na trilha do reggae, com um pouco de rock, um pouco de rap…E isso tudo com a música brasileira de inspiração e fundo. Apesar de ter experimentado, pesquisado e tentado muita coisa ao longo dessa década, acredito que o trabalho é bem coeso", resume o tecladista e vocalista Vitor Izenzee.
“Acho que o BRAZA é MPB. Porque somos brasileiros e fazemos música. E queremos que essa música chegue em cada vez mais ouvidos. Então, popular!”, completa o guitarrista e vocalista Danilo Cutrim.
Mais do que encaixar o trabalho em um gênero específico, o grupo parece interessado em equilibrar elementos que poderiam soar contraditórios. "Tem dois pontos que caracterizam bem o som do BRAZA: É muito dançante, se propõe a ser bem para cima, ao mesmo tempo em que as letras são muito reflexivas. Então a gente tenta juntar as duas coisas: a celebração e a reflexão”, descreve Izenzee.

A lógica de conciliar diferentes forças também reflete no próprio funcionamento da banda. Embora Danilo seja frequentemente identificado como vocalista principal, todas as vozes encontram espaço no repertório, com Nicolas, Pedro e Vitor assumindo os microfones conforme as necessidades de cada canção. Quem explica é Pedro Lobo:
“Muita gente acha que isso pode ser caótico, com todo mundo querendo cantar tudo. Mas nunca foi. No processo de composição, a gente já sabe o que vai cair melhor para cada voz. É tipo um time de futebol: cada um tem que fazer a sua função.”
O mesmo vale para as composições. Apesar da fama de poeta que acompanha Vitor desde os tempos de Forfun, ele faz questão de reforçar o caráter coletivo das criações. "No BRAZA, é muito junto. Nicolas é responsável por muitas pérolas de letra, Danilo chega com boas ideias, Pedro também…"
Retiro de composição
Recentemente, esse espírito colaborativo ganhou uma nova camada com as imersões criativas adotadas pela banda. Em vez de trocar ideias à distância ou chegar aos ensaios com músicas praticamente prontas, os quatro passaram a reservar períodos para criar juntos longe da rotina, em uma espécie de retiro composicional.
"Sentimos necessidade de sair do caos, eleger um lugar legal, pegar um carro e ir todo mundo junto, para curtir e passar uns dias em sintonia. Mesmo que um faça um pouco mais a letra e o outro, um pouco mais a melodia, só o fato de a pessoa estar ali ao lado, incentivando e aprovando, já valida a parceria", explica Danilo.
Para o baterista Nicolas Christ, a escolha dos cenários dessas imersões também influencia o resultado final. "A gente pensa em como pode se isolar da melhor maneira e estar junto à natureza, para poder conectar melhor. Pedro complementa: "É um momento de se desligar do mundo inteiro e focar só nisso", complementa Pedro.
Essas imersões foram a base do processo de criação de Baile Cítrico Utrópico Solar (2025), disco mais recente do BRAZA que completa um ano de lançamento neste mês de junho. "A gente fez esse álbum com muito carinho, muito esmero, e tem sido uma troca incrível. Estamos amando as músicas e o feedback do público, que está especial. Os shows estão incríveis!”, celebra Nicolas.
“É um álbum especial para a gente. Acho que ele consegue passar por várias vibes, desde a galera da roda até as músicas mais calmas e emocionantes. Eu sou suspeito, amo esse disco”, completa Danilo.
Novidades a caminho
Baile Cítrico Utrópico Solar realmente tem um lugar cativo no coração dos integrantes do BRAZA, que deram sinais de que este ainda será um ano cheio de novidades para os fãs. “O álbum está tão bacana que vai rolar um desdobramento aí. Não posso falar exatamente o que é, mas vai rolar!”, garante Nicolas.
Ao longo dessa década, o BRAZA também viu nascer um público que já não se conecta apenas com a trajetória anterior de seus integrantes, mas com a identidade construída pela própria banda. Uma comunidade que se reconhece nas letras, nos shows e no espírito de celebração que atravessa o projeto desde o início.
"É muito emocionante. A gente chega nos lugares e recebe presente, desenho, quadro, toalha personalizada... Não tem como expressar. É só agradecer. A gente vem sentindo cada vez mais essa fidelização, essa construção dessa família que é muito linda”, diz Nicolas.
Talvez essa seja a principal característica do caminho percorrido pelo BRAZA até aqui. A banda que nasceu como um novo capítulo após o fim do Forfun consolidou uma voz própria; ou melhor, várias vozes. Entre o reggae, o rock, o rap e a música brasileira, entre a celebração e a reflexão, o grupo encontrou um espaço difícil de definir, mas fácil de reconhecer.









