
O programa Caça Joia, que busca revelar pérolas da música independente no Brasil apresentado pelo músico pernambucano Chinaina, ganhou recentemente um "spin-off", o Caça Joia Clipes. A atração, assim como a irmã mais velha, é transmitida no Canal Futura às sextas, às 21h, e na Globoplay.
A diferença é que, agora, o programa chega para preencher um vazio deixado pelos antigos programas de videoclipes que marcaram gerações. Ao longo de 13 episódios, serão exibidos 170 clipes escolhidos entre mais de 4 mil projetos submetidos à produção.
Em conversa com a Noize, Chinaina fala sobre a importância de um programa como esse, especialmente em um momento em que a televisão está carente de faixas dedicadas à divulgação de clipes desde o fim da MTV. Para ele, mesmo com o fim da emissora, o formato continua em alta. “Eu não conheço, hoje, nenhum artista que lança um disco e não tem um material de vídeo para colocar nas redes e tal”, reflete. Tanto que a produção recebeu mais de 4 mil videoclipes.
“Para você ter uma ideia, quem se inscreveu no programa foi Vitor Kley”, revela o apresentador, que posteriormente foi conversar com o músico gaúcho sobre a inscrição. O cantor explicou que, apesar de entender que já é um artista grande perto da proposta do programa, viu ali um espaço para exibição de videoclipes.
“Tem um espaço para essa produção gigante dos artistas independentes brasileiros. O problema é que ele foi focado para as redes sociais. Como você não tem mais um programa de clipes na TV, então esse conteúdo é todo despejado na internet”, conta.

Dessa maneira, o Caça Joia Clipes chega para preencher um espaço vago, visto que hoje, o único programa do tipo é o TVZ, do Multishow, que “bravamente ainda resiste”, elogia Chinaina.
“A gente não tá inventando a roda. sabe? A gente só tá botando ela para girar de novo”.
Desde a estreia do Caça Joia, em 2021, o programa falou com nomes que têm feito barulho na cena da nova música brasileira, como Mateus Fazeno Rock, Pelados, Kaê Guajajara e vários outros. O novo programa chega para complementar as entrevistas.
“Nas temporadas do Caça Joia Entrevista, é um artista por episódio. Então, é maravilhoso, porque você tem quase um um release visual daquele artista, apresentando ele para para o país e tal, mas a gente sempre sentiu falta, porque cada temporada a gente tem 13 episódios”, explica China.
“Eram 13 artistas, mas a gente recebia material para cacete de um monte de gente. Como é que a gente amplia isso? Com o Caça Joia Clipes”.
Os programas, inclusive, conversam entre si. Há cantores que foram anteriormente entrevistados e hoje têm seus clipes exibidos, como é o caso de Mateus Fazeno Rock e Raidol — este último participou de uma temporada voltada a artistas de Belém. “E não só artistas independentes que são novíssimos, sabe?”, complementa o apresentador. “No programa ainda tem Devotos, Mombojó, Tulipa Ruiz, que são artistas que continuam na independência e que já têm uma estrada longa”

Assim, como no programa de entrevistas, o de videoclipes se atenta para a igualdade e traz artistas de todas as regiões do país. “E a essa equação é que é a difícil de fazer. Tem artista bom no Brasil inteiro, mas tendo essa meta de equidade de gênero, de raça, facilita bastante para a gente, porque temos um país muito diverso, cara, e ele precisa estar na tela com essa diversidade toda”.
Boa música para todos
Apesar de ser uma produção Globoplay, o programa também está liberado para não assinantes, assim como outras produções do Canal Futura.
“Eu brinco que o Futura é a nova casa da música brasileira. Os caras apostaram lá atrás no Caça Joia, apostaram no Caça Joia Clipes. Pra gente, música e educação tem tudo a ver. É mais um passo que você dá para para aquilo ser democrático. Do mesmo jeito que o programa é democrático”.
Para os artistas, estar numa plataforma dessa dimensão, é uma conquista. “Fico pensando em mim, como artista independente, se na época que eu comecei, eu tivesse dentro de um de um canal, uma plataforma de filmes tão grande quanto o Globoplay, sabe? Só isso, já ia acalmar a minha família”, brinca.
A própria trajetória do apresentador como um artista independente foi um motivador para a criação dos programas, que ele vê como uma maneira de agradecer pela história que construiu.
Baú de descobertas
“O Caça Joias presta um serviço para quem é preguiçoso na hora de procurar sobre a música independente brasileira, porque os artistas estão aí, cara. e não é difícil achar”
O artista brinca sobre como o programa se tornou uma ferramenta de descoberta de artistas. “Antigamente, quando eu comecei minha carreira, era bem difícil. Você não sabia o que estava rolando na cena do Distrito Federal, por exemplo. Sabe? Recebia uma fita demo aqui e ali era uma confusão para descobrir novos artistas. Hoje não, está tudo a um clique”.
Para ele, o mercado está “matando a árvore da música antes mesmo de ela dar frutos”. A interferência de algoritmos e a preocupação com números em detrimento da arte são alguns dos problemas que o pernambucano identifica no cenário atual e que os programas buscam combater.
“O algoritmo não enxerga uma coisa muito importante na música, que é o talento desses artistas. Então, ter sentado minha bundinha para assistir 4 mil videoclipes, foi muito legal, velho. Foi muito gostoso. E faço isso como uma forma de respeito, porque quando mando o meu material, eu espero que a galera escute”, explica o artista.
O alto número de inscrições veio após o apresentador fazer um chamado no Instagram perguntando sobre novos artistas. Para selecionar os 170 vídeos, a produção levou em conta aqueles que estavam mais prontos para “dar o próximo passo”.
“A gente precisava de uma coisa um pouco mais produzida para exibir na TV. Mas o grande lance é a verdade do som desses caras, a inventividade, o que eles estão a fim de falar. Acho que a gente conseguiu fazer um recorte interessante”, explica Chinaina, que espera por uma segunda temporada para exibir mais talentos que acabaram ficando de fora dessa primeira leva.






