
Jáder lançou em o seu segundo álbum, Deixa o Mundo Acabar (2026). Produzido por Barro e Guilherme Assis, o projeto nasce de um período intenso de criação em Recife e se expande a partir de vivências entre Natal e em São Paulo. Ele estreia o repertório nos palcos nesta sexta-feira (24/4) no Teatro Santa Isabel, em Recife [ingressos aqui].
“Precisei destruir mundos como o medo, a culpa e a autossabotagem para ser quem sou”, resume o artista, apontando o eixo emocional do trabalho. Ao longo das faixas, esse processo se revela em canções que transitam entre sentimentos íntimos e coletivos.
Da abertura com “Tô de Volta”, o disco se desenrola como um fluxo orgânico, muitas vezes espontâneo: “Xêro”, por exemplo, surgiu “magicamente” em uma noite despretensiosa, enquanto “Enigma” foi composta em menos de meia hora, abre o artista no faixa a faixa.
Há também espaço para experimentação sonora. Em “Fica Comigo”, Jáder se permite explorar o pagode pela primeira vez, enquanto “Sem Você” nasce como um rock e se transforma em um brega “misterioso e intenso” durante o processo.
Esse trânsito livre entre estilos reforça a identidade múltipla do disco, que abraça do pop ao forró, do xote ao eletrônico. “Eu queria de tudo um pouco e decidi me permitir. Dei vida a um universo múltiplo, que transita entre diversos gêneros ao mesmo tempo que cria algo coeso. Tudo isso para mostrar e dar vazão aos diversos mundos que vivem na gente”, explica.
O álbum ainda conta com participações de Mariana Aydar (“Pessoa Preferida”), Jaloo (“Volta”), Joyce Alane (“Fica Comigo”) e Totô de Babalong (“No Mar)”. Deixa o Mundo Acabar se organiza como um mosaico sensorial, evocando calor, movimento e paisagens afetivas. Como Jáder sugere, é preciso deixar certos ciclos para trás para seguir em frente.
Confira Deixa o Mundo Acabar faixa a faixa:
"Tô de Volta": essa faixa é uma das minhas favoritas. Criei esse refrão andando pela rua, isso acontece muito comigo. E esse refrão ficou se repetindo por diversas vezes na minha cabeça por meses. Quando eu cheguei em Recife para fazer a produção do disco, mostrei esse refrão pra os produtores do disco e só de ouvir ele a gente teve a certeza que entraria no disco - e eu secretamente já sabia que seria a faixa que iria abrir o álbum, anunciar meu retorno: TÔ DE VOLTA. Então fomos lapidando, trocando referências até que o resto da letra e da melodia nasceu.
"No Mar": foi criada no Recife, durante o período de camping do álbum. Barro, produtor do disco, me ligou dizendo que estava almoçando com Dan Mendes, produtor musical de João Gomes, e me perguntou se eu topava ir pro estúdio para a gente compor uma música. Topei na hora e eu, ele, barro e Guilherme Assis criamos essa música quase do zero em uma tarde. A gente já tinha algumas bases e eu tinha esse sentimento de que era uma música praieira, localizada na areia. Conversamos um pouco sobre esse universo e ela surgiu! Quando ela foi surgindo, já me veio no juízo que eu tinha que convidar o Totô de Babalong para o feat!
"Ralado": essa foi a primeira composição do disco! Na verdade eu criei ela quando eu estava compondo o “Quem Mandou Chamar???", meu primeiro álbum. Acabou que decidimos não lançar na época, mas ao ouvir o universo do disco novo, ela se encaixou como uma luva, não tinha como deixar de fora. Lembro que compus ela de noite, num momento bem íntimo… quarto escuro, deitado na cama com meu violão. Os versos foram surgindo e acho que ela traz muito essa aura meio pura, meio crua… um sentimento verdadeiro.
"Fica Comigo": essa é uma das que eu mais gosto! Ela surgiu em Salvador, durante as comemorações de 2 de Fevereiro. Assim como “Tô de volta”, eu já tinha criado o refrão dela, cantarolando e criando melodias. Eu estava hospedado em uma casa com Guilherme Assis, produtor do disco, e mostrei o refrão pra ele… Em uma manhã preguiçosa em salvador, a gente ficou tomando café, conversando besteira e tocando esse refrão, até que saiu o resto da música ali. Tive muita incerteza de trazer ela pro disco, por se tratar de um pagode, ritmo que eu nunca tinha tocado antes, até que me permiti ousar! Quando fomos produzindo ela, ganhando camadas, também ficou muito claro que eu chamaria Joyce Alane para participar.
"Xêro": surgiu durante o camping do disco, em Serrambi (PE). Estávamos compondo diversas músicas que poderiam entrar no disco e em uma noite, decidimos abrir algumas cervejas e fazer um processo mais leve, mais descontraído… E aí magicamente ela surgiu. Lembro que ela surgiu muito rápido e que, ao compor ela, eu tive a sensação de que tinha entendido o caminho do disco. Ela me revelou a energia que eu estava tentando traduzir nas canções do álbum. Tanto que é que foi o primeiro single a ser lançado!
"Pessoa Preferida": tenho muito carinho por essa música! Compus o refrão dela embaixo do chuveiro numa viagem que eu estava fazendo com o meu marido. Eu me mudei pra são paulo e eu e ele começamos a montar nossa casinha aqui. Essa música fala sobre isso, sobre a construção a dois de uma casa e principalmente nos momentos felizes vividos durante esse processo. É sobre se demorar nos sorrisos!
"Enigma": acho que é a minha favorita do disco! Também surgiu durante o camping, no mesmo dia que a gente fez “Xêro”. Ela surgiu muito rápido… Guilherme fez o beat com umas camadas de teclado que traziam essa aura meio misteriosa e automaticamente a letra foi se criando na minha mente, acho que não demoramos nem meia hora pra compor ela. Amo que ela traz uma aura mais indie, um lugar que eu já visitei na época que eu tocava com minhas antigas bandas, Mulungu e Projeto Sal.
"Sem Você": essa foi a última faixa a ser composta pro disco! Eu tava no ônibus, voltando de Natal-RN e meu marido disse que queria que eu fizesse um rock pro disco! Eu fiz “Sem Você” pra ser um rock! Quando eu mostrei pra Guilherme e Barro eles adoraram, mas disseram: acho que a gente tem que levar ela pro brega. Eu fiquei sem entender nada, achando que não fazia sentido, mas acreditei no processo! A gente foi construindo ela em brega e deu no que deu! Um brega misterioso, intenso!
"Volta": durante a temporada no Recife, chamei Uana pra compor. A gente já tinha colaborado juntos no meu álbum anterior e também já tinhamos composto algumas música no passado. Amo muito o jeito dela compor! Então nos juntamos, eu, ela e Barro e a música surgiu. Lembro que o pontapé inicial era um copo de cerveja. Nós ambientamos assim: barzinho/boteco, pessoa sozinha na mesa, copo de cerveja. E aí os versos foram surgindo dentro desse universo. Ainda tive o maior prazer do mundo de ter Jaloo como feat nessa!
"Mormaço": essa compus sozinho, parecido com “Ralado”, na cama, com o violão e trazendo palavras. Eu tinha acabado de me mudar pra São Paulo, tava frio, e eu tava com saudade do calor de casa. Lembrei das ladeiras de Olinda, do calor, do mormaço, do carnaval. Ela se passa justamente nesse ambiente! Os pés cansados do dia inteiro no carnaval, a cabeça nos ares e a vontade que aquele amor fique ali pra sempre.
"Deixa o Mundo Acabar": essa é muito especial pra mim. Funciona como uma homenagem ao meu estado! Aqui eu escrevo com carinho sobre minha cultura, minha identidade, sobre os prazeres de viver o carnaval de Pernambuco. Ela foi a primeira que foi composta no camping do disco, mas, diferente das outras, a gente fez o verso todo e ainda não tinha conseguido fazer o refrão. Ela ficou ali guardada, durante todo o processo do disco, sem saber se iria entrar ou não, porque tava sem refrão! Mas eu gostava tanto dela, tinha que entrar. Um dia, o refrão se apresentou pra mim, foi surgindo na minha cabeça! E quando ele surgiu na mesma hora eu senti: É O TÍTULO DO DISCO!!!!!!!! E foi justamente a última peça do quebra cabeça, o último verso que compus.




