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Discoteca básica: 5 discos essenciais para entender Emicida


Por:

Ana Laura Pádua

Fotos: Rafael Rocha

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Em São Paulo, a Batalha do Santa Cruz foi o palco onde Emicida acendeu sua chama no rap pela primeira vez. Em 2006, chamou a atenção com seu estilo afiado, vencendo 11 batalhas de rima. A partir disso, se tornou um dos nomes mais aclamados do país e abriu caminho para uma trajetória que foi muito além das fronteiras do hip-hop.

De Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe (2009) e Emicídio (2010) a O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui (2013) e Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa (2015), cada disco aprofundou o olhar do rapper sobre a vivência do brasileiro. Já AmarElo (2019) o lançou a uma dimensão nova, reunindo estilos musicais e colaborações pouco prováveis, como Marcos Valle, Tokyo Ska Paradise Orchestra e Pabllo Vittar.

A seguir, Emicida comenta os álbuns que são essenciais para a criação dele: “Escolhi e pensei nesses discos com base na minha formação”, conta.

Racionais MC’s
Nada Como Um Dia Após o Outro Dia (2002)

Quando eu penso em Nada Como Um Dia Após o Outro Dia, eu penso no cavalo de pau que o Racionais deu vindo do Sobrevivendo No Inferno (1997), que era um disco mais soturno. Ele inaugura uma dinâmica mais iluminada dentro do rap brasileiro, que vai desde a capa até o conteúdo e a divisão dos dois discos. Lembro de uma coisa muito marcante: ele vinha com o preço escrito na capa, que era um preço de irmão também, um disco duplo na época custando R$23,90 significava muito!

SP Funk
O Lado B do Hip-Hop (2000)

Esse é um disco formativo da minha geração, não só do Emicida. Dentre todas as possibilidades que o rap poderia oferecer sobre criatividade e diversão, também era uma forma divertida de fazer rap — você sentia que aqueles caras estavam se divertindo fazendo aquilo. Por outro lado, também era muito sério o compromisso deles com a manutenção do negócio, vamos dizer assim. Então, eles foram para as rádios, para os shows mais populares, para a televisão. Foi um disco que apareceu muito pra gente e ficou muito presente.

Mzuri Sana
Bairros Cidades Estrelas Constelações (2003)

Esse disco é fantástico, assim como SP Funk; ele representa uma faceta do rap pouco conhecida, sobretudo quando a gente fala sobre o que, na época, era chamado de rap alternativo, mas que nunca foi um estilo justo. Na verdade, tanto SP Funk quanto Mzuri Sana representavam um desabrochar de novas temáticas na música rap no Brasil. E eu estou falando de lírica, técnica, produção, timbragem, mixagem e referências. Então esse foi um dos discos que expandiu muito a minha imaginação sobre o que o rap poderia ser.

Marcelo D2
À Procura da Batida Perfeita (2003)

Eu acho esse disco fabuloso — até hoje ele é um clássico, justamente pela forma como ele mistura o rap e o samba, reivindicando essa frase "a procura da batida perfeita" lá do Afrika Bambaataa. Você traz a raiz para esse novo momento e aí você renova a raiz, que é uma característica da jornada do D2. Se você for ver hoje, ele seguiu com o IBORU (2023) e com o Manual Prático do Samba Tradicional (2024). Então, o D2 sempre buscou reivindicar essa manutenção da memória no trampo dele. Eu acho que esse disco é fantástico porque a forma como eles fazem isso é primorosa, não só artisticamente falando, mas também do ponto de vista comercial.

Rashid
Portal (2024)

Quando ouvi esse disco pela primeira vez, me emocionei muito por ser amigo e acompanhar a trajetória dele de perto. Talvez eu seja a pessoa que mais conhece a caminhada do Rashid depois dele e da Dani [Rodrigues], que trabalha com ele e vê tudo no detalhe. Mas, como admirador, pude observar a evolução intelectual e artística do ser humano Michel. Esse disco traduz isso de uma forma maravilhosa. É onde ele se permite mais, é um disco que ele busca ir além de lugares onde ele já foi, mas com o cuidado da técnica, a forma reluzente que ele elabora uma punch line, os jogos de palavra, o lugar para onde ele foi em termos de produção. Ele conseguiu encontrar Minas Gerais ali dentro e esse encontro nesse disco é a coisa mais fabulosa que tem.

Por:

Ana Laura Pádua

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