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Da DJ ao engenheiro de som: celebrando o mês do vinil, veja 5 histórias de quem trabalha com discos 


Por:

Vitória Prates

Fotos: Divulgação

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Em um cenário dominado pelo streaming, o vinil segue firme não apenas como formato de escuta favorito dos colecionadores, mas como modo de vida. Entre DJs e profissionais da indústria, o disco segue girando também como fonte de renda, paixão e descoberta.

No dia 20 de abril, o Brasil celebrou o dia do vinil [saiba mais sobre a data aqui]. Para a Noize, o vinil merece um mês inteiro de homenagens. Por isso, reunimos cinco histórias que mostram como diferentes trajetórias se cruzam nesse universo. 

Como tudo começa

Para a DJ Anazú, do duo Vinil Ancestral, tudo começou de forma despretensiosa. “Ganhei do meu pai meia dúzia de discos e um gradiente 3 em 1 quebrado, rapidamente se transformou em um mundo imenso”, conta. 

Hoje, o vinil é mais do que profissão: é também ferramenta de pesquisa e conexão. “Me levou a lugares inimagináveis e me permitiu conhecer culturas e pessoas que eu jamais encontraria de outra forma. Viver do vinil é uma das maiores bênçãos da minha vida.”

Essa dimensão de descoberta aparece também na forma como ela descreve o garimpo como uma das partes mais fascinantes do processo. “Existe algo único em sair pelo mundo em busca de discos, explorando lojas escondidas, feiras e coleções, sempre com a expectativa de encontrar uma preciosidade.” 

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Anazú

Lugar de troca

Para a DJ, jornalista e produtora cultural Dani Pimenta, o vinil também é uma forma de troca direta com o público. “Meus discos já me proporcionaram muitas alegrias e possibilidades. Quando tocamos, somos instrumentos de difusão da música”, diz. “É um presente muito bonito poder tocar o coração e levar alegria a outras pessoas, compartilhando nossas pesquisas na pista.”

Linda Green encontrou no vinil um ponto de virada. “Eu não posso dizer que vivo exatamente do vinil, mas com certeza o vinil me salvou”, afirma, relembrando as incertezas da pandemia. Entre lives, estudos e treinos com sua coleção, ela consolidou uma nova frente de trabalho como DJ. “Hoje, essas apresentações são essenciais pro meu sustento, mas também pra minha vontade de pesquisar, garimpar, me dedicar e me superar.”

Entender a técnica e as teorias em torno dos LPs  é parte central dessa relação. “Mixar em toca-discos é um eterno desafio, exige empenho e me mantém sempre em evolução”, explica. E há também o prazer de ver o interesse se renovando: “Amo ver outras pessoas se apaixonando por essa arte, seja para tocar, colecionar ou simplesmente apreciar.”

Do outro lado da cadeia, o engenheiro de áudio Marcos Abreu, do Noize Record Club, destaca o privilégio de trabalhar diretamente com a matéria-prima: “É um privilégio mergulhar nos originais e entender como aquele áudio foi concebido”, diz. Ao mesmo tempo, há espaço para a expectativa: “Existe a ansiedade da espera até o disco voltar da fábrica. A chegada de cada prensagem é sempre um momento de surpresa.”

Com mais de cinco décadas dedicadas à música, João Augusto, consultor da Polysom, atravessou diferentes eras da indústria — do vinil ao CD, passando pela fita cassete. “Eu não vivo do vinil, e essa é uma das melhores vidas que tenho desde que comecei na música, há 52 anos”, afirma. Ele acompanhou de perto os altos e baixos do formato, incluindo o período em que parecia condenado ao esquecimento.

“A Polysom está celebrando 17 anos desde a sua reabertura e posso garantir que não foi nada fácil no início, mas o vinil faz milagres, e aqui estamos”, resume. Para ele, a melhor parte está no resultado final: “Ver cada peça pronta e ter a certeza de que muitas pessoas terão momentos felizes ouvindo é o mais gratificante.”

Por:

Vitória Prates

Fotos: Divulgação

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