
Quem dirá que música não combina com futebol? Essa sinergia atinge o ápice nos anos de Copa do Mundo, quando as competições ganham trilhas sonoras oficiais ou hinos informais — como esquecer dos jogadores do Penta brasileiro no ônibus da seleção ao som de "Festa", da Ivete Sangalo? Mas, para alguns jogadores de futebol, a música deixou de ser uma fonte esporádica para virar extensão direta do talento.
Longe dos gramados e livres da pressão tática dos treinadores, esses jogadores decidiram dar vazão às suas próprias composições, trocando as chuteiras pelos microfones. Abaixo, a Noize listou cinco jogadores que se aventuraram na música. Aproveite para atualizar sua playlist da Copa do Mundo 2026, que começa nesta quinta (11/6).
Pelé
O Rei do Futebol não se limitou aos gramados. Ao longo de sua vida, Pelé registrou 34 composições autorais e lançou três discos oficiais, transitando entre a bossa nova e a MPB. Em 1969, gravou o compacto Tabelinha ao lado de Elis Regina. No projeto, o craque soltou a voz em faixas de sua autoria como "Vexamão".
Em 1977, consolidou sua faceta musical ao dividir os microfones e composições com Sergio Mendes na trilha sonora oficial do documentário Pelé, em faixas como "Meu Mundo É Uma Bola".
Memphis Depay
O atacante holandês, que agita as arquibancadas do Corinthians, paralelamente constrói uma carreira dentro do rap e do hip-hop. Em 2020, ele lançou seu único chamado Heavy Stepper. Mais tarde, imerso na atmosfera brasileira, ele expandiu sua discografia com o EP Falando com as Favelas (2025). As faixas trazem crônicas sobre superação, fama e suas raízes.
O atleta acumula mais de 54 milhões de reproduções no Spotify. Além disso, investe pesado em videoclipes cinematográficos de superprodução, a exemplo do hit "No Love", que já ultrapassa 20 milhões de visualizações no YouTube.
Gabigol (Lil Gabi)
Ídolo da torcida flamenguista, o atacante assumiu o alter ego Lil Gabi para dar vazão à paixão pelo trap. O jogador entrou em estúdio em 2021 sob as bênçãos e a produção de Papatinho, um dos beatmakers mais renomados da cena nacional, com o single "Sei Lá", faixa que conta também com a participação do trapper Choji e traz rimas sobre ostentação e alto estilo de vida.
Por conta da rotina intensa de treinamentos e do calendário apertado do futebol, Lil Gabi encara a música como um hobby pontual e altamente estratégico.
Sócrates
O eterno “Doutor” do Corinthians e ídolo das Copas do Mundo sempre teve uma ligação profunda com a cultura e a política. Em 1980, ele lançou Casa de Caboclo, em que interpretou com sensibilidade e voz marcante grandes clássicos da música caipira e sertaneja.
O meio-campista chegou a fazer participações especiais em apresentações ao vivo e gravações ao lado de seu grande parceiro e amigo, Toquinho.
Ronaldinho Gaúcho
Conhecido pelos "dribles improváveis" e roles aleatórios, o “Bruxo” carrega uma conexão orgânica e festiva com a música, dividindo sua paixão entre o pagode, o funk e o trap. Ronaldinho sempre foi presença confirmada em rodas de samba, dominando o tantã com facilidade. Nesta semana, o "bruxo" lançou pelo selo próprio Tu Música o álbum Camisa 10, com 44 artistas de diferentes partes do mundo, incluindo nomes como Sean Paul.
Indo além das participações informais, o craque decidiu profissionalizar sua paixão ao fundar o selo "Tropa do Bruxo", criado em 2020 e focado no desenvolvimento e lançamento de faixas de trap e funk, onde atua na curadoria de batidas e produção executiva. Sua assinatura musical está presente em colaborações de peso da indústria nacional, surfando por diferentes gêneros em parcerias com o sertanejo de Wesley Safadão, o funk eletrônico de Dennis DJ e o rap de nomes como Recayd Mob.
Bônus: Denilson
E se engana quem acha que a relação dos atletas com a música acontece apenas em frente às câmeras. É impossível falar desse tema sem citar o ex-jogador e comentarista Denílson. No auge de sua carreira nos gramados, em 1999, Denílson comprou os direitos comerciais e se tornou o "dono" do Soweto, um dos maiores grupos de pagode do Brasil.
A investida empresarial acabou gerando uma das batalhas judiciais mais famosas da cultura pop brasileira, que durou mais de 20 anos, após o vocalista Belo deixar o grupo para seguir carreira solo logo após a compra. O mal-entendido jurídico multimilionário foi finalmente resolvido com um acordo amigável.





