flea trompete

Capa inspirada na sogra, participação de brasileiro: 5 fatos sobre Honora, primeiro álbum do Flea, dos Red Hot Chili Peppers


Por:

Damy Coelho

Fotos: Divulgação/Ariel Fisher, Reprodução NYT; Clara Balzary

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No final de março, Flea lançou seu primeiro álbum solo, Honora (2026). O expoente baixista dos Red Hot Chili Peppers já havia dado um gostinho de sua musicalidade fora da banda no EP Helen Burns (2012) e em projetos como o Atoms For Peace, para além das diversas colaborações com outros artistas — mas, nem de longe, essas empreitadas representam a inovação deste novo projeto solo.

Em Honora, Flea toca trompete, baixo e ainda canta — indo contra suas próprias convicções, sendo ele mesmo alguém que se diz desprovido de afinação. Pois ele solta o gogó já na segunda faixa, "A Plea" — num canto que está mais para o spoken word, é verdade. Entre o flow do baixo e o andamento do jazz, ele brada versos como: "I don't care about your fucking politics", um protesto contra a ganância travestida de política e as guerras civis, uma temática, infelizmente, atemporal.

O disco, gestado pela vontade de retomar contato com o trompete, primeiro instrumento da vida de Flea, foi idealizado quando o artista estava prestes a completar 60 anos. Quando decidiu se dedicar à prática, levou a atividade a sério: aproveitou até os momentos de pausa durante a tour dos Red Hot Chili Peppers para tocar. O resultado aparece neste álbum, com produção assinada pelo próprio e Josh Johnson, acompanhado pela banda formada por Johnson (saxofone), Jeff Parker (guitarra), Anna Butterss (baixo), Deantoni Parks (bateria), Mauro Refosco Nate Walcott, Bright Eyes. Os velhos parceiros de RHCP, Chad Smith e John Frusciante, ainda dão uma palinha em "Golden Wingship" e "Frailed", respectivamente (com direito a Frusciante também tocando trompete).

Honora é um disco de jazz moderno, mas tem o flow do funk, uma levada ambient, uma pitada de soul e o peso do rock em passagens estratégicas, mostrando que é difícil categorizá-lo em uma só prateleira.

Nós ouvimos o disco e contamos 5 curiosidades sobre ele. Confira abaixo:

1. Trompete lover

Flea conta que descobriu o jazz nas sessions que o padrasto fazia em casa. Aquela música o inebriava, mas ele era uma criança, ainda não sabia o que era jazz. Mais tarde, leu o livro de uma história pictográfica do estilo e descobriu o nome de seus futuros ídolos — Charles Mingus,Bud Powell. Com o trompete, ele se sentia descolado. Com o baixo, podia dar voz ao animal que tinha dentro dele. "Quando consegui tirar um som bonito do trompete, todo o caos dentro de mim foi acalmado", escreveu ele, em sua autobiografia Acid For the Children (2019).

"Essa máquina louca, com seus tubos curvados, válvulas e campana. Um quebra-cabeças frio, mas quando colocado na boca de um ser humano, o amor é soprado pra dentro dele. É um porta-voz do divino"

2. Feats e inspirações

Honora conta com feats de Thom Yorke e Nick Cave. Coescrita com Thom Yorke, “Traffic Lights” tematiza  a distopia da pós-verdade e a necessidade de escolher um caminho diante de tanta informação. Já a releitura de Nick Cave para "Wichita Lineman", de Jimmy Webb e Glen Campbell, poderia perfeitamente integrar a discografia de Cave, como se Flea cedesse um espacinho em seu disco para o artista brilhar com sua voz grave.

3. Raio X da capa

Flea escolheu uma foto emblemática para estampar a capa: uma imagem da sogra do artista, Shanin Badiyan, no Irã dos anos 1960. 

"Uma mulher forte, cujo espírito de um Irã livre vive em seu coração", diz ele. Pode-se dizer que é um disco dedicado à memória das matriarcas de sua família, já que Honora é o nome de sua trisavó irlandesa.

4. Instrumentista brasileiro

Mauro Refosco é catarinense e gravou as percussões de Honora. As faixas "A Plea" e "Traffic Light" destacam o groove de Refosco, que também integra o Atoms For Peace com Flea e Thom Yorke. O instrumentista começou a carreira na banda Forro In The Dark, experimentando o estilo brasileiro com jazz fusion. Chegou a tocar com David Byrne e com os próprios RHCP.

5. Fã de Frank Ocean

Flea é um grande fã de Channel Orange (2012). "Esse disco me tocou, tive uma conexão muito forte com as músicas. Ouvi milhares de vezes", disse ele à NME em 2016. 

Por isso, não é de surpreender que sua estreia conte com uma versão de "Think About You", uma das faixas favoritas dele. E não é qualquer versão, mas uma releitura jazzística no trompete, uma das bonitas do disco. 

O disco ainda conta com versões de Ann Ronnell ("Willow Weep for Me") e do Parliament Funkadelic ("Maggot Brain").

Por:

Damy Coelho

Fotos: Divulgação/Ariel Fisher, Reprodução NYT; Clara Balzary

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