
O anúncio recente de que uma icônica porquinha vai ganhar os cinemas em uma bizarra roupagem estética vem movimentando os fãs. Trata-se de Peppa Pig: Perfect Holiday, longa-metragem com estreia prevista para novembro deste ano
A questão que vem dividindo opiniões é a novidade visual: o filme marca a primeira vez que os personagens aparecem em animação 3D (CGI). Se a franquia oficial está experimentando transmutações visuais bizarras agora, a cena musical brasileira já havia levado o universo do desenho ao limite do experimentalismo já há alguns anos. Eis o gancho perfeito para resgatar a obra de um dos grupos mais imprevisíveis de São Paulo: o Prog Jazz do Absurdo.
Trata-se de um grupo capaz de discutir quiálteras e a situação do campeonato brasileiro na mesma conversa. Em poucas palavras, essa é a definição da banda.
O PJA é um projeto de música instrumental brasileiro, com foco na improvisação livre (quando possível, em diferentes configurações de banda).Com o núcleo principal formado por experientes instrumentistas da cena de São Paulo, a quimera é composta por Rob Ashtoffen no baixo, Conrado Vieira (teclado/sinth), Vitor Coimbra (bateria) e Victor Ted Prado (trompa).
Dentre sua prolífica discografia com 13 registros, um deles se destaca: o álbum Peppa Prog (2018) chama atenção desde a capa, criada pelo fotógrafo Welder Rodrigues, que propôs a fusão entre a Peppa Pig e o Schizoid Man, de King Crimson.
Jazz em família
Com colaboração de Sintia Piccin Fermino (saxofone barítono, soprano e voz) e Richard Fermino (sax tenor, barítono e trompete), experientes multi-instrumentistas, junto de seus filhos Mariana (flauta e voz) e Gabriel (sax soprano) — que, à época dessa gravação, tinham entre 8 e 10 anos — o conjunto produz um som dos discos mais interessantes dessa maratona de gravações.
Com plena liberdade para que todos os integrantes mostrem seu feeling como solistas, o Prog Jazz do Absurdo leva você e a Peppa Pig para o dentista, ouvindo hard bop.
Gravado em julho de 2018 no BTG Studio (com mix e master de Zeca Leme e assistência de Luigi Sucena), o projeto impressiona pela eloquência e imprevisibilidade. Com flertes certeiros com a música pop, a banda entrega uma performance sem overdubs e que mostra músicos dispostos a correr riscos.
Uma das características mais interessantes é a forma orgânica com a qual o projeto foi registrado, valorizando as interações que propiciam situações musicais inesperadas e pouco ortodoxas.
Vale conferir também o minidocumentário que foi feito pela banda em 2018. O vídeo (com direção de Rob Ashtoffen e Vitor Coimbra e edição de Welder Rodrigues) resume a experiência que culminou neste registro. Com captação de imagens de Dio Costa, Pedro Regada e Emanuel Coutinho, o vídeo compila o que aconteceu durante a imersão que o grupo fez no BTG Studio.
Em aproximadamente 12 horas, o Prog Jazz do Absurdo registrou seis discos. O material gravado — que soma cerca de 4 horas e 33 minutos (salve John Cage) — foi mantido na íntegra.
Escute com fones de ouvido, papai bobinho, e confira o Mini doc no YouTube para ver os bastidores. Você também pode ver a arte do disco no Bandcamp e escutar a discografia completa no Bandcamp da Prog Jazz do Absurdo.














