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5 cafeterias para ouvir vinil e comprar discos em São Paulo


Por:

Pedro Figueiredo

Fotos: Divulgação

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A febre dos listening bars mostrou que os amantes da cultura do vinil não querem só ficar em casa com suas coleções: ter espaços para ouvir um som e aproveitar o melhor da música em comunidade é um desejo desse público. A agenda noturna de estabelecimentos como esses, no entanto, deixa margem para que algo similar surja ocupando outra fatia do relógio.

Cada vez mais a procura por hobbies analógicos tem levado as pessoas a buscar espaços de convivência onde essas atividades possam ser celebradas em conjunto. Seja a música ou o gosto pelo café. Visitamos cinco estabelecimentos em São Paulo que são parte deste movimento.

Casa Elefante

Fundada pelo empresário e músico Carlos Costa, a Casa Elefante começa um pouco antes da pandemia, com um café na Vila Buarque. A loja está no endereço atual há três anos.

“A experiência que eu tenho é que muitas pessoas vinham para tomar café e ficar trabalhando, ou mesmo passando um tempo,” conta Carlos sobre o local que também recebe jams e um evento chamado “Toda Terça Tem”, que consiste em receber artistas autorais fazendo pocket shows.

O local também não é a primeira empreitada do empresário em relação à venda de discos, o que faz com que ele veja que espaços como esse possam oferecer experiências mais completas. “Em 2014 eu tive uma loja com cervejas. Até então, São Paulo tinha muitos lugares que vendiam vinil, associado a outra atividade.”

Na Casa Elefante, é possível encontrar os mais diversos gêneros musicais, a curadoria dos discos passeia por vários ritmos, o que atrai clientes de diversas gerações, explica Carlos.

R. Conselheiro Brotero, 379 - Barra Funda/@casaelefante

Drama Café

Fundado por Eric Fiori  e Bruno Malfatti, o simpático Drama Café localizado na Santa Cecília tem como elementos da decoração um aparelho de som vintage e discos expostos para apreciação no local e venda.

Recém aberto — o estabelecimento completou um mês no final de junho — a ideia de unir música e café foi menos planejada como estratégia de negócio e mais como um reflexo das paixões dos donos. “Então a gente tem as comidas, os cafés e aí a gente resolveu vender os vinis e alguns prints, coisas de arte que a gente se interessa”, conta Eric.

O toca-discos de época era dos avós de Bruno e pode ser usado para ouvir os discos do acervo da loja, mas o empresário deixa aberta a possibilidade de clientes levarem os seus próprios discos para serem ouvidos. “[O aparelho de som] não está conectado a parte de som principal, mas tem um fone de ouvido também da época,” conta. “Já teve gente que testou alguns vinis que tavam ali e ficou ouvindo aqui enquanto tomava café.”

Se o espaço reúne paixões dos fundadores, a curadoria musical reflete isso. Entre os discos há álbuns de música pop nacional e internacional e MBP, por exemplo. Eric revela que está nos planos também garimpar mais discos para agregar ao acervo do local.

Alameda Nothmann, 1228 - Santa Cecília/@dramacafesp

FFV Café

Talvez o mais conhecido dos estabelecimentos desta lista, o FFV Café é um um ponto de encontro entre amantes de fotografia (o nome vem de Festival de Filmes Vencidos) e, claro, café. O que talvez não tenha chamado a atenção de muitos dos frequentadores, como confesso que havia deixado escapar nas vezes em que estive lá, é a veia musical que o lugar guarda.

Num canto discreto do balcão encontram-se uma caixa que guarda discos e uma picape. Clayton Miranda Silva, um dos donos do estabelecimento, conta que, mesmo antes, do café já havia um toca-discos na loja de fotografia, que servia para ambientação.

“O Rodrigo Massoni, meu sócio, é seletor de sound system. Então, ele tinha um colega chamado Leggo Violence, que acho que atua até hoje. Tanto que o mixer é dele, já tinha um bom acervo de reggae”, explica. A partir disso, o acervo foi crescendo com o decorrer do tempo desde a abertura do café em 2024.

No FFV os discos não estão à venda, mas podem ser levados pelos clientes para serem reproduzidos na loja. “A gente fez um evento uma única vez, depois ficou mais no boca-a-boca que era o ‘Traga a sua bolacha’. Então, a gente convidou clientes a trazerem os discos que tem em casa que mais gostam ou que talvez ainda não tenham toca-disco,” apesar do evento não ter tido outras edições ainda é comum que os amigos da casa levem seus vinis para o lugar. Clayton estima que 10 ou 15 dos discos que estão lá hoje sejam destes parceiros. Vale ressaltar que ao deixar um álbum na loja, o objeto é etiquetado para que seja identificado.

“A gente gosta muito de rap, hip-hop, jazz, reggae, música brasileira no geral”, explica sobre o que costuma ecoar nas caixas de som do café. “Tanto que esse sábado, 4, vai ter FFV Sound, que é a nossa programação sonora”. Um dos eventos da casa, que consiste em convidar DJs para apresentarem suas pesquisas na casa.

Há também o “Beat Sessão da Tarde”, projeto de Thiago Gomes, no qual “um DJ gira o disco por uma hora, e depois entra o convidado e apresenta ali os seus trabalhos autorais”, explica Clayton. Os beats são captados e divulgados nos canais do café.

Entusiastas da mídia física, eles instalaram nesta semana uma estação de escuta, onde os clientes poderão escutar fitas cassete. A loja já possui um pequeno acervo e a ideia é também promover eventos em torno disso.

R. Barão de Tatuí, 240 - Santa Cecília/@ffv_cafebh

Disco Vinil & Café

Localizada na icônica Galeria Nova Barão, a Disco Vinil & Café se destaca no térreo do espaço pela fachada que chama atenção com as faixas de LED iluminando a entrada do café.

Fundado há cinco meses pelos DJs Renan Marques e Glauber Martins, o lugar é a realização do sonho de terem algo juntos. “Dentre as possibilidades eram abrir um listening bar. Só que tá coalhado em São Paulo. A gente falou: ‘Vamos fazer alguma coisa diferente’. Uma loja de vinil, já era a intenção, com um café e que, eventualmente, a gente pudesse fazer algumas brincadeiras com DJ na loja”, explica Renan sobre as reuniões musicais que acontecem sempre aos sábados.

A curadoria da loja está focada em artistas pop internacionais mais recentes, mas é possível encontrar obras de nomes como Madonna, Sade e George Benson no local. Lá podem ser ouvidos os discos que estão disponíveis no estabelecimento.

O empresário recorda que os primeiros meses foram de certa dificuldade em relação ao modelo de negócio: “Não tem aqui nessa região um café ‘gourmet’. O pessoal tá acostumado com aquele café de padaria básico e tudo certo. Então, a gente foi nesse período conquistando uma galera.”

Abertos de segunda à sexta entre 7h e 19h, ele explica que o café conversa com diferentes públicos. “Óbvio que 7h da manhã não é o público que compra disco que vem. Até já aconteceu. Então, o foco do movimento da manhã é o café. A partir das 10h da manhã, 11h, que é a hora que as outras lojas também abrem, a gente começa a ter esse movimento do vinil.”

O espaço é emblemático, a Nova Barão é famosa por concentrar um número alto de lojas especializadas na comercialização de discos de vinil. Esse foi um fator decisivo para a abertura do café.

Rua Sete de Abril, 154 - Loja 10, térreo/@discovinilsp

Studios Coffee

A Studios Coffee pertence à rede de moda e street wear Your ID. Antes mesmo de haver um café, o espaço já recebe eventos da empresa há cerca de 10 anos, mas foi desde o início uma mini loja de vinil. “Mini porque não a gente sempre priorizou curadoria e nunca o volume”, explica André Ng, responsável pelo espaço.

“Porque todos os donos são consumidores de vinil e tinha uma coisa que a gente não encontrava muito no Brasil vinis novos. E toda vez tinha que garimpar muito e tal, então a gente meio que falou assim: ‘Vamos tentar só vender vinil novos, tá? Fazer uma seleção de álbuns que poderiam ficar em casa’, porque se desse errado, a gente ia brigar para levar o estoque para casa", ri. “E mesmo porque de sábado, a feirinha [de antiguidades da Benedito Calixto] tem a venda de usados, e eu não queria concorrer com eles”.

A cafeteria nasce somente no final de 2018, unindo as linguagens de arte, moda e música características do grupo. “O café era uma coisa que a gente gostava, que era legal chamar os amigos. E meio que a gente fez esse espaço para receber os amigos. E aí acabou virando um lugar legal.”

Foi por meio das viagens para pesquisa de moda, arte e música também que os idealizadores do espaço entenderam que poderiam oferecer uma experiência superior no que diz respeito ao café: “A gente sabia que existiam grãos diferentes, sabores diferentes que poderiam ser extraídos do café porque viajávamos para ver moda, cultura, arte, vinil e lá fora já tinha muitas cafeterias que já falavam de muitos grãos diferentes, a gente perguntava: ‘De onde esse grão?’ Todo mundo fala: ‘Do Brasil!’”

O acervo de discos se baseou inicialmente em brasilidades, até que o mercado nacional passou a ser mais bem atendido, eles passaram a buscar mais títulos internacionais. Hoje, eles também complementam a decoração da loja, apesar de estarem disponíveis para venda.

A Studios trabalha majoritariamente com discos novos, mas André conta que a depender da raridade de determinados álbuns, eles podem ser adquiridos pela loja. A loja ainda conta com um setup, que é usado exclusivamente nos eventos que acontecem no espaço de tempos em tempos.

Praça Benedito Calixto, 100 - Pinheiros/@studioscoffee

Por:

Pedro Figueiredo

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