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Em uma das últimas entrevistas de Luiz Carlini, guitarrista lembra como criou solo de “Ovelha Negra”


Por:

Damy Coelho

Fotos: Divulgação

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O guitarrista Luiz Carlini, que nos deixou nesta quinta (7/5) aos 73 anos, marcou o rock brasileiro ao lado de Rita Lee no Tutti Frutti e em clássicos como "Ovelha Negra". Publicada em janeiro deste ano, a conversa com a Noize acabou se tornando uma das últimas entrevistas de Carlini em vida. Ao lado de Lucinha Turnbull, o músico revisitou a formação do Tutti Frutti, a amizade com Rita Lee, a paixão pelos The Beatles e a criação de um dos solos mais emblemáticos da música brasileira.

A entrevista aconteceu por videochamada às vésperas de um show especial do Tutti Frutti no Blue Note São Paulo, em celebração ao aniversário da cidade de São Paulo. Na ocasião, a banda revisitaria álbuns históricos de Rita Lee, como Atrás do Porto Tem uma Cidade (1974) e Fruto Proibido (1975), com clássicos como “Ovelha Negra”, “Agora Só Falta Você” e “Menino Bonito”.

Rock ultra popular

“Lembro de ouvir todo mundo cantando junto ao solo de ‘Ovelha Negra’ num estádio. Aquilo foi demais”, recorda Carlini. Antes de tomarem as rádios, o Tutti Frutti nasceu com Luiz Carlini,Lee Marcucci e Emilson Colantonio, que formaram a banda de rock psicodélico Lisergia. Enquanto isso, com a saída de Rita Lee dos Mutantes, ela uniu forças com a amiga, Lucinha Turnbull, no projeto Cilibrinas do Éden.

O projeto durou apenas três shows — por sorte, você pode conferir o áudio de uma dessas apresentações no YouTube. Porém, elas sentiam que precisavam de uma banda, especialmente para tocar o próximo álbum solo de Rita. “Fui eu que mostrei pra Rita os meninos do Lisergia. Tinha chegado de Londres e fui a um show deles, achei bem legal”, relembra Lucinha. 

Prolífica e com projetos diversos, Lucinha se esquiva da pompa de pioneira da guitarra. “Minha grande preocupação sempre foi tocar. É uma relação de muito amor à música”, conta. Ela ainda relembra a dupla Célia e Celma, que foi sucesso na Jovem Guarda e também tocava guitarra ainda nos anos 1960.

Mas as primeiras referências dela para tocar o instrumento foram, claro, os Beatles. Lembro de ouvir ‘I Wanna Hold Your Hand’ na rádio e ficar parada, imóvel. Eu tinha uns 9 anos e pensei: ‘eu quero isso’ [risos]. Não sabia se eles eram bonitos, feios, da onde vinham... eu só queria aquele som”, conta. “Pra mim, eles eram meus amigos!” [risos]. Minha primeira referência na guitarra foi o John Lennon. Aquela mão direita batendo nas cordas, no riff de She's a Woman…”.

Carlini emenda: “O que eles faziam naquela época, sem a riqueza de equipamentos que temos hoje… aquilo é a mão de Deus”, resume. Os Beatles são uma referência em comum entre os dois — é quando o papo flui naturalmente entre as duas lendas do rock. Para a geração que cresceu sob o símbolo da paz e amor, o festival Woodstock também é uma referência, que ele conheceu pelas telas do cinema. “Eu tenho uma palheta do Woodstock, toco com ela sempre”, conta Carlini, me mostrando a palheta pela câmera. “Aquilo abriu um mundo pra mim. Foi quando o mundo deixou de ser preto e branco e ficou colorido".

Aproveitando o momento entre fãs, retomo o papo para as nossas estrelas, lembrando que o solo de “Ovelha Negra” é considerado um dos melhores do rock brasileiro. Carlini lembra que o solo “baixou nele”. Ninguém pensava que a grande balada do Fruto Proibido precisasse de um solo, mas ele chegou com a ideia no estúdio, tocou e deixou todo mundo em êxtase. "Gravei o solo, queria mandar um drive, alguma coisa assim, mas nem tive tempo. O Andy [Mills, produtor] já foi tirando a fita da máquina e acabou" [risos].

Em tempo: perguntamos aos ícones da guitarra quais são seus riffs favoritos — e eles nos deram uma lista das boas. Carlini, por exemplo, ficou com a clássica "Hotel California", dos Eagles. Lucinha mandou logo um TOP 3": "And Your Bird Can Sing", dos Beatles, “Jessica”, do Allman Brothers Band e "Mamãe Natureza", do repertório do Tutti Frutti, tão clássica quanto as demais.

Celebrando Sampa

O Tutti Frutti tem laços indissociáveis com a capital paulista. A banda se formou no Pompeia, bairro da zona oeste, onde Carlini vive até hoje. No nosso bate-papo, lembraram shows icônicos, como o da inauguração do Colégio Objetivo e apresentações no Teatro Oficina, de Zé Celso, que fica no Bixiga.

O bairro também foi palco dos primeiros ensaios do Tutti Frutti, mais precisamente no Teatro Ruth Escobar. Foi lá também que fizeram uma temporada de três meses, com ingressos esgotados. “Também tocamos no Teatro 13 de Maio. É um lugar muito especial pra mim, porque foi onde vi os Secos e Molhados pela primeira vez”, lembra Carlini.

Uma época que rendeu boas histórias e boas músicas. É isso que o público pode conferir no show no Blue Note, marcando a programação que celebra a capital paulista. 


Por:

Damy Coelho

Fotos: Divulgação

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