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Marisa Monte em fotos: como a cantora experimentou a fotografia antes da era das selfies


Por:

Damy Coelho

Fotos: Acervo Pessoal; Domínio Público

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Algumas matérias da época de Memórias, Crônicas e Declarações de Amor (2000) destacam o projeto gráfico do disco, incluindo retratos de Marisa Monte tirados por ela mesma — na época, chamados autorretratos, hoje popularmente conhecidos como selfies. Podemos, então, dizer que as fotos que acompanham o encarte do então CD são uma espécie de proto-selfies, antes que o ato de tirar foto de si mesmo tivesse nome, batizado após o advento dos smartphones.

Se a gente voltar um pouco mais na história, vai descobrir que a história da selfie — ou do autorretrato — vem de séculos, antes mesmo do Brasil ser invadido por Portugal. O pintor alemão Albrecht Dürer, por exemplo, fez algumas ilustrações de si mesmo, sendo a primeira quando tinha só 13 anos, em 1484. Com o advento da fotografia, o primeiro a registrar sua própria imagem pela lente de uma câmera foi Robert Cornelius, no século 19.

Já no século 20, o leonino Andy Warhol popularizou seus autorretratos de serigrafia multicoloridos, transformando o próprio rosto em símbolo pop. Ao se registrar, o artista está escancarando sua própria identidade e, mais que isso, evidenciando a memória de um tempo. Ao olhar para o projeto gráfico do disco, assinado por Giovanni Bianco, ficam evidentes os experimentos de Marisa Monte pela fotografia: a foto de capa é um autorretrato e, na contracapa, vemos os seus pés, algo bem inovador para a época. Assim, a artista deixou o processo de produção musical ainda mais íntimo e próximo do público. E, mesmo quando estava por trás da câmera, mostrou um olhar próprio para as coisas do mundo.

Essas fotos foram feitas com uma câmera digital — aspecto também destacado pela imprensa à época, já que as câmeras analógicas ainda eram soberanas no Brasil. “Na época, a linguagem digital era uma grande novidade. Eu comprei uma câmera e andava com ela registrando tudo”, conta. Tudo mesmo: o ambiente do estúdio, sua coleção de CDs e livros, algumas anotações feitas à mão.

Um aspecto que a encantou na fotografia digital foi a capacidade de armazenamento das câmaras. Aquilo permitia mais experimentos — mais possibilidade de acertar, de errar, de testar novos enquadramentos. Enfim, de tirar fotos de tudo. “Podia tirar tantas fotos sem os limites que as películas fotográficas nos impunham”, lembra.

Quando deu por si, durante o processo de produção do disco, já tinha mais de 2 mil fotos no arquivo. “Esse material dialogava com as canções e com o meu cotidiano da época, criando uma atmosfera imagética em simbiose com meu processo criativo”, conta. Entre retratos e canções, Marisa Monte deixou registrada a memória íntima de um tempo.

Por:

Damy Coelho

Fotos: Acervo Pessoal; Domínio Público

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