![Papangu [Rodolfo, George, Pedro, Marco e Hector] - foto por Helder Bruno](/_next/image?url=https%3A%2F%2Fapi.noize.com.br%2Fwp-content%2Fuploads%2F2026%2F07%2Fpapangu-rodolfo-george-pedro-marco-e-hector-foto-por-helder-bruno-scaled.webp&w=1920&q=75&dpl=dpl_9rCDFnadwN3sXTVoCqPDJdktnYDq)
A habilidade de se contar uma história utilizando a música como metáfora é rara. Nunca foi algo trivial, não é e nunca será. Em tempos de fúria contra as máquinas (um beijo para o Claude), essa habilidade tem sido cada vez mais sufocada por prompts. Isso acaba evidenciando a pasteurização da música pop em nível mundial. E quando digo pop, quero dizer popular, independente do gênero. Imagina que você quer fazer um beat. Vamos começar pela bateria? Abre o FruityLoops e já sobe esse pack de bateria do Mamão. Já parou pra pensar em quantas músicas foram feitas com o timbre do groove de caixa do Mamão? Ou você acha que só você teve essa ideia?
Preparando o terceiro trabalho de estúdio, o Papangu explora o cerne dessa questão com Celestial, álbum que será lançado em parceria com a Deck e que sucede o aclamado Lampião Rei (2024) e o não menos brilhante Holoceno (2021). Pela Noize, com exclusividade, você conhece o primeiro single que antecede esta nova fase, "Celeste":
O grupo retorna com um tempo de gestação menor entre álbuns e em sua fase mais entrosada em função das grandes turnês nacionais e internacionais que antecederam a gravação deste terceiro registro.
Aquecendo sua base de ouvintes com quatro singles, a banda paraibana começou a apresentar Celestial com "Calado (De Olho)", lançado em março. Um single de 7 minutos com mudanças e diálogos instigantes que mantêm o ouvinte entretido do começo ao fim, num fogo cruzado sem conseguir antecipar os movimentos da banda. Essa, por exemplo, é uma característica que mostra a fluidez do Papangu em diversos estilos. Rock progressivo feito com recursos naturais do Nordeste e que impressiona o pessoal que não se ligou que o Dominguinhos podia tocar heavy metal. E cantado em português, com letras que se encaixam aos climas propostos com profundidade e sensibilidade literária de cordel.

"Colosso" (que virou um clipe com captação de imagem singular, gravado em Super 8mm) mostra a expansão da linguagem musical do grupo, o que só acontece com muita convivência e sinergia no swing do triângulo. O Papangu sabe fazer música pesada. Muito pesada. Porém, creio que a maior virtude do grupo é conseguir brincar com esse contexto pesado/extremo e tirar proveito disso de forma interessante, principalmente ritmicamente – explorando a infinita música nordestina. Mas sem virtuosismo, sem objetivo. O Papangu explora o lirismo da história oral, perpassando o aspecto melódico e harmônico, com sentimento, orgulho de suas raízes, sofisticação e elegância.
"Taxidermia" sintetiza como o leque de influências estéticas do Papangu coexiste de forma coesa. Rock, blues, música indiana, jazz, funk, baião. Está tudo ali e sempre no groove.
"Celeste" fecha esse ciclo de pré-lançamento. Uma faixa que definitivamente faz você querer mais. E cada música apresenta uma faceta que a banda quer que seu público perceba. "Celeste" é o último passo antes que Celestial aterrisse nos fones de ouvido, no dia 07 de agosto de 2026. Tema mais etéreo e totalmente instrumental; valoriza o alto gabarito técnico do grupo numa paisagem sonora com trabalho de teclas digno de nota. A faixa fica disponível para o público geral somente na sexta (3/7),
A faixa mais curta de todos os singles. São menos de 4 minutos, e depois do fim você pensa: como aconteceu tanta coisa dentro de tão pouco tempo? Pois bem: lembra do gancho deste texto sobre a habilidade de se contar uma história?
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