
“Dançar pra mim é vital. Costumo falar que eu canto pra poder dançar”, diz Fernanda Abreu. O estudo do balé clássico entrou na sua vida aos nove anos idade e ainda bem pequenininha ela já se ligava nos movimentos que a música pop convida o corpo a fazer: “Adorava ficar em frente ao espelho imitando Michael Jackson, Tony Tornado, James Brown, todos artistas que dançavam sempre me chamaram muita atenção”, lembra.
Conforme foi crescendo, só aumentou a vontade (e a habilidade) de traduzir com seu corpo o compasso das músicas que curtia. “A pista de dança teve um lugar super importante na minha formação como pessoa e como artista”, explica. “Eu era uma menina que, com 15 anos, as pessoas me davam 11. Mas como tinha um talento pra dançar, comecei a gravar umas fitas cassetes super legais e levava pras festas. Aí as pessoas começaram a perceber que as festas bombavam com minhas fitas, então ficavam me esperando chegar pra pista bombar. Consegui me afirmar na pista” - lembra.
O que rolava nessas primeiras mixtapes de Fernanda era só o crème de la crème do funk, soul e disco music, que estavam estourando naquele momento do final dos anos 1970. Foi nessa época que ela percebeu que teria talento não só para dançar, mas também para fazer as outras pessoas dançarem.
Não por acaso, em seu disco de estreia solo, Sla Radical Dance Disco Club, a artista transforma as iniciais do seu sobrenome (Sampaio de Lacerda Abreu) no nome de uma casa noturna. O primeiro álbum já era uma grande homenagem à música dançante, à cultura das pistas e à inteligência corporal, e a essa percepção perpassa todo o seu trabalho.
Até hoje, a música de Fernanda faz os corpos se movimentarem. No momento em que essas páginas foram escritas, exatamente 30 anos após o lançamento de Sla Radical…, o mundo enfrenta a histórica pandemia da Covid-19, em que as festas e aglomerações nas pistas deram lugar ao isolamento doméstico. Mas não é por isso que você precisa deixar de dançar, pelo contrário!
Convidamos a Fernanda Abreu para relembrar seus tempos de adolescente e bolar um mixtape pessoal pra transformar sua casa pista. No Spotify da revista NOIZE, você pode ouvir a lista, que traz várias de suas referências, do pop ao funk, da disco music ao rap.












