
Rosalía fez, nesta segunda-feira (10/8), o primeiro de seus dois shows marcados no Rio de Janeiro. Se havia quem esperasse por uma missa, a catalã trouxe ao Brasil, na verdade, um espetáculo acachapante e grandioso. Sem economizar na estrutura, apresentou seu novo show completo, com direito a cenários como a caixa de onde surge como uma bailarina entoando “Sexo, Violencia y Llantas” (que se popularizou por aqui como trilha da novela Quem Ama Cuida), ao seu badalado confessionário, onde ouviu os segredos amorosos de Marina Sena, e um balé que vira obra de arte ao transformá-la na Vênus de Milo durante "La Perla". Tudo isso orquestrado — literalmente — por dezenas de músicos que a acompanham na turnê do seu último álbum, Lux (2026).
O show é conduzido pelo disco mais desafiador de sua carreira, tanto para ela quanto para o público. Depois dos sucessos de pista do antecessor Motomami (2022), Lux a coloca dentro de uma pouco ortodoxa sala de concerto, adornada com painéis de LED.
Se no álbum Rosalía canta sobre o amor, o desejo e o divino em 13 idiomas, no Rio o protagonista foi o português. Fugindo das saudações protocolares de “boa noite” e “obrigada”, a artista conversou com o público na língua do Brasil e contou que veio ao país durante a produção do disco, antes de retornar de férias, no começo deste ano.
Revelou que estava sonhando com a próxima feijoada desde foi embora pela última vez e aproveitou a presença da plateia para tirar algumas dúvidas sobre a pronúncia da língua local, pedindo ajuda para aprender a forma correta de dizer “Rio” e “caralho”.

Músicas do trabalho mais recente, como “Relíquia” e “La Rumba Del Perdón” são alguns dos melhores momentos do show, em um encontro perfeito da cantora com a orquestra. A irreverência de Motomami, turnê que a trouxe ao Brasil pela última vez em 2023 e um marco entre os shows recentes do pop mundial com seu audiovisual eletrizante, também deu as caras: seja pela presença de hits como “Saoko”, ou pela experimentação com as câmeras, como quando canta a belíssima “La Yugular” sobre um vidro, enquanto as imagens do telão mostram a cantora tão de perto que é possível ver sua respiração. Rosalía ainda acrescentou ao repertório o mambo dançante de “Despechá”, e até a maestra que regia os músicos caiu no samba em "CUUUUuuuuuute", outro ponto alto da apresentação.
Ambicioso e megalomaníaco desde a concepção, Lux funciona extraordinariamente ao vivo e foge das obviedades esperadas tanto de um “show de orquestra” quanto da apresentação de uma diva pop, embora faça os dois com maestria. Seja na transição de “Berghain”, que vai do canto lírico ao techno característico do club berlinense que dá nome à música, ou nos momentos em que aparece sozinha e angelical no palco, Rosalía surpreende o já fiel público brasileiro com uma performance milimetricamente concebida que flui como um sonho (ou um delírio divino).
A segunda apresentação no Rio acontece nesta terça (11/8), na Farmasi Arena.







