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Headliner do Salvador Jazz, Sandra Sá cobra valorização da black music brasileira


Por:

Vitória Prates

Fotos: Divulgação

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Nesta quarta-feira (27/5), o Festival Salvador Jazz dá início à programação gratuita de cinco dias reverenciando o jazz e afrosonoridades. Até sexta-feira (29/5) estão previstos workshops de formação e capacitação musical, enquanto o final de semana é dedicado aos shows. Caminhando para sua sétima edição, o festival quer democratizar o acesso à música clássica, com apresentações gratuitas no Largo da Mariquita, no bairro do Rio Vermelho.

Encabeçando o line-up, Sandra Sá promete repertório de sucessos, como “Joga Fora”, “Retratos e Canções” e o megahit “Olhos Coloridos”. "Essa música parece que foi gravada ontem. Eu já recebi diversas versões dela, tem grupo de rock, forró. Uma música que não tem qualificação. É de verdade”, afirmou Sandra Sá sobre "Olhos Coloridos", em entrevista à Revista Noize #134, que acompanhou o disco Sandra Sá (1982). No ano passado, a cantora se apresentou no Tiny Desk Brasil, incluindo esse e outros sucessos de seu repertório.

A cantora, um dos símbolos da soul music brasileira, exalta a música preta feita por aqui. "O nosso tambor tem uma força incrível. Aqui a gente tem uma ‘crioleva’ da melhor qualidade, mas tá faltando a consciência do próprio artista. O próprio artista insiste em estar junto e misturado, quando deveriam estar ‘unidos e liquidificados’. A gente devia estar assim porque o nosso som é foda, o nosso som é a realidade, é a verdade, é o sangue", disse, em entrevista à jornalista Glaucia Pinheiro.

Outro headliner é Amaro Freitas, que apresenta o repertório de Y'Y (2024) ao lado de Sidiel Vieira (contrabaixo acústico) e Rodrigo Digão Braz (bateria). O álbum traça um diálogo com a cultura amazônica, cujo título do dialeto sateré mawé remete à água e rio. Neste ano, o recifense foi o primeiro brasileiro a vencer o Prêmio Paul Acket, um dos mais importantes do jazz mundial.

O artista, que é figurinha carimbada em festivais de jazz no exterior, comemora a participação no festival baiano: “Salvador, sem dúvida, é um lugar abençoado no Brasil. Sempre quando penso no conceito ‘Brasil’, Salvador define bem a diversidade e beleza brasileiras. É um privilégio tornar acessível para todos um tipo de música sofisticada”, comenta. 

O line tem sequência com DJ Camila Rocha abre a noite, seguida pelo ska e reggae do Skanibais e pela mistura de rock, MPB e música instrumental d’A Cor do Som. Já no domingo (31), Aguidavi do Jêje leva ao palco referências afro-brasileiras e experimentações percussivas, enquanto o Grupo Garagem apresenta um show marcado pelo samba-rock.

Um dos projetos pioneiros na valorização da música instrumental no Brasil, o Festival Salvador Jazz consolidou-se como ponto de encontro da cena contemporânea ao reunir jazz, afrobeat, soul, R&B, MPB, que já trouxe artistas como Orkestra Rumpilezz, Luedji Luna, Bixiga 70 e Jonathan Ferr. 

Festival Salvador Jazz

Datas: 27 e 31 de maio
Local: Largo da Mariquita, Rio Vermelho;
Gratuito

Programação
Dias 27, 28 e 29 de maio (oficinas): Eric Assmar
(27/05), Tedy Santana (28/05) e Marília Sodré (29/05);

Dia 30 de maio (shows):
Camila Rocha
(a partir das 18h);
Amaro Freitas (a partir das 19h30);
Skanibais(a partir das 20h30);
A Cor do Som (a partir das 21h50);

Dia 31 de maio (shows):
Aguidavi do Jêje
(a partir das 17h);
Grupo Garagem (a partir das 18h30);
Sandra Sá (a partir das 19h50);

Por:

Vitória Prates

Fotos: Divulgação

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