
Quase duas décadas depois de se tornar um dos filmes mais influentes da cultura pop e da moda, O Diabo Veste Prada retorna aos cinemas com uma continuação que atualiza o universo editorial para os dilemas contemporâneos da indústria da comunicação.
As amadas Anne Hathaway e Meryl Streep retornam aos papéis de Andy Sachs e Miranda Priestly em uma narrativa sobre a crise do jornalismo de moda, transformações digitais e o impacto das redes sociais sobre publicações tradicionais.
One-hit wonder
Se o primeiro filme virou referência não apenas pelos figurinos, mas também pela trilha sonora, a sequência segue valorizando a relação entre música e moda. Em 2006, o “one-hit wonder”, de KT Tunstall, "Suddenly I See", foi imortalizado pela produção. O pop e rock da época reinaram, incluindo a versão de “Crazy”, de Alanis Morissette. Mas também teve espaço para os clássicos, como “Vogue”, de Madonna.
Agora, as coisas são um pouco diferentes: a trilha tem uma vibe mais “chic”, com house, jazz e ambient.n“Quando penso na Prada, a classe e a sofisticação são as primeiras coisas que me vêm à cabeça. Estamos em busca de uma música chique e não pop’s virais. Alguns artistas pop que temos hoje farão nosso filme soar muito jovem. Nossas personagens não estão mais nos seus vinte e poucos anos”, comenta Julie Michels, responsável pela trilha sonora, para a revista The Credits.
Abaixo, mostramos os 5 fatos musicais que mais nos chamaram a atenção no filme. Confira:
O retorno de “Vogue”, de Madonna
Poucas músicas representam tão bem a relação entre moda e cultura pop quanto esta. Lançada em 1990, a faixa exalta o voguing — estilo de dança criado pela comunidade LGBTQIA+ negra e latina de Nova York —, enquanto se consolidava como um hino fashionista. A música já havia marcado um dos momentos mais emblemáticos do primeiro O Diabo Veste Prada (2006), na transformação visual de Andy.
Lady Gaga em destaque no filme e na trilha sonora
Além de participar do elenco da continuação,Lady Gaga também assina três músicas: “Runway”, com Doechii, “Shape of a Woman” e “Glamorous Life”. Gaga é presença constante em semanas de moda e campanhas de luxo, além de dar o que falar com seus figurinos, como o histórico vestido de carne do VMA de 2010. Ela, inclusive, rendeu um dos momentos mais engraçados do filme ao lado da personagem Miranda.
Julie Michels explica à revista The Credits como foi trabalhar com a cantora em O Diabo Veste Prada 2: “É uma das melhores experiências que alguém pode ter. Ela esteve presente em todos os momentos. Queríamos, realmente, sua aprovação na trilha. Às vezes, os artistas se sentem um pouco de lado neste processo. Enviam a música, vão para a premiere e pronto, mas isso não aconteceu aqui. Para mim, o bom resultado foi decorrente exatamente do trabalho colaborativo”, continua Michels.
Andy é fã de Björk
Andy aparece usando uma camiseta estampada com a capa de Post (1995). O disco da cantora islandesa Björk é conhecido pela mistura experimental entre eletrônica, trip hop e artpop, além de simbolizar uma postura criativa avessa ao convencional. A referência ajuda a mostrar uma Andy mais madura, distante da personagem insegura do primeiro filme.
Um toque de sofisticação britânica
A trilha de O Diabo Veste Prada 2 também mergulha na nova safra do pop britânico contemporâneo, reunindo artistas como Dua Lipa, Olivia Dean e Sienna Spiro. Em “End Of an Era”, Dua Lipa aposta na combinação entre house sofisticado e synthpop retrô, sonoridade que se tornou sua assinatura nos últimos anos. “O que está saindo do som britânico agora simplesmente funciona com a sonoridade moderna que estávamos procurando”, explicou Michels.
Apostando em revelações
A trilha ainda teve espaço para a nova cena pop, selecionada a dedo para a produçã. É o caso de Izzy Escobar, que assina “Evergreen Avenue”. Esta é sua segunda colaboração no audiovisual, que também fez música para a série Hacks.
Prodígio musical, ela começou a tocar violino com quatro anos, por incentivo da mãe, mas a herança musical vem do pai, que era DJ. "A música imediatamente me deu essa sensação de pertencimento, me joguei nisso e nunca olhei para trás”, afirmou, em entrevista à Billboard. Ela, formada em Teatro, começou a postar vídeos na Internet.
Logo viralizou e recebeu o convite para participar da trilha do filme. Tendo Celine Dion e Whitney Houston como suas principais referências, ela faz um som pop com toques de blues, que lhe rendeu o EP Sunny in London (2025).



