
Um dos nomes mais célebres da música popular brasileira, o cantor e compositor Belchior é o tema da nova série de ficção do Canal Brasil. Dirigida por Eduardo Albergaria e estrelada por Luiz Carlos Vasconcelos — que divide o papel do músico com o jovem Caian Zattar — Alucinação (2026) estreia neste sábado (29/8).
Baseada no livro Belchior - Apenas um Rapaz Latino-Americano (2017), de Jotabê Medeiros, a produção passeia entre o passado e o presente do protagonista, explorando sua formação no seminário até o estrelato.
O sumiço repentino de Belchior também é abordado na série e, neste núcleo, a atriz Isabela Garcia dá vida à Edna Prometheu, a última companheira do músico. Apesar de retratar as passagens da carreira, a série busca entender também a subjetividade do artista, que se reflete diretamente na obra do músico.
Além da"geografia óssea"
Apesar de considerar mais difícil interpretar alguém que existiu, Luiz Carlos Vasconcelos conta à Noize que o convite para integrar o elenco se deu não só pela “geografia óssea”, mas especialmente por sua natureza. Ele declara ser fã do músico e o tem como uma referência direta.
“O Belchior existiu, a gente conhece a história e isso delimita um território não estou totalmente livre para fazer o que eu queira. Para que eu conseguisse imprimir essa dignidade, essa verdade, eu tive que ser muito sincero.”

O que tem por trás do mito
Já o diretor, Eduardo Albergaria, conta que começou a pesquisa antes da pandemia, enquanto trabalhava na produção do filme Nosso Sonho (2023), inspirado em Claudinho e Buchecha. Ele conta que a curiosidade em torno do desaparecimento do artista foi a primeira motivação para as pesquisas. Ele quis, primeiro, entender o mito.
“Não conseguiríamos compreender aquele homem olhando apenas para o seu desaparecimento. O antes era chave. Precisávamos voltar ao 'início' e tentar entender como Antônio Carlos, um rapaz de uma família numerosa do interior do Ceará, seminarista, estudante de medicina, se transformou naquele artista radical que o Brasil passou a conhecer como Belchior.”
A partir disso, 78 entrevistas foram realizadas entre o Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Uruguai, além da busca em livros, documentos e arquivos públicos e privados. “A pesquisa não eliminou as contradições de Belchior. Ela revelou que as contradições eram parte fundamental de Belchior e de sua mitologia,” sintetiza.
O grande desafio foi, portanto, resistir à tentativa de explicar Belchior através da série. "Quando você trabalha com uma figura real tão conhecida, existe uma pressão natural para organizar a vida dela retrospectivamente, como se tudo tivesse uma causa e levasse inevitavelmente ao personagem que conhecemos."
"Então, nossa preocupação foi não transformar essas contradições em 'defeitos' de roteiro que precisavam ser corrigidos. Era justamente ali que estavam o personagem e a história: era preciso ter coragem para não respeitar certas convenções. Era preciso avançar a seco, a história também torta feita de faca, cortante, despida de enfeites", finaliza o diretor. "A série é menos sobre imitar Belchior e mais sobre tentar compreender a construção de uma identidade, de uma mitologia."
Alucinação - Canal Brasil
Sábado, dia 29/08, às 22h (exibição semanal)
Domingos, às 20h; Segundas, às 18h30; Quartas, às 14h







