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Prontas para o C6 Fest, integrantes do Horsegirl esperam do Brasil música boa e pão de queijo


Por:

Damy Coelho

Fotos: Divulgação/Ruby Faye

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A mesma Chicago que um dia já foi a terra do blues e do house, desde o fim dos anos 2010, sedia uma nova cena de indie rock, a exemplo de Twin Peaks ou Dehd. Na época, Nora Cheng era só uma adolescente — mas já estava lá, fazendo barulho com a Horsegirl, banda formada por ela e suas amigas, Penelope Lowenstein (voz e guitarra) e Gigi Reece (bateria). "Éramos muito jovens, devíamos ter uns 15 anos quando começamos. Já estava nesta cena mas, pela diferença de idade, não me sentia parte dela", conta. Nem precisou. Com dois discos lançados, a Horsegirl (não confundir com a DJ metade humana, metade cavalo do Lollapalooza) cavalgou longe — e, neste sábado (23/5), estreia no Brasil no C6 Fest, no Parque Ibirapuera, em São Paulo [veja a programação completa aqui].

Converso com Nora por videochamada, enquanto ela está no apartamento onde vive com as companheiras de banda em Nova York. A julgar pelo quarto minimalista que vejo pela câmera, típico de uma jovem garota — incluindo um tecido de poás e um quadro com um gato pintado em aquarela —, as Horsegirl vivem a juventude e a especulação imobiliária da mesma forma que muitos de sua geração.

A única diferença (talvez a mais relevante) é que foram alçadas a estrelas do indie rock desde 2022, quando lançaram o álbum Versions of Modern Performance e passaram a fazer turnês pela Europa. Apesar de serem usualmente relacionadas a outras bandas com garotas icônicas como Sonic Youth e Breeders, o som delas, especialmente no álbum Phonetics On and On (2025), está muito mais para um Stereolab shoegazer-etéreo com pinceladas de outros gêneros — um som diferente do que a maioria da geração Z está acostumada a ouvir nas trends do TikTok, tomadas pelo trap e pela música pop.

Definitivamente, não é a vibe delas. "Já fomos mais do lo-fi, agora estamos muito interessadas num som mais minimalista, clean. Queremos fazer coisas bonitas e melódicas, mas ainda experimentais. Um álbum que a gente ouve muito aqui no apartamento é The Fawn (1997), do Sea and Cake."

"Meio cansada de shows"

Pergunto a Nora se a relação dela com a música mudou depois de formar uma banda que, dentro dos parâmetros do indie, deu certo. Ela diz que vai em muito menos shows do que antes. "Quando vou, provavelmente é de algum amigo. Faz um tempo que não compro ingresso pra ver uma banda que gosto, o que é meio triste. Mas ainda amo tocar e escrever música tanto quanto no começo", pondera.

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Quando já estava me encaminhando para a última pergunta, vejo um gato preto passando atrás dela. Como uma mãe de gatos habitual, não resisto e pergunto o nome. Ela diz que se chama Ramona — o mesmo nome da primeira gata que eu tive, o que mostra que temos predileções em comum. Ela sorri e, antes que o papo se descambasse para o tópico pets, aproveitei os últimos minutos que tinha para perguntar o que ela conhecia de música brasileira.

Ela disse que gosta especialmente do paulistano Sessa, mas que pretende conhecer mais bandas no festival — e que, acima de tudo, está ansiosa pelas comidas. Me despeço dizendo pra ela não deixar de provar um pão de queijo e curtir o line do festival.

Desde já, ansiosa para ver se as integrantes do Horsegirl vão provar nossa maior iguaria culinária após assistirem ao show do Mano Brown. Com certeza, experiências que mudam vidas.

Por:

Damy Coelho

Fotos: Divulgação/Ruby Faye

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