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Destaque no indie curitibano, Capim Limão deixa marcas na pele dos fãs


Por:

Larissa Franco

Fotos: Divulgação

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A Capim Limão, formada em Curitiba em 2020, começou querendo se conectar com o planeta. No disco de estreia, Todo Azul (2023), o trio curitibano formado por Thito (voz), Julio (voz e guitarra) e JP (bateria) olhava para o céu movido por um certo otimismo, pela vontade de se ligar a esse planeta azul que é, ao mesmo tempo, gigante e ínfimo diante do universo.

Três anos depois, o segundo álbum, Do Outro Lado da Avenida, parte do mesmo ponto, mas com outra pergunta: se esse planeta acabar, será que tem lugar na nave? A resposta foi sendo revelada aos poucos, com quatro singles que já davam o tom do novo disco - um deles, "Faço Parar de Chover", em parceria com os conterrâneos da Jovem Dionísio, que Thito conheceu ainda na escola.

Do Outro Lado da Avenida, o trabalho mais ambicioso da banda até aqui, tem show de estreia marcado para o dia 29, em Curitiba.

Ao longo desses anos, a Capim Limão também construiu uma comunidade de fãs disposta a atravessar cidades atrás de um show e até de levar as letras para a pele. É o caso de Fábio, que já tatuou trechos de 2 composições no corpo.

"Quando passei por mais um coração partido, lembrei de uma frase da música e fui atrás dos meninos. Quando achei, foi paixão à segunda música. As letras foram preenchendo um vazio e, rapidamente, virou a minha banda-conforto", conta.

Em entrevista à Noize, Thito, Julio e JP falam sobre a travessia que dá nome ao álbum, o amadurecimento sonoro e os desafios da música independente.

Vocês anunciaram o álbum no Instagram com a legenda “vasculhamos os mais diversos cantos em busca de uma obra para chamar de nossa. Encontramos, do outro lado da avenida”. Me contem mais sobre esse nome. Que avenida é essa e o que existe do outro lado?

THITO: Esse disco nasce de uma vontade de ter um som mais de banda. No primeiro disco, a gente fazia muita coisa no computador, usava mais sample. Dessa vez buscamos algo mais a nossa cara, com nossos timbres e instrumentos, uma coisa orgânica e analógica. 

Era o lugar que a gente sempre queria chegar e não tinha conseguido. É um disco que marca essa maturidade de produção, arranjo e formato. "Do Outro Lado da Avenida" é a gente atravessando essa jornada, inclusive tem uma música que fala exatamente sobre isso, é a busca pela nossa obra de arte.

JULIO: É como se a gente tivesse passado por um processo de aprendizado até chegar do outro lado da avenida, onde estava o som essencial que a gente queria. Atravessamos essa avenida, que é o processo de melhora, e encontramos isso do outro lado. Daí surgiu essa brincadeira com obras de arte, usamos um quadro pra representar essa busca, e ele aparece em vários planos dos clipes.

Temas como maturidade, cotidiano, vida urbana, dinâmicas de afeto e até a beleza da solitude aparecem com mais força aqui, em contraste com a vibe mais solar do primeiro disco. O que mudou de 2023 para agora?

JULIO: Explorar outros temas era um negócio que a gente estava com muita vontade de fazer, falar do nosso jeito sobre outras coisas. 

A gente vem de um background romântico, fala muito de relações, normalmente não dão certo (risos) 

Mas também queria trazer outras temáticas pra completar esse mundo. "Avenida" traz um negócio urbano, e em "O Fim do Planeta Azul" a gente quis dar uma viajada, a letra questiona o que vai acontecer quando der problema no planeta, se vai ter espaço pra todo mundo na nave ou só pros bilionários. Daí fomos explorando o problema ambiental também. Queríamos evoluir nas temáticas, e esses dois primeiros singles já mostram esse amadurecimento do álbum como um todo.

Como foi o processo de incorporar tantos gêneros diferentes, como jazz, MPB, brasilidades e pop? Foi uma decisão consciente ou algo que surgiu organicamente?

THITO: A gente tem muitas referências variadas, isso faz parte da nossa busca desde o começo da carreira. Por exemplo, a primeira música que lançamos foi um samba, a segunda foi um rock misturado com jazz, a terceira foi um pop. Acho importante a gente se permitir experimentar tudo, fazer exatamente o que estamos a fim de fazer. Se a gente trabalhasse em uma referência só, acabaríamos frustrados, e isso já aconteceu no passado. Então agora decidimos misturar tudo e ser a gente mesmo.

JP: A gente gosta de muitas coisas e cada um tem estilos diferentes. No primeiro disco a gente ouvia umas coisas, hoje já escuta outras. A Capim Limão é um pouco essa mistura de cada um, claro que com um filtro, mas a gente se permite brincar em vários estilos pra achar o som da banda, que vai sempre mudando.

E vocês também têm uma melancolia, né? Já faz parte da identidade de vocês.

THITO: 

Acho que essa melancolia flerta com a esperança em vários momentos. É uma melancolia contemplativa, quase como uma nostalgia. 

Geralmente se cria esses insights de melancolia e depois vem uma abertura de alguma coisa, por exemplo, primeiro vem um tema pesado e depois um refrão mais esperançoso... mas sim, a gente curte bastante uma melancolia [risos].

Como surgiu a parceria com a Jovem Dionísio? Como foi o processo de compor e gravar com eles?

JULIO: A gente vem ensaiando esse feat faz tempo [risos], desde que começamos a lançar coisa. Eles começaram muito parecido com a gente, há muito tempo, e o Thito já era amigo deles.

THITO: Estudei na mesma escola que eles, conheço os meninos há uns 15 anos.

JULIO: Curitiba não é tão grande assim, então a gente já era próximo, foi se aproximando pela música e, ao mesmo tempo, era uma galera só.

JP: A gente já abriu o show deles uma vez, em Ponta Grossa.

JULIO: Aí chegou o momento de criar esse novo disco, e a gente pensou: vamos fazer um feat agora? E rolou muito bem.Os moleques têm uma visão muito pra frente de música; são muito profissionais e gente boa também. Quando a gente se junta pra fazer churrasco e tomar cerveja, nós três e eles cinco, dá muito certo.

Vocês sentem que a cena indie de Curitiba está mais conectada e em crescimento? Ou as coisas ainda poderiam ser melhores?

JULIO: As duas coisas. Já é muito mais forte do que antes, mas ainda existe coisa pra melhorar, pra conseguir se unir mais e propagar melhor as coisas. 

THITO: É difícil constituir uma cena de fato. E, na música independente no geral, existe um gap entre o artista pequeno e o grande, um espaço que às vezes é rápido de percorrer, dependendo do que pode viralizar, mas tem um enorme degrau de acesso, de receita mesmo. Criar uma carreira independente em que o dinheiro não é garantido, é complicado. Seria muito massa se o mercado fornecesse uma progressão de carreira mais fluida. Mas hoje a gente tem a internet, que pode te alavancar pra muita gente, diferente de antigamente, quando dependia de ser descoberto por uma gravadora. É muito bom poder fazer o que a gente faz do nosso jeito e andar no ritmo certo.

Vocês têm uma fanbase muito consolidada, como é perceber que os fãs estão literalmente carregando vocês na pele [risos]? Isso influencia o modo como vocês encaram a própria música?

JULIO: Sobre interferir na nossa letra, acho que não. A gente não tem muito esse filtro, as pessoas só vão gostar de fato se a gente entregar o que realmente é. Se pensar em fazer o som pra alguém, já perde a ideia do negócio.

THITO: Você derrete seu próprio ego.

JP: As pessoas querem ouvir o que a gente tem na cabeça, não o que a gente quer que os outros gostem. Mas esse lance da conexão com os fãs é muito louco, porque a gente fez por muito tempo show só em Curitiba, na nossa bolha. No penúltimo show em São Paulo, na hora que chegamos, já tinha uma galera na porta com quadro, coisas pra dar de presente, coisas que a gente não vê no dia a dia.

JULIO: Inclusive encontramos um deles no posto de gasolina,, até que ele se aproximou e do nada mostrou uma tatuagem da nossa música. A gente ficou sem acreditar. O carinho das últimas vezes em São Paulo foi muito massa, a gente saiu de alma lavada, vendo que estamos no caminho certo.

JP: Isso só dá mais motivação pra continuar fazendo.

THITO: E essa é a parte mais importante de lançar música: descobrir que as pessoas estão sentindo coisas e se conectando de alguma forma. Do mesmo jeito que a música transformou a nossa vida, saber que tem pessoas com os mesmos sentimentos que eu tenho com meus artistas favoritos, em relação à gente, é o ponto alto da parada.

JP: Cai mais a ficha, sai um pouco do comentário no Instagram ou play no Spotify, que é um negócio legal, mas muito frio, você não tem esse contato direto com os fãs. Quando chega uma galera com esse carinho todo, a gente fica muito feliz.

Capim Limão - show de lançamento de Do Outro Lado da Avenida

29 de agosto de 2026 (sábado)

Horário: A partir das 17:00 / 18:00

Local: Basement Cultural

Endereço: Rua Desembargador Benvindo Valente, 260 - São Francisco, Curitiba - PR

Ingressos na plataforma Meapple

Por:

Larissa Franco

Fotos: Divulgação

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