
A voz aguda, os vocalizes que brincam com os instrumentos e a delicadeza quase acústica das composições fazem de Analu um dos nomes em ascensão da nova geração da MPB. Mas, entender a artista vai além das releituras que a tornaram conhecida na internet ou dos shows de calouros que fizeram despontar sua carreira no Programa Raul Gil, no The Voice Kids ou até da indicação ao Grammy Latino. É o resultado dessa trajetória que ela pretende mostrar na curta temporada de shows na Caixa Cultural, em São Paulo, que vai até o dia 10/5 [saiba mais abaixo].
Entre samba, bossa nova, jazz e influências cada vez mais atravessadas pela música baiana, Analu constrói uma identidade própria enquanto ainda parece descobrir, ela mesma, os caminhos que deseja seguir.
Esse movimento aparece tanto no álbum de estreia, Analu (2024) quanto na construção dos shows na CAIXA Cultural São Paulo. Em formato voz e violão, Analu compartilha com o público as faixas que fizeram parte de sua formação musical.
Do Raul Gil ao The Voice Kids
A trajetória de Analu começou cedo. Aos 3 anos, cantou em público pela primeira vez. Aos 5,
dividiu o palco com o grupo Palavra Cantada e, pouco depois, passou a integrar o Programa
Raul Gil. Ela permaneceu por quatro anos interpretando canções eternizadas por Elis Regina, recebendo o apelido carinhoso de "Mini Elis".
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“Muito do que a gente faz é muito do que a gente escuta”, diz Analu. Elis sempre fez
parte das suas playlists. Mais tarde, em 2020, a participação no The Voice Kids reafirmou essa ligação com a tradição da música brasileira. No programa, a artista, na época com 12 anos, apresentou sucessos como "Garota de Ipanema".
As influências citadas pela cantora ajudam a compreender o universo sonoro que ela constrói tanto nas regravações, quanto nas canções autorais. “Sempre estive ligada às músicas e melodias de Djavan, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tim Maia, Gal Costa e Rita Lee”, conta a compositora.
Antes do álbum autoral, Analu já acumulava público nas redes sociais, com releituras de clássicos da música brasileira: “Foi durante a pandemia que meus vídeos interpretando canções de outros artistas ampliaram o meu alcance”, relembra.

Em 2026, lançou, em parceria com Fernando Pivelli e PH Moraes, a versão de "Esotérico", de Gilberto Gil. A interpretação se tornou a música mais ouvida da artista nas plataformas digitais, com mais de 17 mil reproduções.
Apesar das referências marcantes, a cantora busca um espaço próprio dentro dessa tradição: “As músicas e composições refletem muito do que a gente é e do que a gente vive no dia a dia. Isso aparece nas minhas músicas autorais”, conta.
Faixas como Minúcia e Sinestesia evidenciam esse diálogo entre voz e arranjos. Em diferentes
momentos, os vocalizes acompanham os instrumentos e criam pequenas aberturas melódicas
que reforçam a atmosfera intimista do disco.
“A voz, pra mim, é tudo”, afirma. “Eu faço tudo pensando em cantar.”
Embora a MPB clássica continue presente em suas composições, Analu afirma viver um momento de aproximação mais forte com as próprias raízes baianas. “Tenho buscado muita baianidade nas minhas músicas autorais”, conta. “Essa coisa do axé, essa coisa do toque. Isso tem mexido muito comigo, e eu quero trazer isso para os meus próximos trabalhos”.
Enquanto experimenta novos caminhos sonoros, Analu também projeta um futuro cada vez mais ligado aos palcos e ao repertório autoral. “Tenho muita vontade de gravar novos discos, fazer mais shows autorais e ver as pessoas cantando as minhas músicas.”
O show na CAIXA Cultural São Paulo é mais uma dessas formas de se descobrir e redescobrir: “Eu estou muito, muito ansiosa para esses shows! Vão ser espetáculos muito bonitos. Com certeza o repertório vai soar diferente a cada dia. Isso muda conforme o público e a atmosfera que a gente constrói.” Uma coisa é certa: o intimismo do álbum vai transparecer nos palcos e, assim, o público poderá conhecer mais de Analu, essa artista em ascensão no cenário da música brasileira.
Show: ANALU - Voz & Violão
Local: CAIXA Cultural São Paulo - Praça da Sé, 111 - Centro, São Paulo - SP
Datas: 07 a 10 de maio de 2026
Horário: 19h
Entrada gratuita (ingressos distribuídos uma hora antes do início, limitados a um por pessoa)





