
Quem estava em Natal no último final de semana provavelmente não dormiu tamanha a agitação em torno do Festival Mada. Realizado no estádio Arena das Dunas, o festival – um dos mais longevos do Nordeste – tomou as madrugadas de sexta-feira e sábado com uma programação extensa de shows e DJ sets divididos em três palcos.
Em sua 28ª edição, o evento reuniu mais de 30 atrações, incluindo nomes como Zeca Pagodinho, Marina Sena, Emicida, Duquesa, Gaby Amarantos e BaianaSystem. Somados a eles estavam bandas locais e artistas de outros estados da região. Reunindo 40 mil pessoas, o festival também foi espaço de manifestações políticas a favor da reeleição do presidente Lula e da soberania nacional tanto pelo público, quanto pelos artistas.
Fundado pelo produtor cultural Jomardo Jomas, o Mada se mantém como uma surpresa para ele, que achava que a empreitada não passaria da primeira edição. Hoje, quase 30 anos após a estreia, ele se orgulha de ter construído uma festa diversa e democrática – andando pelo estádio era possível perceber pessoas de diversas idades curtindo os shows madrugada adentro.
Em conversa com a Noize, Jomardo destaca a importância da cultura na economia do Rio Grande do Norte. Para além disso, um evento dessa magnitude promove a cena local e coloca Natal na rota dos grandes festivais do país. “Conseguimos fazer uma produção focada na economia do Nordeste", explica o fundador.

Sexta-feira quente
Quem abriu os trabalhos do evento foi o músico pernambucano Jader, que apresentou o repertório do segundo disco, Deixa o Mundo Acabar (2026). Durante o show, o artista enfrentou problemas técnicos, mas a questão foi superada sem grandes crises.
Logo em seguida, o campo da Arena das Dunas já estava tomado para a apresentação de Zeca Pagodinho, que atacou com grandes sucessos, como “Água da Minha Sede” e “Ogum”. O cantor também apresentou algumas faixas Lado B da sua carreira, como “Patota de Cosme”, que dá nome ao álbum de 1987.
Na metade da apresentação, ele convidou a sambista Karinah para dividir os vocais em clássicos, como “Verdade”. A cantora também apresentou canções de seu repertório, enquanto Zeca fazia uma pausa.
O Mada seguiu com a sempre eletrizante Marina Sena, que levou a turnê de Coisas Naturais (2025) para a capital potiguar pela primeira vez. Abraçada pelo público com carinho, a mineira prometeu voltar todo ano para o público que ela classificou como “quente".
Em um dos momentos de maior frisson, Marina alterou o monólogo da faixa “Ouro de Tolo”, e declamou que “se o mundo é meu, eu não divido/Com quem não respeita a soberania nacional”, em referência às eleições presidenciais que acontecem na próxima semana.
A madrugada seguiu emocionante com o encontro da Tribo de Jah, que completa 50 anos de existência, com a dama do reggae maranhense, Célia Sampaio. Entre os destaques, ficou a interpretação de “Regueiros Guerreiros”, que com a voz da cantora, ficou ainda mais especial.
A rapper baiana Duquesa subiu ao palco às 2h30 da manhã em uma apresentação marcada pela sintonia da artista com sua DJ e guitarrista. "Turma da Duq", “99 Problemas” e “Primeiro de Maio (Gostosas Inteligentes)” foram algumas das faixas que a artista apresentou.
Sábado chocante
Se no primeiro dia a intenção era levantar o astral, no segundo, a ideia era festejar em grande estilo. Para isso, o Mada abriu os trabalhos com Leoa, que levou para o estádio a turnê de seu primeiro disco, Original Malokera (2025). A estrela da cidade também contou com a participação da drag Kaya Conky, que emocionou a plateia ao levar seu pai para o palco do evento.
Em seguida, o grupo potiguar Taj Ma House assumiu o palco, transformando o evento em uma verdadeira festa de música eletrônica. O quarteto abriu a apresentação com a glamourosa “Fazendo a Casinha” e seguiu um setlist com canções que vão integrar o primeiro álbum deles, Vitral, prometido para os próximos meses.
O BaianaSystem tomou o palco em seguida, fazendo o que eles fazem de melhor: hipnotizar o público. Distribuindo as tradicionais máscaras ao longo da apresentação, o grupo fez o show da turnê de O Mundo Dá Voltas (2025), sem deixar de lado os grandes sucessos.
Em um momento de catarse, o Baiana recebeu no palco a ilustre presença da atriz, diretora e roteirista potiguar Alice Carvalho, parceira da banda há alguns anos e que, no trabalho mais recente, participou da faixa “Balacobaco”, que também conta com o vocal de Anitta.
Perto de uma hora da manhã, o clima de navio pirata deu lugar à aparelhagem de Gaby Amarantos e seu Rock Doido (2025). A paraense, que comemora um ano do álbum, levou ao festival o espetáculo dadaísta completo, com direito a troca de looks, dois corpos de balé, distribuição de notas de 1,99 com seu rosto e as participações de Leoa e Potyguara Bardo.
Durante a apresentação do hit “Foguinho”, Gaby pescou pessoas da plateia para desafiá-los a reproduzir a coreografia da música. A diva ainda agradeceu pela valorização da cultura amazônica e o fato do disco ter sido reconhecido em premiações.
Em um dos momentos mais esperados da noite, o paulistano Emicida trouxe ao palco do Mada o show dedicado a seu disco mais recente: Emicida Racional VoL.2: Mesmas Cores e Mesmos Valores (2025), mas passou também por outros sucessos, como a impactante “Ismália” e o sucesso “A Chapa É Quente (Língua Franca)”.
Jomardo, que não esperava passar da primeira edição, chegou na 28ª com um dos festivais mais marcantes do ano e que, cada vez mais, se coloca como um dos eventos imperdíveis do circuito nacional. Nos vemos na próxima edição.














