
O infografista Marco Vergotti passou anos garimando discos pelas mesmas lojas de São Paulo, até perceber que já conhecia de cor os acervos. Colecionador recente em busca de novas rotas, queria sondar onde ficavam boas lojas de disco para além dos roteiros já consagrados como a Galeria Nova Barão. Foi desse desejo que nasceu o Circuito do Vinil BR, uma plataforma que mapeia lojas de vinil em 24 estados do país — já são mais de 300 lojas incluídas na plataforma, com espaço para ainda mais.
Vergotti trabalhou em redações de revistas e atualmente desenvolve projetos de infografia sobre mudanças climáticas no Instituto Talanoa. Essa formação moldou sua abordagem: "No fim, percebi que estava levando para o Circuito a forma como sempre trabalhei: organizar informações. Só que, dessa vez, sobre um assunto de que sempre gostei: música e discos."
A pesquisa foi feita inteiramente por ele — cada loja investigada e verificada manualmente antes de entrar no cadastro. "No início, comecei a mapear lojas e, conforme o levantamento crescia, percebi que estava encontrando algo muito maior do que imaginava", conta. Em abril de 2026, transformou esse mapeamento em um projeto público. Hoje o Circuito reúne 326 lojas e mais de 230 feiras, mas Vergotti sabe que esse universo é ainda maior. "Atualmente, são 326 lojas e mais de 230 feiras mapeadas. Tenho certeza de que esse universo é ainda maior. Mas, como as informações continuam muito dispersas e fragmentadas, esse é o retrato que o Circuito conseguiu construir até agora."
Ele reforça que uma das segmentações que usou foi a de lojas com perfil disponível no Instagram, o que poderia facilitar também o contato. Portanto, há ainda um universo de lojas fora da rede que existem para serem exploradas pelos colecionadores. "Isso não significa que essas lojas não existam ou não tenham importância. Significa apenas que não consigo verificá-las pelo método adotado pelo projeto. Quero oferecer ao usuário do site um critério confiável de checagem. Não afirmo que esse método seja 100% seguro, mas é o mais próximo que consigo chegar, hoje, de uma informação atualizada e verificável", explica.
Trabalhar no mapeamento mostrou a Marco que o mercado de vinil brasileiro era bem maior do que ele imaginava. "O Brasil tem um ecossistema de vinil muito forte. E boa parte dele permanecia invisível justamente pela falta de documentação", explica. Ao conectar todas essas lojas e feiras, Vergotti mostrou uma rede nacional inteira de lojistas, colecionadores, selos e novos consumidores."O Circuito não criou essa rede. Ela já existia. O que fiz foi reunir essas informações e desenhar esse mapa."
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