
Em time que está ganhando, não se mexe. Essa parece ter sido a máxima do Maroon 5 ao montar o setlist da apresentação em São Paulo, na última terça-feira (8/9). Dominado por hits, o show deixou os trabalhos mais recentes de lado em favor de um repertório de antigos sucessos para o público brasileiro. Após passar por Ribeirão Preto, o grupo ainda se apresenta em Salvador, no dia 10/9, e no Rock in Rio, em 12/9.
A banda, habituée de festivais por aqui, ganhou fama por salvar line-ups ao substituir artistas que cancelaram suas apresentações — como JAY-Z, em 2011, e Lady Gaga, em 2017. De volta ao Brasil desde a última passagem, em 2023, quando se apresentou no The Town, o grupo chega à sua sétima visita por aqui. As primeiras foram em 2004, para divulgar o álbum de estreia. Ao todo, são 28 shows no Brasil, contando os quatro da atual estadia.
Os músicos parecem gostar muito de tocar por aqui e a recíproca é verdadeira, já que nem o frio ou a ameaça de chuva os impediu de cantar para um estádio cheio. Sem passar pelo álbum mais recente, Love Is Like (2025), a banda fez uma retrospectiva dos sucessos que os trouxeram até aqui em um show com 21 músicas.
A noite começou com um pontual show de abertura da Lagum. Apesar do pouco tempo no palco, os mineiros apostam nos sucessos para aquecer o público, começando com “Ninguém Me Ensinou” e “Deixa”, primeiro hit da banda, lançado originalmente em parceria com Ana Gabriela.
A apresentação principal começou com alguns minutos de atraso, nada que atrapalhasse a experiência do público que ocupou o Nubank Parque. As luzes apagadas enquanto ecoava a canção “Good Vibrations” dos também californianos Beach Boys ,dava sinais da chegada dos músicos, que deram início ao show com uma versão mais feroz da canção “Harder To Breathe”, do clássico Songs About Jane (2002), álbum que projetou os músicos para o mundo.
O show seguiu com uma sequência acertada de sucessos, como “Lucky Strike” e “This Love”, que levou o público à loucura — tanto pela canção, trilha sonora da vida dos fãs, quanto pelo momento em que o vocalista, Adam Levine, tirou a jaqueta, exibindo as características tatuagens, enquanto mostrava também seu talento num solo de guitarra. “Os fãs brasileiros são os melhores do mundo", declarou o músico, satisfeito com a maneira como o público acompanhava a banda na apresentação.
“Somos uma banda de 2002 e eu só quero agradecer do fundo do meu coração em nome da banda. Tantos anos depois, ter esse apoio! Queremos que vocês saibam que valorizamos isso e amamos vocês.”
Em seguida a banda fez um cover de “Stereo Hearts,” do grupo de hip-hop Gym Class Heroes, que conta com a colaboração de Levine. Apostando na sensualidade, a banda apresentou o hit “Animals”, que integra o álbum V (2014).
Outro ponto alto foi a apresentação de “Sunday Morning”, com uma introdução feita por Adam chamando o público para repetir seus “yeah” e dando a deixa para o tecladista PJ Morton iniciar o clássico. Em seguida, foi o momento de PJ brilhar solo: ele apresentou a canção “Heavy”, de seu álbum solo New Orleans (2014), com arranjos de jazz bem executados. O músico também fará uma apresentação solo no Rock in Rio um dia antes de tocar com a banda. No domingo, 13/9, ele se apresenta em São Paulo, na Casa Natura Musical.

“Sempre me perguntam meu lugar favorito para tocar e eu respondo: Brasil!”, disse o vocalista antes de emendar a balada “Won’t Go Home Without You”. A música foi seguida pela menos empolgante “Memories”.
Em outro momento sentimental, Adam dedicou “She Will Be Loved” a todas as mulheres presentes, levando a plateia a cantar em uníssono uma das faixas mais marcantes da carreira da banda.
O clima de sucessos, porém, foi rapidamente atrapalhado pela sequência entediante de “Love Somebody”, “Don’t Wanna Know” e “What Lovers Do”, que pareciam agradar apenas ao simpático guitarrista James Valentine. O astral melhorou quando a banda tocou “Makes Me Wonder”.
Na etapa final da apresentação, o vocalista pegou uma bandeira do Brasil, que serviu de manto enquanto ele apresentou “Girls Like You” que depois foi colocada no aquário da bateria. Em seguida, veio o hit “Moves Like Jagger”, do álbum Hands All Over (2010), o último antes dos artistas se despedirem para o tradicional momento do bis.
Alguns minutos de silêncio e luzes apagadas foram quebrados pelo som de moedas sendo colocadas em um telefone público, anunciando a volta dos artistas para o palco para a performance do sucesso “Payphone”. A faixa chiclete “Sugar” encerrou o show com o público cantando junto com a banda, que, como o vocalista promoteu, "vai voltar em breve". O público certamente espera por isso.





