marcos abreu (1)

Marcos Abreu, referência da masterização e da restauração de áudio no Brasil, morre aos 64 anos


Por:

Damy Coelho

Fotos: Acervo Pessoal

COMPARTILHE:

Responsável pela masterização de milhares de discos e referência na restauração de gravações históricas da música brasileira, o engenheiro de som Marcos Abreu morreu nesta sexta-feira (3/7), aos 64 anos. A família confirmou que ele estava internado em Porto Alegre, mas as causas da morte não foram divulgadas.

Ao longo de três décadas de carreira, Marcos participou da produção de mais de 6 mil discos e trabalhou com artistas como Vitor Ramil, Fresno e Cachorro Grande. Também foi uma peça fundamental do Noize Record Club, onde atuava como engenheiro de som responsável por aprovar as masters para os discos de vinil e, em muitos casos, trabalhar diretamente nelas para garantir a melhor qualidade sonora.

Seu trabalho está presente em lançamentos do clube que atravessam diferentes gerações da música brasileira, de clássicos como Disco Club (1978), de Tim Maia, a então novas promessas da música, como De Primeira (2021), álbum de estreia de Marina Sena. Em entrevista à Noize em 2022, Marcos confidenciou alguns de seus projetos favoritos do clube até então. "O Tim Maia foi uma master legal de fazer. A Elza Soares, também. São discos históricos, e eu gosto muito desse trabalho de restauração". Sobre a reedição do álbum Marku (1983), de Marku Ribas, lembrou o processo de recuperação do áudio: "Copiei o vinil original, restaurei, limpei ele todo e fiz uma nova master."

A restauração de acervos históricos, aliás, tornou-se uma das marcas de sua trajetória. Trabalhando com fitas analógicas e discos de 78 rpm, cuidou da recuperação de mais de 300 CDs, incluindo coleções dedicadas a Luiz Gonzaga, Carmen Miranda e Tom Jobim. Também restaurou integralmente as coleções de Teixeirinha.

Em 2009, seu trabalho ganhou reconhecimento internacional após restaurar uma gravação de 1929 do Concerto nº 2 para Piano e Orquestra, de Sergei Rachmaninoff. A página da Stokowski Organization elogiou o resultado da restauração, destacando que Marcos conseguiu devolver à gravação uma qualidade sonora capaz de resgatar sua beleza original.

Além da atuação na indústria fonográfica, Marcos também deixou sua marca na cena cultural de Porto Alegre, onde trabalhou em projetos de acústica e sonorização de espaços como a Sala de Recitais da OSPA, o Teatro Unisinos e os estúdios da Casa de Cinema de Porto Alegre.

Natural do Rio Grande do Sul como o próprio Noize Record Club, Marcos Abreu mantinha uma relação próxima com os profissionais do clube. O nosso leitor provavelmente já estava familiarizado com o nome dele, já que Marcos era referência máxima na redação para falar sobre detalhes técnicos da produção de discos de vinil. A disposição para compartilhar conhecimento era uma de suas características mais marcantes — sempre disposto a ajudar quem quisesse adentrar o universo da audiofilia.

Para Juliana Ribeiro, diretora de projetos do NRC, o engenheiro era um profissional dedicado e prestativo. "O Marcos era uma pessoa muito especial para todos que tiveram a oportunidade de trabalhar com ele", afirma. Já o CEO do NRC, Pablo Rocha, destaca tanto a competência quanto a generosidade do engenheiro. "Era uma pessoa querida por todo mundo. Sempre disposto a ajudar e um grande apoiador da cena musical. Vai fazer uma falta enorme."

Por:

Damy Coelho

Fotos: Acervo Pessoal

COMPARTILHE:

RECEBA NOVIDADES POR E-MAIL!

Inscreva-se na nossa newsletter.