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Metade dos adultos no Reino Unido não ouve discos inteiros, aponta pesquisa


Por:

Giulia Cardoso

Fotos: Divulgação

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Um novo estudo realizado no Reino Unido revelou que 41% dos adultos não ouviram um álbum do início ao fim no último ano. Para completar,  8% dos entrevistados afirmam que nunca escutaram um disco na íntegra.

As descobertas vieram de uma pesquisa conduzida com 2.000 pessoas pela National Rail, como parte da campanha Track Reset. Os números apontam para uma estagnação severa na descoberta musical e uma forte dependência do conforto sonoro. Entre aqueles que se consideram "fãs de música dedicados", 70% admitiram ouvir regularmente as mesmas canções e os mesmos artistas. O nível de repetição impressiona: em média, os britânicos reproduzem sua faixa favorita 343 vezes em um período de 12 meses — o equivalente a quase um play por dia no ano — e limitam a rotação da sua biblioteca a apenas seis artistas.

Ao investigar os motivos, a pesquisa destacou o apego dos entrevistados à zona de conforto e a sensação já conhecida que essas músicas trazem. 65% deles se prendem às mesmas faixas simplesmente porque gostam delas. E ponto. Fatores emocionais também dominam os fones de ouvido: 50% justificam as escolhas pela "nostalgia" e outros 50% acham o hábito "reconfortante". 27% declararam não ter qualquer interesse em ampliar os seus horizontes musicais.

Gosto delegado ao algoritmo

O DJ e radialista Pete Tong, porta-voz da campanha, fez uma análise crítica sobre o tema, comparando esse formato de escuta fragmentada a "assistir apenas às melhores cenas de um filme". Para ele, a ascensão da descoberta musical guiada por algoritmos facilitou a dependência dos ouvintes em playlists seguras. “A maneira como interagimos com a música mudou muito, e é fácil deixar que um algoritmo faça todo o pensamento por você, ou confiar naquela única playlist de músicas favoritas, mantendo você preso repetindo as mesmas faixas seguras", ressaltou. O cenário de dependência dos algoritmos não é muito diferente no Brasil. No ano passado, uma pesquisa recomendada pela Heineken afirmava que 60,9% dos brasileiros descobrem música via algoritmo de plataformas, mas sentem falta de curadoria e trocas ao vivo.

No entanto, o próprio mercado britânico aponta para um forte movimento de resistência focado na materialidade da música. Dados recentes da BPI (British Phonographic Industry) mostram que a venda de mídias físicas no Reino Unido — puxada pela disparada do vinil — segue em ritmo de crescimento acelerado. Esse resgate do formato longo e analógico é encabeçado justamente pela Geração Z.

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Faixa especial

Para incentivar a descoberta de novos estilos musicais, a National Rail uniu-se à psicóloga musical Ruth Herbert e ao produtor musical Adriano Desire para criar a "Track Reset", uma faixa de três minutos cientificamente desenhada para atuar como um "limpa-paladar" musical, idealizada para ser ouvida em momentos de desconexão. Ouça abaixo e tire suas próprias conclusões:

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Giulia Cardoso

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