Design sem nome-54

Pupillo conta processo criativo do disco de estreia, recheado de participações especiais


Por:

Damy Coelho

Fotos: Fred Siewerdt

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Após três décadas moldando muitos sons — atrás das caixas da Nação Zumbi, nas fichas técnicas de Gal Costa, Erasmo Carlos, Céu e Nando Reis, nas trilhas de filmes como Amarelo Manga (2003) e Besouro (2009) —, Pupillo finalmente estampa o próprio nome na capa. O disco Pupillo, estreia solo do pernambucano com 12 faixas instrumentais, foi lançado em março deste ano. 

A receita do álbum envolve processo criativo livre, parcerias que dão boa liga e referências que fazem do Brasil, especialmente o nordeste brasileiro, ponte para o mundo. 

O trabalho foi gravado e lançado pela Amor in Sound, selo norte-americano criado por Samantha Caldato, responsável pela produção executiva e direção criativa, e Mario Caldato Jr, que assina a produção musical ao lado do artista.

Som na cozinha 

Gravado no estúdio caseiro dos Caldato Los Angeles, o disco nasceu num clima de liberdade, sem grandes idealizações prévias, sendo guiado pela arte do encontro. 

As parcerias surgiam ora da amizade e da admiração mútua, ora dos laços estreitados pelo próprio Mário Caldato, como é o caso do DJ e produtor Gaslamp Killer, que manda scratches em “O Sopro de Naná”, dedicado ao ídolo e antigo parceiro musical, Naná Vasconcellos

Foi o produtor, por exemplo, quem apresentou o DJ norte-americano a Pupillo. “O estúdio de Mario é um ambiente coletivo, onde as pessoas chegam para visitar, trocar ideias, ouvir e fazer um som", conta.

Talvez por isso, durante a gravação, ele se sentiu em casa. "Gravar com Caldato me deu toda tranquilidade para focar nas sessões rítmicas, sabendo que tinha do meu lado alguém que me daria todo suporte necessário para realizar minhas ideias. A mesa de som do estúdio ficava na cozinha da casa, e me dava a sensação de que estávamos cozinhando música feita com muito tempero nordestino", brinca, em entrevista à Noize.

Viagem sonora 

De fato, se teve um aspecto que guiou a produção foi a música do Nordeste e as manifestações culturais que Pupillo teve acesso desde a infância em Pernambuco, do pífano ao forró. É a mistura dessas manifestações tão brasileiras ao lado de estilos musicais como o hip hop ou o modern jazz, que vemos neste novo trabalho. Qualquer semelhança com o manifesto mangue beat não é mera coincidência, como o próprio artista aponta: 

"Eu escuto todo tipo de música, mas tenho na música brasileira o fio condutor da minha caminhada, e acredito que o mundo ainda tem muito a descobrir, principalmente no Norte e Nordeste. A música dessas regiões é extremamente original e dialoga perfeitamente com qualquer outro estilo. O Manguebeat é um belo exemplo desse diálogo", diz ele.

Como não deveria deixar de ser, o disco inteiro passa pelas mãos de Pupillo, que comanda da percussão aos beats eletrônicos, passando pelos synths e chegando ao bombo sinfônico e berimbau. Mas o produtor também contou com uma lista estelar de convidados como companhia, reflexo bom do trânsito pelos mais diferentes ambientes musicais, com direito a quatro Latin Grammys na coleção: de Céu a Rodrigo Amarante, passando por Agnes Nunes, Amaro Freitas, Davi Moraes e Pedro Martins isso, só do lado de partições brasileiras. Das internacionais, temos Carminho, Adrian Younge, Cut Chemist, Gaslamp Killer, Loren Oden e Hervé Salters.

Como resultado, diferentes paisagens sonoras se desenrolam numa boa montagem, da abertura tropical de "Tropical Exótica" ao fecho de "De Chegada", num trabalho que abraça a musicalidade contemporânea e cosmopolita, mas sabe fluir pelo que há de mais tradicional na nossa música popular. 

"Esse disco certifica a minha existência não só como músico, porque parte de uma busca por reencontrar nas minhas memórias o que eu penso sobre tocar instrumentos e colocá-los a serviço da visão que eu tenho sobre a música brasileira, que é tão rica e capaz de se reinventar ao longo dos tempos."

Em breve, a versão em vinil do disco de estreia do artista vai girar nos toca-discos por aí. Pupillo está em pré-venda pelo NRC+. Saiba mais no site. 

Por:

Damy Coelho

Fotos: Fred Siewerdt

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