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Com “Soffisticada”, MC Soffia empodera mulheres e se inspira no hip hop dos anos 2000


Por:

Revista NOIZE

Fotos: Yago Mesquita

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Aos 22 anos, MC Soffia apresenta Soffisticada (2026), o aguardado álbum de estreia. Lançado no fim de março, mês das mulheres, o disco reafirma sua trajetória como uma voz potente do rap nacional. Mais do que um debut, ela define o projeto como um ponto de virada na carreira: “foi onde me encontrei”, define a artista.

O rap vive um momento de expansão, e as mulheres têm papel central nesse movimento. Se nomes como Cris SNJ e Stefanie abriram caminhos, hoje uma nova geração ocupa o protagonismo, com artistas como Tasha & Tracie — que participam da faixa “To de Nave”; Ebony e NandaTsunami. É nesse cenário que Soffia se firma.

Antes do álbum, a rapper construiu sua identidade em uma trilogia de EPs — Rapper (2022), It Girl (2023) e Brazilian Girl (2024) — que pavimentaram o caminho até aqui. Em Soffisticada, essa construção ganha corpo: são nove faixas que equilibram atitude e vulnerabilidade, com letras que atravessam temas como identidade e autoestima.

Musicalmente, o disco mergulha em sonoridades inspiradas no hip-hop dos anos 2000, em especial o crunk, ritmo impulsionado por nomes como Usher, Soulja Boy, Ciara e Lil Jon, com batidas pensadas para as pistas e samples de hinos como "Beautiful Girls", do Sean Kingston e "Niggas in Paris", de Jay Z e Kanye West. Com participações que vão do mainstream aos novos nomes da cena — como Major RD em “Abre Espaço” —, Soffia reforça o caráter coletivo do rap, reunindo um time de produtores de São Paulo e Rio de Janeiro. 

Confira Soffisticada faixa a faixa:

"Soffisticada": é uma música que eu já havia escrito antes; eu apenas a adaptei para a atualidade. Misturei dois samples: “Pow Pow Tey Tey”, do MC Dedê, e o instrumental de “Niggas in Paris”, do Jay-Z e do Kanye West. São duas músicas que param o baile quando tocam — todo mundo sabe cantar.

Essa música fala sobre a beleza da mulher. Nela, eu discorro sobre a ideia principal do álbum: o que é ser sofisticada, dentro da minha percepção. É sobre vencer, poder ter acesso a luxos, a coisas caras. Eu gosto de ostentar, mas a maior ostentação dessa faixa é se amar e lutar contra esse machismo que diz que a mulher tem que ser isso ou aquilo.

"Empoderada 2": "Empoderada 1” eu lancei quando tinha 18 anos. Na época, falava-se muito sobre o que era ser uma mulher empoderada, e eu quis trazer essa reflexão de volta neste disco. Cito Rosa Parks, Angela Davis e Maria Firmina dos Reis, três mulheres pretas que, dentro de seus contextos, foram referências para mim sobre o que é ser uma mulher empoderada, trazendo isso também para a minha realidade atual.

"Tô de Nave": é um sample de “Yeah”, do Usher — uma música que toca na balada até hoje. E é um feat com as Tasha & Tracie, uma parceria que eu sempre quis fazer: duas mulheres incríveis que eu admiro muito. Os homens sempre falam que as mulheres são interesseiras, então, nessa música, eu propus trocar os papéis: os interesseiros são eles. Só porque eu tenho condição, querem andar comigo, mas só vai andar comigo quem é de fé, quem acreditou no início.

"Palmas Pra Mim": essa é muito sobre a gente querer que as pessoas abram portas pra gente, deem espaço, ajudem. E eu falo na música que muitas pessoas não fizeram isso por mim, mas também não é porque não fizeram que eu vou deixar de acreditar nos meus sonhos. Está tudo bem — eu vou abrir minhas próprias portas.

"Abre Espaço": essa é minha faixa com o Major RD. A gente juntou a atmosfera do rap com o trap para criar uma música bate-cabeça. É o momento em que a galera vai à loucura no show. A roda punk é um dos elementos da cultura hip-hop, e eu chamei o Major, que é um dos que mais trazem essa energia junto com ele. 

"Cabeça pra baixo": é uma música entre amigas. Chamei a Cahsley para essa. A música é bem dançante. Fala sobre parceria, eu só vou sair se eu tiver com a minha parceira. Se eu for, ela vai comigo, ela é meu fechamento. Sobre não abandonar minha amiga que sempre esteve comigo.

"V*adia Mimada": escrevi essa viajando na minha primeira Eurotour. Nessa música, falo que eu gosto de dinheiro [risos], sobre a liberdade que o dinheiro traz, sobre poder me mimar. A gente utilizou o sample de “Crank That” do Soulja Boy.

"Bonita": nasceu de uma brincadeira. Muitas amigas falavam comigo “fui dar moral para feio e a feia virou eu”, e aproveitei esse gancho. Às vezes, nós nos relacionamos com pessoas que, à primeira vista, são boas, mas, de repente, passam a agir de forma escrota, querendo nos diminuir, nos humilhar… acabam ficando feias. Eu falo sobre isso: sobre tomar consciência de que a bonita da relação é você, falar sobre autoestima, sobre se olhar no espelho e sobre se amar.

"Facecard": "que menina não gostaria de ser como eu? Até eu quero ser mais como eu.” Não é questão de rivalidade, é uma questão de ser referência para as meninas. Eu vou olhar para o espelho, e ele vai ser meu amigo, em vez de meu inimigo — principalmente quando falamos de meninas pretas. Facecard é isso: meu facecard é minha passagem para tudo.

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