
As capas de discos, por vezes, ficam tão marcadas na mente dos fãs quanto o próprio repertório - ainda mais quando eternizadas e ampliadas nos discos de vinil. Alguns capistas ganharam projeção por eternizarem a arte de um disco - de Andy Warhol a Elifas Andreato -, mas o que pouca gente sabe é que há muitos exemplos de músicos que botaram a mão na massa e criaram suas próprias capas de discos, demonstrando um talento para além da música, que se reflete nas artes visuais. Confira alguns deles abaixo, de Rita Lee a Joni Mitchell.
Blur — 13 (1999)
A capa de 13 usa um detalhe da pintura Apprentice, feita pelo guitarrista Graham Coxon. O trabalho visual ressoava com a personalidade mais introspectiva das canções do sexto disco da banda. Coxon é ativo na pintura (tem até um site próprio dedicado aos seus trabalhos) e também assinou a capa de alguns singles da banda.
Caetano Veloso — Cê (2006)
A capa de Cê foi concebida pelo próprio Caetano Veloso, enquanto Pedro Einloft ficou responsável pela realização gráfica. O álbum marcou uma mudança importante na carreira do músico, com uma sonoridade mais crua e a formação do power trio com Pedro Sá, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado. A concepção visual acompanhou essa nova fase.
Eminem — Eminem Presents: The Re-Up (2006)
A arte de The Re-Up (que nasceu como uma mixtape) foi criada pelo próprio Eminem, que desenhou os personagens representados na capa antes que a ilustração fosse finalizada digitalmente. Entre os convidados (também retratados na capa) estão 50 Cent e artistas como Stat Quo, que pertenciam à gravadora do artista, Shady Records.
Joni Mitchell — Clouds (1969)
Segundo álbum de Joni Mitchell, Clouds traz na capa um autorretrato pintado pela própria cantora. A artista, inclusive, começou na pintura antes de perceber que tinha talento para a música e a composição, chegando a cursar a Alberta College of Arts and Design. Ela assina algumas capas de sua discografia, como Ladies of the Canyon, Court and Spark e Both Sides Now. Em entrevista à Far Out Magazine, Joni resumiu essa relação com as duas artes: “Sou uma pintora que escreve canções".
My Chemical Romance — Three Cheers for Sweet Revenge (2004)
Outro artista que começou nas artes visuais antes de partir pra música foi Gerard Way. O vocalista e compositor do My Chemical Romance estudou na School of Visual Arts em Nova York. A capa de Three Cheers for Sweet Revenge nasceu de uma ilustração intitulada Demolition Lovers II. A imagem foi inspirada no universo dos quadrinhos e se relaciona à narrativa construída pela banda em torno do álbum — e, até hoje, figura em diversas camisetas espalhadas entre os fãs.
Nirvana — Incesticide (1992)
A capa de Incesticide traz uma pintura feita por Kurt Cobain, que aparece na ficha técnica como “Kurdt Kobain”, um pseudônimo que ele usava ocasionalmente. A coletânea reúne gravações que ficaram de fora dos álbuns de estúdio do Nirvana, incluindo lados B, raridades e faixas registradas em diferentes momentos da banda. Kurt também gostava de se dedicar ao desenho - muitas vezes, surrealista como essa capa. No caso, a imagem mostra figuras humanoides e uma papoula, flor que simboliza a heroína.
Paul McCartney — Egypt Station (2018)
A capa de Egypt Station nasceu de uma pintura feita por Paul McCartney em 1988, que deu nome ao álbum décadas depois. O título remete a uma estação de trem imaginária, conceito que Paul usou para organizar o álbum como uma espécie de viagem musical. Paul, vale lembrar, sempre demonstrou afeição pelas artes visuais, tendo colaborado diretamente no conceito de algumas capas clássicas dos Beatles, mas só se dedicou à pintura depois dos 40 anos, tendo realizado algumas exposições.
Rita Lee — Hoje É o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida (1972)
Rita Lee aparece creditada na ficha técnica como responsável pela capa do álbum, o último gravado com os Mutantes. Em sua Uma Autobiografia (2016), ela revela que pintou a capa "sob efeito de ácido", o que explica o caráter lisergíco da imagem.
The Stone Roses — The Stone Roses (1989)
A capa da estreia dos Stone Roses traz uma pintura do guitarrista John Squire, que também era artista plástico. A obra, chamada Bye Bye Badman (que também nomeia uma faixa do disco), foi inspirada por Jackson Pollock e pelos protestos de maio de 1968 em Paris. Para a arte, Squire acrescentou limões reais à pintura, em alusão ao uso da fruta para aliviar os efeitos do gás lacrimogêneo. Foi eleita pela Q Magazine como uma das "100 Melhores Capas de Discos de Todos os Tempos".
















