
Jorge Drexler saiu do Uruguai, mas o Uruguai nunca saiu dele. É esse um dos nortes do 15º trabalho de estúdio do artista, que há 30 anos mora na Espanha. Em Taracá, ele mergulha no candombe, manifestação afro-uruguaia reconhecida pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em 2009 como Patrimônio Imaterial da Humanidade.
Além dessa curiosidade, muitas outras se espalham pelo universo de Taracá (2026), em pré-venda na loja do NRC+. Conheça cinco delas.
O som do tambor
Taracá é um título sonoro, e não é à toa. Jorge Drexler usou a onomatopeia do barulho feito pelo tambor chico, o menor dos três tambores usados no candombe uruguaio, responsável por marcar o ritmo da música – e que, no trabalho, ganha uma faixa em sua homenagem: “El Tambor Chico”.
Há ainda uma outra brincadeira envolvendo o nome do disco: Taracá se parece com a expressão “estar acá” ou, como diríamos, “estar aqui”. Esses detalhes se amarram à ideia do álbum, no qual o cantor se conecta com a cultura do seu país.
20 anos depois
Não foi só na sonoridade que Drexler quis retornar ao país onde nasceu. Taracá carrega outra marca importante: em 20 anos, este é o primeiro disco do artista gravado em terras uruguaias. E o lugar escolhido para isso foi o estúdio Elefante Blanco, um casarão na rua Pablo de María, nº 1041, na capital Montevidéu.
A beleza de ser um eterno aprendiz
Embora em Taracá Jorge Drexler só cante em espanhol, para os ouvintes brasileiros, uma faixa do disco não tem barreira de idioma: “¿Qué Será Que Es?”. Já nos primeiros segundos, identifica-se a releitura de “O Que É O Que É?”, clássico de Gonzaguinha.
A “pureza das crianças” também aparece no videoclipe da versão, que reúne registros em Super-8 de Drexler e seus irmãos, gravados entre 1972 e 1980.
Encontro de gerações
Além de retomar o candombe uruguaio e regravar uma canção brasileira em Taracá, Jorge Drexler ainda voltou seus ouvidos para outros lugares da América Latina, como a cena porto-riquenha. Daí veio a ideia de convidar Young Miko para participar do álbum, um dos nomes mais frescos do reggaeton do país.
Ela, que já colaborou com Bad Bunny e Karol G, quis mostrar um lado diferente seu no feat. No estúdio, disse a Drexler que gostaria de seguir um rumo mais distante do rap. Ele então resgatou uma canção antiga, finalizada pelos dois e Mauro, produtor de Young Miko. Assim nasceu “Te Llevo Tatuada”.
Ouvindo o disco pela capa
Na hora de desenvolver a identidade visual de Taracá, o som acompanhou o David Heofs, designer e diretor criativo espanhol à frente do Bandiz Studio, que já dirigiu videoclipes de nomes como Omar Apollo e Deftones.
A capa foi criada diretamente na madeira, em referência ao tambor do candombe. E, num disco que traz à tona a inteligência artificial na faixa “¿Hay alguien A.I.?”, faz sentido que, nos momentos iniciais do desenvolvimento do projeto gráfico, Drexler tenha se interessado justamente pela proposta de um caminho analógico.
“Ele se conectou imediatamente com a abordagem mais artesanal e artística que acabou se tornando a identidade final. Ele também mencionou que gostava de poder ‘sentir o lado humano por trás da obra’ e nos incentivou a explorar algo mais pessoal e instintivo, em vez de algo polido ou excessivamente controlado”, Hoefs conta à Noize.
Uma conversa com Drexler marcou o diretor criativo: a forma como o cantor descreveu a materialidade do tambor, a textura do som e a relação emocional que o álbum tinha com a terra, a memória e a identidade.
“A partir desse ponto, quis que a linguagem visual respondesse à música de forma semelhante: combinando elementos gráficos contemporâneos com algo mais orgânico, tátil e imperfeito. Por isso, toda a obra foi desenvolvida através de processos de pintura manual sobre madeira e diferentes superfícies de papel, utilizando tinta, colagem e pinceladas gestuais. A ideia não era ilustrar a música literalmente, mas traduzir sua materialidade e ritmo em uma forma visual”, explica.














