
"Eu pensei que seria furacão pra sempre no palco", disse Fafá de Belém antes do show no Circo Voador, no Rio de Janeiro, no dia 5 de junho. Após ver o espetáculo, é difícil discordar. A próxima parada da cantora é em Osasco, celebrando a guitarrada paraense [saiba mais abaixo].
Com um roteiro biográfico que percorreu cinco décadas de música, figurinos marcantes e a guitarrada paraense do Mestre Manoel Cordeiro, a noite foi uma celebração precisa de uma das carreiras mais longevas e singulares da música brasileira — e uma prova de que a voz de Fátima Rodrigues não perdeu nem força nem presença.
O Mestre Manoel Cordeiro e toda a banda envolvida foram donos de uma animação contagiante, entregando uma mistura entre sinergia, diversão e técnica que amplificou ainda mais cada performance da cantora.
Do Pará para o Brasil
O show abriu com "Indauê Tupã", primeira faixa do LP de estreia Tamba Tajá (1976), com Fafá em vestes tradicionais do Norte do país. Com vestes tradicionais da região Norte, a escolha de figurino já estabelecia que o Pará estava em casa no Rio de Janeiro. Na sequência vieram "Este Rio é Minha Rua" e "Emoriô", que arrancou a primeira grande reação do público do Circo Voador.
A primeira fase encerrou com "Filho da Bahia", música que embalou a novela Gabriela, clássico da TV Globo e apresentou Fafá ao Brasil. Foi então que Mestre Manoel Cordeiro tomou o centro do palco, trazendo um momento de pura guitarrada antes da virada do show.
Com novo look cintilante, Fafá voltou ao palco ao lado de Cordeiro para uma sequência de brega paraense que incluiu "Voando pro Pará", de Joelma, e "Para Belém", da Calypso. O público cantou junto do início ao fim.
O momento mais intenso da noite veio depois, com a troca para o icônico vestido vermelho. Nessa fase, o repertório mergulhou nas baladas românticas e nos sucessos de novela — "Nuvem de Lágrimas", "Sob Medida", "Quem Não Te Quer Sou Eu" e "Meu Coração é Brega". Esses momentos mostraram que, em 50 anos, a voz de Fátima continua forte e imponente como nunca. De se emocionar mesmo.
O furacão não vai embora
Encaminhando o fim com o sucesso geracional “Vermelho”, Fátima entregou rosas à plateia, num ato de compaixão e agradecimento. Há 50 anos, essa força feminina e nortista se mostra uma artista completa, apaixonada pelo que faz e que nunca se cansa de contar sua história.
Após uma gastação sincera na guitarrada de Manoel Cordeiro e banda, uma Fafá toda de couro e preto chega ao palco para o retorno do furacão no maior estilo rock'n'roll com “P da Vida”, finalizando este espetáculo com um pé na porta — uma celebração fantástica para uma carreira recheada de amor e sinceridade.
Fafá de Belém e as Guitarradas do Pará
26 e 27/6, sexta e sábado, às 20h30
Local: Teatro Municipal Glória Giglio, Sesc Osasco (SP)
Ingressos online no site do Sesc.













