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Os nossos shows favoritos do Lollapalooza Brasil 2026


Por:

Revista NOIZE

Fotos: João Rocha, Divulgação/Lollapalooza Brasil

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Entre leques erguidos e refrãos cantados em coro, o Lollapalooza Brasil 2026 desenhou um retrato de seu tempo: um line-up dominado pelo pop e um público de 285 mil pessoas dispostas a enfrentar três dias de calor intenso em Interlagos (a chuva, este ano, deu trégua). Haja leque para dar conta das altas temperaturas e da maratona de shows, mas, no fim, o público se mostrou contemplado.

Enquanto o rock apareceu de forma pulverizada entre sexta e domingo, a música eletrônica contou com palco exclusivo e artistas nacionais tiveram mais espaço — um dos grandes acertos desta edição. A equipe da Revista Noize esteve nesses três dias de evento e te conta os nossos shows favoritos.

E, por falar em festival, o Lollapalooza já confirmou a próxima edição: os ingressos promocionais para os Lollalovers — que garantem o passaporte sem que o line-up tenha sido divulgado — já estarão à venda a partir de terça (24/3), no site do festival.

Veja abaixo nossas escolhas:

Sexta, 20/3

Stefanie

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Abrindo os trabalhos no palco Budweiser, Stefanie abrilhantou o Lollapalooza. No telão, uma retrospectiva de sua trajetória mostrou como, desde 2004, ela vem conquistando espaço no rap nacional até se firmar como um dos grandes nomes da cena. Esse reconhecimento se consolidou com Bunmi, álbum de estreia, com vinil disponível em pronta entrega no NRC+.

"Viva o rap nacional e a cultura hip-hop que abre nossa mente. Hoje é o primeiro dia do Lollapalooza e eu quero compartilhar com vocês histórias que marcaram minha vida e carreira", disse. A paulista apresentou "Mulher MC”, “Fugir Não Adianta”, “Por Um Fio”,“Mundo Dual”, “Não Pirar”, “Nada Pessoal”, “Puro Love”, “Outra Realidade” e “Maat”, animando o público no primeiro dia.

Negra Li

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Também no palco Budweiser, Negra Li se apresentou com banda completa, costurando diferentes fases da carreira em um show que equilibrou discurso, presença e hits. Ela emendou clássicos como “Ainda Gosto Dela” e “Você Vai Estar na Minha”, além de faixas do álbum mais recente, O Silêncio Que Grita (2025). O show ainda teve direito à participação de Gloria Groove no feat de “Retrovisor”.

Um dos momentos mais emocionantes veio quando a cantora chamou os filhos, Sofia e Noah, ao palco — “meu príncipe e minha princesa” — e nas faixas que lembraram suas origens no RZO, como “A Luta Cansa” e o hit "Não É Sério", com o Charlie Brown Jr., que despontou sua carreira Brasil afora. (Damy Coelho)

Horsegiirl

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Acostumada a tocar em festivais do verão europeu, a DJ alemã Horsegiirl não teve dificuldade em pegar a pista do palco Perry’s by Fiat debaixo do sol. A artista, que se define como “metade animal, metade humana”, despontou no cenário da música eletrônica quando o single “My Barn, My Rules” estourou no TikTok em 2023. 

O hyperpop fofo e dinâmico da track foi o ponto de partida. Ela ainda cantou o single mais recente, “Only the Best”. Logo, o BPM subiu e ela passou a brincar com gêneros mais rápidos: o gabber e o hardstyle se misturam com ritmos de origem negra, como o bounce e o drum and bass. Horsegiirl fechou o set de uma hora com “Eat, Sleep, Slay, Repeat”, aquecendo o palco eletrônico para as outras atrações [veja a cobertura completa aqui]. (Amanda Cavalcanti)

Doechii

Doechii entregou um show arrebatador: teve hits, performance frenética e até a um momento dedicado ao funk. No início do espetáculo, o telão se acende apresentando a cantora — dona do álbum vencedor do Grammy, Alligator Bites Never Heal (2024) — no papel de uma cartomante esotérica. A personagem, “Mr. Chi Chi Tarot”, surge em diferentes momentos do show, costurando a narrativa do espetáculo. 

Os pontos altos chegam com os hits “Denial Is a River” e o mais recente, "Anxiety", cantados em coro. Doechii segura o set com confiança, combinando flow afiado com uma performance física exigente, marcada por coreografias intensas e acrobáticas. (Vitória Prates).

Interpol

Quando o Interpol abriu o terceiro show no Lollapalooza Brasil com “All the Rage Back Home”, de 2014, a impressão é quase a de ouvir uma música nova da banda. Comparada com o catálogo mais antigo do trio nova-iorquino — que estreou em 2001 comTurn On the Bright Lights — a faixa ainda parece relativamente desconhecida. 

Não à toa, “All the Rage Back Home” é a terceira música mais recente da banda a ter aparecido no setlist do Interpol no palco Samsung Galaxy, no primeiro dia de Lollapalooza 2026 – perdendo apenas pra “The Rover”, de 2018 e a faixa inédita “See Out Loud”, que o grupo estreou no dia anterior, em show na Audio.

Mas o Interpol parece saber, aceitar e até curtir que seus fãs gostam mesmo de ouvir os hits de seus primeiros três álbuns, que formam a maior parte do setlist. Faixas como “No I in Threesome”, “C’Mere” e “Obstacle 1” fizeram o público vibrar e cantar junto enquanto a noite caía — principalmente a última, durante a qual a banda toca sob uma luz vermelha para emular a icônica capa de seu disco de estreia, um dos mais celebrados da época de revival do pós-punk nos anos 2000.(Amanda Cavalcanti).

Deftones

Diferentemente da banda que os precedeu no palco Samsung, o Interpol, o Deftones não parou no tempo apesar de suas quase três décadas de carreira. Pelo contrário: a banda californiana, formada em 1988 quando o vocalista Chino Moreno tinha apenas 15 anos, passou por várias fases até chegar onde se encontram em 2026 — com seu nono disco de estúdio, Private Music (2025), aplaudido pela crítica; um interesse renovado da parte de novas gerações e um repertório atualizado.

A energia renovada marcou o show, principalmente pelas piruetas de Chino, que se movimentou muito mais no palco do que na última passagem da banda por São Paulo. Os destaques vão pra balada “Sextape” e a pesada “Hole in the Earth”, durante a qual se conseguia ver um sinalizador aceso na plateia. É o novo “dad rock” (ou rock de pai), plantado no presente, não no passado. (Amanda Cavalcanti)

Sabrina Carpenter

Divertida e sedutora, Sabrina Carpenter arrastou multidões para o Lollapalooza Brasil. No repertório, priorizou faixas de Man’s Best Friend (2025), trabalho mais recente, sem deixar de fora hits de Short n’ Sweet (2024), como “Espresso” e “Please, Please, Please”. Os fãs de longa data também foram contemplados com “Because I Liked a Boy”, do álbum Emails I Can’t Send (2022), faixa escrita em meio à repercussão do sucesso de Olivia Rodrigo e seu relacionamento com Joshua Basset.

A apresentação começou com Sabrina incorporando uma jornalista, que anunciava sua chegada a São Paulo com bom humor: “tragam para esta garota uma caipirinha”. Carismática do início ao fim, ela não economizou elogios ao público: “vocês são uma das melhores plateias que eu já tive”; e celebrou sua terceira passagem pelo Brasil, relembrando o MITA Festival e sua participação na turnê de Taylor Swift em 2023. O show teve de tudo: momentos intimistas, blocos altamente dançantes e interação constante com a plateia. Um dos pontos altos foi a participação de Luísa Sonza, que entrou na brincadeira e acabou “presa” durante “Juno”, arrancando gritos da plateia. (Vitória Prates)

Sábado, 21/3

Agnes Nunes

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O público já saudava Agnes Nunes com uma chuva de leques antes mesmo do "valendo", durante o soundcheck no palco Budweiser. Pouco depois, a cantora subiu ao palco com Tio Thulio na guitarra, Valentim Frateschi no baixo, Leo Luca na bateria, Gabriel Serour no teclado e Nicolas Farias na percussão. E ela ainda contou com participações especiais: Tiago Iorc, no feat de  "Pode se Achegar", parceria dos dois de 2019, e Sandra de Sá, numa bela versão do hit "Olhos Coloridos", momentos que agitaram um público já cativado por sua performance.

"Ver uma brasileira, nordestina, no palco de um dos maiores festivais é muito gratificante!", disse, emocionada, sob os aplausos e leques. (Damy Coelho)

Foto em Grupo

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O show deixou claro o entrosamento entre Ana Caetano (AnaVitória), Zani e Pedro Calais (Lagum) e João Ferreira (Daparte), que formam o Foto em Grupo. O público já lotava a grade e não economizava energia, com direito a gente pulando e cantando sem parar. Um dos momentos mais marcantes veio em “Eu Te Odeio”, quando a banda abriu espaço para um desabafo coletivo: entre críticas, citaram o ex-presidente Jair Bolsonaro, Donald Trump e a cultura “red pill”.

Em seguida, desceram para a galera e perguntaram o que o público odiava, surgiram respostas como “gente lerda no metrô”, a "escala de trabalho 6x1" e o" feminicídio", todas endossadas em coro. Logo depois, amenizaram o clima: “Mas no caso do Lollapalooza e de vocês: a gente ama todos”. O show contou com plateia ilustre, incluindo Vitória, da dupla com Ana, flagrada pela nossa câmera. [leia a cobertura completa aqui]. (Vitória Prates)

Marina

Em sua terceira passagem pelo Brasil, Marina mostrou que é quase de casa: “Gostaria de falar português”, disse, rindo. Por mais que Princess of Power (2025) domine o repertório — “Cuntissimo”, inclusive, ganhou uma sinfonia de leques do público — foram os hits da era Electra Heart (2012) que a plateia cantou a plenos pulmões.

No palco, Marina, visivelmente emocionada, aproveitou para relembrar o início da carreira: “Se me dissessem há 18 anos que eu estaria fazendo show tão grande no Brasil, eu não acreditaria. Estou grata por ter esse país como uma base tão fiel de fãs”. (Vitória Prates)

Chappell Roan

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Sem bailarinos ou pirotecnias, a cantora americana segura o show no gogó e com a sua potente banda formada apenas por mulheres. Não faltaram yodels ou melismas nos clímax das músicas. Ainda que o som do restante dos instrumentos estivesse um pouco baixo na plateia, a voz dela estava sempre em evidência. Com 33 datas nos últimos dois anos, ela encerrou a turnê Visions of Damsels & Other Dangerous Things no país e declarou que não sabe quando vai cair na estrada novamente. 

No repertório, couberam quase todas as músicas do disco The Rise and Fall of a Midwest Princess (2023), ainda deu tempo para o single mais antigo “Love Me Anyway", de 2020, as três novidades — “Good Luck, Babe", “The Giver” e “The Subway”— e o cover de “Barracuda", do Heart. A escolha não foi à toa, pois a drag queen se inspira no glam rock, ao mesmo tempo que bebe da música pop dos anos 2000. (Isabela Yu)

Domingo, 22/3

Addison Rae

Do TikTok para o palco dos maiores festivais do mundo, a discípula de Britney Spears e Charli XCX entende que, dentro da música pop eletrônica, os conceitos são elásticos. Ainda que estivesse no playback na maior parte do show, não faltaram coreografias ousadas no salto alto e interações com o público. “É um sonho estar aqui", declarou, na metade do show. 

Com apenas um disco na bagagem, o autointitulado do ano passado, ela inseriu ainda o remix de “Von Dutch", do Brat and it's completely different but still also brat (2024). Ela ecoa em Lana Del Rey em “Diet Pepsi” e Britney circa Blackout (2007) em “Fame is a Gun” e “Money is Everything". Se não brilhou pela qualidade técnica, certamente se destacou no quesito simpatia e espontaneidade: indo na contramão das boas moças da música pop, a falta de polimento é seu triunfo entre as cantoras da cena atual. (Isabela Yu)

Turnstile

O rock jovem e moderno do Turnstile que rendeu mais um bom show no Brasil, foi meio desaplaudido no Lollapalooza. Num horário de prestígio — logo antes do headliner da noite, Tyler the Creator — , o grupo de Baltimore teve dificuldade em reunir público para encher o grande espaço do palco Budweiser, o principal. Ainda assim, foi uma escalação de ouro para o line-up.

Como nas outras passagens pelo Brasil, em 2022 e 2025, eles trouxeram muita energia e peso para a apresentação. Brendan Yates (voz), Pat McCrory (guitarra), Meg Mills (guitarra), Franz Lyons (baixo) e Daniel Fang (bateria) foram acompanhados pela plateia, pequena, mas fiel: nas faixas mais agressivas, como "BLACKOUT" e "TLC", era possível ver rodas de mosh se formando. Tinha sinalizadores acesos e até o vocalista Brendan Yates se arriscou a dar um mosh na plateia nas últimas músicas. (Amanda Cavalcanti)

FBC

FBC comandou seu baile regado a miami bass e boombap no palco Flying Fish, no domingo. Mesmo disputando público com outras atrações, o mineiro não fez feio: agitou até os adolescentes que aguardavam o Katseye, que subiria ao palco mais tarde.

O rapper acertou ao levar a banda completa com direito a backing vocals, e desfilou hits como “Se Tá Solteira” e “De Kenner” (do Baile, de 2021), além de"Assaltos e Batidas", faixa do álbum homônimo lançado ano passado. Teve direito até a uma versão de “Samba Makossa”, do Nação Zumbi, e um momento para pedir pela Palestina livre, ato já conhecido de seus shows mais recentes. O próprio FBC nos contou que queria ver o Turnstile, banda que tocou no mesmíssimo horário que ele, mas fica pra uma próxima. Para quem pensou em trocar o baile pelo mosh, o que não faltou no palco de FBC foi energia rock’n’roll. (Damy Coelho)

Lorde

Sempre que Lorde vem ao país, se firma como um dos principais nomes do pop alternativo de sua geração, na cadência de outras compositoras e interprétes como Lana Del Rey e Billie Eilish. Mesmo fazendo um som minimal, que teoricamente não combina com grandes coreografias, efeitos especiais e trocas de figurino, a neozelandesa consegue encher estádios e festivais. 

E aqui, não foi diferente: mesmo apresentando o mesmo set de outros shows da América do Sul, Lorde cativou o público brasileiro. Nesta era do álbum Virgin (2025), ela se apresenta descolada de qualquer binariedade, seja de gênero ou de sonoridade. E isso se reflete até no figurino: a cantora subiu ao palco usando uma camisa azul rasgada, calça jeans e óculos de lanterna, bem minimalista para os padrões do final de semana. Enquanto cantava “Current Affairs”, simplesmente tirou a calça e ficou só com uma cuequinha preta Calvin Klein.

Uma versão encurtada do seu primeiro hit, “Royals”, cantado por uma plateia cheia no palco Samsung Galaxy, foi suficiente — afinal, Lorde desfila outros hits até mais queridos do que aquele que a projetou. “Teams” e “Ribs”, do álbum Pure Heroin (2014), e “The Louvre” e “Green Light”, do Melodrama (2018), por exemplo, fizeram todo mundo pular e cantar junto. (Damy Coelho)

Tyler, The Creator

O rapper sensação do momento foi responsável por encerrar os trabalhos do Lollapalooza Brasil na noite de domingo (22/3). Após quase 15 anos (!) sem vir ao país, ele entregou um show mais contido: só ele, o telão, microfone, muitas luzes vermelhas e o contato direto com o público. O repertório foi calcado em seus últimos lançamentos muito bem cotados pela mídia e pelo público —  caso do conceitual  CHROMAKOPIA (2024) e do dançante Don't Tap the Glass (2025).

O rapper, que estreou no ano passado como ator no indicado Marty Supreme, ainda exaltou a cultura brasileira, citando ídolos como Gal Costa e Marcos Valle —  nada que não saibamos, mas vindo de um artista de fora que a gente admira, é até bonitinho. A balada  “See You Again” encerrou a noite sob chuva de leques, selando o fim de mais uma edição do Lollapalooza Brasil. (Damy Coelho)

Por:

Revista NOIZE

Fotos: João Rocha, Divulgação/Lollapalooza Brasil

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