
Antes do grand finale no sábado (7/11), o Sepultura recebeu os fãs para um encontro intimista e sem grades no Cine Joia, em São Paulo, nesta quinta (5/11). Era a estreia deles na casa, e o ambiente, a princípio inusitado para uma das maiores bandas de metal do planeta, se mostrou acolhedor para os quase mil camisas pretas que, pouco a pouco, tomavam a pista.
A turnê Celebrating Life Through Death começou em Belo Horizonte, terra natal do grupo, e rodou o mundo antes de desembarcar em São Paulo. No meio do caminho, houve uma parada no Rock in Rio, festival que já foi palco de apresentações históricas da banda, como a de 1991, pouco antes do lançamento de Arise. Mas a última passagem do Sepultura por um grande festival dividiu críticos e fãs: o setlist foi dedicado à fase com Derrick Green. Foi uma bela homenagem ao vocalista carismático e talentoso que segurou as pontas após a saída de Max, mas acabou deixando de fora os hits da trinca de ouro: Arise (1991), Chaos A.D (1993) e Roots (1996).
Já no Cine Joia, os fãs saíram de alma lavada. O setlist passou pelos clássicos dos três discos sem deixar de fazer jus aos últimos 20 anos de carreira. “Beneath the Remains” - faixa-título do álbum que abriu as portas do mundo para a banda -, “Arise”, “Against”, “Territory”, “Refuse/Resist” e o cover de “Orgasmatron”, do Motörhead, dividiram espaço com “Means to an End”, de Quadra; "Kairos”, do álbum homônimo; além de faixas de The Cloud of Unknowing, lançado este ano, como “All Souls Rising” e “Beyond the Dream”. Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr. (baixo), Derrick Green (vocal) e Greyson Nekrutman (bateria) tocaram em total sintonia, com destaque para a batera que ecoava pelo Cine Joia.

O norte-americano, que assumiu as baquetas após tocar no Suicidal Tendencies, foi homenageado por Andreas: “Queria agradecer a esse cara, que entrou numa roubada gigantesca três semanas antes do primeiro show da turnê”, disse o guitarrista, referindo-se à polêmica saída de Eloy Casagrande para o Slipknot. “Ele vem fazendo um trabalho fantástico e é uma pessoa maravilhosa", completou. Andreas ainda contou que Greysson ama o Brasil e “toca de Charlie Brown Jr. a Exaltasamba e Rita Lee”.
Derrick também recebeu louros do companheiro de banda, que agradeceu pelos anos de parceria e por ter levado a segunda guitarra de volta nesta última turnê, na faixa "Mindwar".
No meio do show, o público puxou um “Ei, Bolsonaro, vai tomar no c…”, incentivado por Andreas e Derrick. Vale lembrar que o voto declarado em Lula foi um raro ponto de concordância entre Kisser e os irmãos Max e Iggor Cavalera, que deixaram a banda em 1996 e 2006, respectivamente.

Na plateia, a roda não parou do início ao fim, enquanto a banda despejava quase duas horas de pancadaria com a mistura de metal, letras punk e tambores brasileiros que mudou os rumos da música pesada. Volta e meia, um fã subia ao palco para um stage diving e alguns segundos de proximidade com os ídolos. Como de praxe, “Roots Bloody Roots” encerrou a noite no auge.
Sem muito papo, projeções ou participações especiais, o Sepultura entregou exatamente o que os fãs queriam: um show caloroso e recheado de hits. Se a quinta foi um encontro intimista, o sábado promete ser o adeus em escala ampliada, com abertura de Metal Allegiance, Krisiun e Sacred Reich. Os fãs já estão prontos para a última dança.
Sepultura
Sábado, 7 de novembro de 2026
Suhai Music Hall, São Paulo (SP)
Abertura: Metal Allegiance, Krisiun e Sacred Reich
Ingressos e informações: Ticketmaster







