ana karina sebastiao

Após tocar com Fresno e Liniker, Ana Karina Sebastião lança álbum de estreia


Por:

Pedro Figueiredo

Fotos: Divulgação/Mariana Maria

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Figurinha carimbada nos grandes palcos da cena nacional, Ana Karina Sebastião construiu uma trajetória acompanhando músicos do calibre de Liniker, Fresno, Chico César e Maria Gadú. Baixista virtuosa, ela se tornou uma queridinha dos fãs que sempre celebram ao ouvir seu nome anunciado pelos colegas nos shows.

Iniciada na música pela igreja, foi no ambiente religioso que ela e os irmãos tiveram o primeiro contato com um violão. O baixo veio quando, ao formar uma banda com eles, cada um escolheu um instrumento e para ela sobrou o instrumento. Ainda bem. A partir disso, ela formou a carreira musical e passou a se tornar uma figura de destaque entre nomes prestigiados da música brasileira.

Agora, ela dá um um novo passo com o lançamento de seu primeiro álbum, Nega Ninja (2026). lém de demonstrar mais uma vez que é uma instrumentista do mais alto nível, no trabalho, ela ainda exibe pela primeira vez seus dotes como voz principal.

Em conversa com a Noize, a artista conta que sempre compôs e cantou e demorou cerca de cinco anos para tirar o álbum da gaveta. “Fui produzindo enquanto vivia experiências com os artistas que eu acompanho. Foi uma grande preparação para isso acontecer.”

Algumas composições, no entanto, como é o caso das faixas “Ensandeceu” e “Seja Onde For”, por exemplo, têm cerca de uma década de existência, mostrando que ela já tinha alguns trabalhos na gaveta. Outras surgiram ao longo do tempo e se tornaram parte do projeto, que conta com produção de Hebert Medeiros e participações de  Tiago Nunes, Rincon Sapiência, Michel Sebá — irmão dela —, Michael Pipoquinha, Sarah Thawer, Marcelo Dai e Lucas Silveira, com quem trabalhou na releitura de “Canção pra Quando o Mundo Acabar”, da Fresno.

Caixinha de surpresas

No primeiro momento, Ana Karina pensava que o disco seria instrumental, mas, alguns acontecimentos da vida a levaram a começar a escrever “A única coisa que aconteceu foi que esse arranjo foi sendo incorporado, foi ganhando mais corpo.”

Apesar de parte do público ter sido surpreendida com a faceta de cantora, essa não era uma habilidade que a artista escondia: “algumas pessoas ao meu redor já sabiam que eu compunha algumas letras e que eu canto,” revela. 

“Sempre estou brincando de cantar nos backstages. Para quem anda comigo, já era óbvio. Mas, para as pessoas que acompanham o meu trabalho por outros artistas, podem ter ficado na dúvida. Gosto de surpreender.”

A cantora, que contou com direção vocal de Paulo Zuckini para o projeto, conta que nos bastidores da turnê de Liniker, da qual os dois participam, ela já brincava de repetir  os exercícios de aquecimento do coral. “Tem uma brincadeira no backstage que é ‘cuidado com Ana Karina, que ela está querendo cantar’”, conta, aos risos.

Queridinha do público

Se o caminho natural é cativar o público após o lançamento de um projeto assinado, Ana Karina subverteu a ordem e, mesmo antes de lançar suas canções, ela já tinha sido abraçada pelos fãs dos artistas com os quais toca. Basta ver a reação da plateia quando ela é anunciada. 

“Eu acho que sempre tive essa coisa de não querer ser apenas uma artista acompanhando outro, sabe? Isso foi acontecendo muito naturalmente.”

Na verdade, eu acompanhei muitos, muitos artistas. E nunca pedi por isso, mas sempre tinha um espaço onde tinha um número meu, um solo,” explica a baixista. “Mas sempre esse espaço aconteceu naturalmente. O Chico César foi o grande impulsionador de tudo isso, do público conseguir me enxergar não só como uma musicista acompanhante, mas como uma artista também.”

“O Chico sempre trouxe isso nos shows de na hora do meu solo fazer o público cantar meu nome. E isso foi se repetindo em outros lugares. A Liniker também faz bastante isso. Ela é extremamente generosa.”

A estética também foi uma maneira de se fazer reconhecida. O apreço por moda — que podemos observar também na estética do álbum — foi levado para o palco como uma maneira de deixar ali a sua identidade.

Primeiro voo solo

A garota que aprendeu a tocar na igreja e formou a primeira banda com os irmãos se tornou uma parte importante dos espetáculos de diversos artistas. Agora, com Nega Ninja, ela dá os primeiros passos tomando a frente do palco. E, pelo que ela apresenta no disco, podemos esperar que ela voe ainda mais alto.

Por:

Pedro Figueiredo

Fotos: Divulgação/Mariana Maria

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