
Céu nasceu em um berço onde a música sempre esteve presente. Desde muito pequena, viveu entre a arte e canções: filha da artista plástica Carolina Whitaker e de Edgard Poças — compositor de alguns sucessos do Balão Mágico, com mais de 60 anos de histórias em estúdios — cresceu cercada por música e teve no pai seu primeiro professor.
A filha caçula demonstrou desde muito cedo interesse pela música e disposição para desenvolver esse lado. “Eu mostrava umas coisas, mas a Céu sempre foi muito interessada em música. Então, ela bem jovenzinha adorava que eu falava de Carmen Miranda. Ela ficava fascinada com as roupas, gostava muito da música pop e foi criando o universo dela”, afirma Edgar.
Após voltar de Nova York, onde morou por um período, Céu convidou Antonio Pinto e seu amigo Beto Villares — também conhecido pelo trabalho em trilhas de cinema — para dividir a produção de seu álbum de estreia, Céu (2005).
Com apenas 18 anos, a paulistana compartilhava com eles a vontade de misturar referências pessoais na criação de um novo som. Além disso, Céu teve “a sorte de contar com o estúdio de um amigo”, como ela mesmo pontua, Alec Haiat — o compositor, guitarrista e peça fundamental para o processo criativo do disco.
20 anos depois do lançamento, Céu revisitou o trabalho tanto para o lançamento da edição em vinil, quanto para a turnê comemorativa. A estreia da turnê aconteceu no Circo Voador, no Rio de Janeiro, e depois desembarcou dia 23 de janeiro, na Audio, em São Paulo. A artista se apresenta ao lado da banda formada por Lucas Martins no baixo, Sthe Araújo na percussão, Leonardo Mendes na guitarra, Pedro Lacerda na bateria, Zé Ruivo nos teclados e DJ Marco.
A seguir, saiba mais sobre os colaboradores do álbum Céu, título do mês do NOIZE Record Club.
Beto Villares
O compositor, produtor e multi-instrumentista brasileiro começou a estudar com apenas 13 anos e a partir daí, nunca mais parou. Na década de 1990, Beto criava temas para a revista Neo Interativa, multimídia onde os leitores recebiam um CD com o conteúdo da edição. Entre 1998 e 2000, se uniu ao antropólogo Hermano Vianna no projeto Música do Brasil, onde atuou como diretor musical.
Depois disso, Beto trabalhou com Herbert Vianna, dos Paralamas do Sucesso — e irmão de Hermano —, produzindo duas faixas de seu disco solo O Som e o Som (2000). A experiência marcou o início de uma trajetória de colaborações com nomes como Fernanda Takai e John Ulhoa (Pato Fu), Zélia Duncan, Rappin’ Hood, Dona Zica, Iara Rennó, Itamar Assumpção, Anelis Assumpção e Céu.
O álbum Céu teve Beto Villares um de seus produtores centrais. Desde o começo do processo, ele destaca que sempre confiou no caminho do disco: “A Céu é um bicho raro no sentido das influências, de como ela deixava uma ideia bonita, com fineza, com detalhes e um jeito de cantar também diferente, perigoso até pelos melismas, mas que dá certo.” O produtor participou das faixas “Vinheta Quebrante”, “Roda”, “Vinheta Dorival”, “Véu da Noite” e “Valsa Pra Biu Roque”.
Junto disso, ele trilhava o seu caminho no audiovisual, como compositor para filmes, séries e campanhas publicitárias. O primeiro filme foi Menino Maluquinho 2 (1998), feito em parceria com Antonio Pinto. Desde então, trabalhou em produções como Filhos do Carnaval (2006), Antônia (2006), Xingú (2011), Bingo: O Rei das Manhãs (2017) e, mais recente, Cangaço Novo (2023), Cidade de Deus (2024) e Pssica (2025).
Alec Haiat
Revelado como guitarrista do grupo Metrô em meados dos anos 1980, Alec Haiat manteve uma trajetória ativa e contínua mesmo após a dissolução da banda, que voltou aos palcos em 2014.
Entre idas e vindas do Metrô, o artista paulista de ascendência francesa construiu uma trajetória versátil, tocando e gravando com nomes como Kiko Zambianchi e Otto. Depois disso, conheceu Céu e colaborou nas faixas “Lenda”, “Malemolência”, “Ave Cruz” e “Samba na Sola”.
Em entrevista, Céu comenta que tirou a sorte grande de contar com o estúdio de Alec, que foi precioso no processo de composição do álbum. “Ele foi um anjo, uma pessoa que acreditou no projeto e se dedicou. Ele tinha um estúdio na casa dele, um casarão, e eu chegava lá e pensava: ‘Meu Deus, que lugar é esse!’ [risos]. Eu ia para lá com meu brother, o Luquinhas [Lucas Martins], que toca comigo até hoje, e a gente passava as tardes fazendo uma espécie de brainstorming de composição.”
Nos últimos anos, o músico tem se dedicado a projetos solo, lançando singles e resgatando canções compostas durante a pandemia. Em 2025, apresentou a faixa “Pare de Desculpas”, ao lado de Planadores e Leealiss, e “Ana Bacana”, também em parceria com o Planadores, grupo do qual Alec faz parte.
Antonio Pinto
Antonio Pinto mudou-se para os Estados Unidos antes dos 18 anos, onde viveu experiências fundamentais para a sua formação artística. A convite da irmã, a cineasta Daniela Thomas, que já morava em Nova York, assistiu a uma ópera de Philip Glass, ampliando seu repertório e sua escuta musical.
Nesse mesmo período, entrou em contato com a obra de Naná Vasconcelos, o pernambucano que levaria a percussão brasileira ao reconhecimento internacional. Ainda em solo norte-americano, dividiu apartamento com Céu, em uma fase marcada por trocas criativas e experimentações com instrumentos e sonoridades. Foi por meio dessa amizade que ele contribuiu na produção e no início da concepção do seu álbum de estreia da artista.
A partir disso, Antonio voltou para o Brasil e após dois anos, estava decidido que gostaria de seguir os caminhos em músicas de filmes. Filho de Ziraldo, teve a primeira chance de fazer a trilha sonora de um longa-metragem com Menino Maluquinho (1995), de Helvécio Ratton. No mesmo ano, participou de Terra Estrangeira, de Daniela Thomas e Walter Salles.
O compositor assinou trabalhos em filmes emblemáticos do cinema brasileiro, como Central do Brasil (1998), dirigido por Walter Salles, que recebeu indicação ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Também integrou a equipe responsável pela trilha sonora de Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles e Kátia Lund, outro longa-metragem que chegou à premiação da Academia.

















