
Projeto Moda & Comunicação Oi FM em parceria com a MTV
por Tomás RahdeO evento foi incrível. Eu poderia encher esse review somente com frases geniais dos dois palestrantes, mas, ao invés disso, vou contar pra vocês um pouco de como foi e o que eu achei:
A primeira pessoa que subiu no palco foi Heloísa Hervé, um "ser humano do sexo feminino de idade mais avançada" muito descontraído: fez piadas e interagiu com o público durante todo o seu discurso. Ela é alguém de quem eu, pessoalmente, nunca tinha ouvido falar, o que me envergonhou um pouco, principalmente quando ela terminou sua parte da palestra, afinal, Heloísa subiu lá e mostrou que sabe mesmo. O primeiro ponto que a diretora da Job & Hervé, agência especializada em comunicação de marcas de moda, levantou foi algo fora do assunto da palestra, mas com tanta importância quanto o restante dela: Por que as faculdades relutam tanto contra eventos que envolvem empresas (nesse caso a Tanara, a Oi e MTV)? Porque, se, no final de contas, são essas empresas que vão absorver os estudantes pra dentro do mercado?
Depois de elogios à iniciativa da faculdade (o que não me incomodou, porque concordo), ela começou a falar sobre o que realmente interessava: construção de uma marca de moda. As marcas, independentemente do ramo, devem significar algo para alguém, para quem as consome. A segunda etapa do processo é a personificação da marca. Em palavras menos chiques: se essa marca fosse uma pessoa, quem ela seria? Como iria se vestir? A quais lugares iria? Qual musica ouviria? Dessa forma é possível definir onde vender e quais as ações adequadas para atingir o seu público. Mas, sem dúvidas, a melhor frase de todo o evento foi: esta: "Ás vezes as pessoas esquecem que o mercado é composto de gente e não de números percentuais". Eu poderia ficar escrevendo por horas aqui e não conseguiria dizer todas as coisas que ela quis dizer com isso, mas o que devemos tirar dessa frase é que os consumidores não são compostos apenas de idade, sexo e quanto tempo ficam na internet, é muito mais que isso. Queremos produtos pra pessoas e não para dados. As marcas têm que ter relevância para as pessoas, tem que fazer parte da vida do consumidor, devem ser escolhidas por ele e não buscar a fidelidade pela fidelidade, frisaram ambos os palestrantes.
Turco Lôco, além do apelido mais do caralho da história, é dono da Cavalera, ex-deputado e ex-vereador. Falou sobre fazer moda, e que ela é uma soma de arte e ciência: "Arte é um dom, tem que saber. E ciência é isso que a gente tá fazendo hoje". Ciência é o conhecimento, é entender os tecidos, buscar informações sobre o que se pode ou não fazer com eles ou com determinado acessório. A arte é saber criar e utilizar a tecnologia que tem a sua disposição. O Turco mesmo deu exemplo de uma calça dessa coleção que ele queria ter feito há 2 anos, porém na época não havia a tecnologia necessária.
Durante a apresentação que contava a história da sua empresa, ele mostrou as coleções polêmicas, os desfiles nos lugares mais impensáveis e como que a Cavalera trabalhou para se consolidar no mundo da moda e se tornar uma marca irreverente e descontraída. Comentou, também, sobre os processos contra sua marca: "entram de balde lá no escritório" , mas ele afirma não se incomodar e ainda retruca: "vamos usar como marketing". O que aconteceu diversas vezes, inclusive no caso contra o McDonalds, que acabou retirando o processo mais tarde. A coleção atual, que obviamente teve um destaque na apresentação, tenta - e na minha opinião consegue - retornar as raízes da Cavalera: o rock. Turco conseguiu arrancar suspiros de desejos de todas as meninas presentes no auditório ao mostrar uma calça completamente dourada. Acho que a melhor frase para acabar essa matéria é de Turco Loco: "Cada um é estilista do seu próprio estilo" - tudo que ele faz é fornecer as opções para os consumidores.






