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Carol Biazin leva tour acústica pelo país: “Me tira da zona de conforto”


Por:

Vitória Prates

Fotos: Divulgação

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Carol Biazin está pronta para pegar estrada em 2026. Após lançar No Escuro, Quem É Você? (2025) — álbum mais experimental, com referências de UK garage, house e R&B — e estrear no Carnaval de rua com Te amo Sem Culpa, a paranaense entra na tour acústica Nem tão pouco assim, que estreia neste sábado (4/4), em Recife.

As apresentações seguem até setembro, passando por diferentes cidades do país; muitas delas, inéditas para ela. No palco, Carol se desafia tecnicamente, dividindo-se entre violão, guitarra e piano. “É um momento que me tira muito da minha zona de conforto e, ao mesmo tempo, não; porque foi de onde eu vim”, diz, relembrando o início da relação com a música, que começou com ela compondo no quarto, sempre acompanhada do violão. 

Com quatro álbuns — Beijo de Judas (2021); Reversa (2023); No Escuro (2024) e No Escuro, Quem É Você?, este último indicado ao Grammy Latino por “Melhor Álbum de Pop Contemporâneo” — e mais de 60 músicas lançadas, Carol estruturou o repertório com 30 canções, que passeiam por diferentes eras, com as amadas baladas românticas. 

Sem a estrutura de uma banda completa, o show ganha contornos mais íntimos. Carol constrói apresentações que se transformam, seja pela interação constante com o público, seja pelos pedidos inesperados que podem alterar o repertório ao vivo. “Às vezes vira um talk no meio do show”, brinca. Com dois milhões de ouvintes no Spotify, Carol começou publicando covers nas redes sociais e ganhou projeção nacional no The Voice Brasil.

Do time de Ivete Sangalo, a artista foi uma das finalistas do programa, em 2017. No ano seguinte, lançou “Você Tem”, parceria com Dreicon, seu colega no reality, e “Talvez”, sua primeira canção solo autoral, singles que pavimentaram seu trabalho de estreia. Confira ingressos aqui.

Esta é a segunda edição da sua turnê acústica. O que mais te encanta nesse formato? É o contato mais próximo do público? É o retorno às origens, já que o violão foi seu primeiro instrumento, ou é tudo isso junto? [risos] 

Acho que a proximidade com o público ganha, viu? É um show mais despretensioso, eu diria. Diferente de um show com banda, mega produção, onde está tudo sincronizado, aqui é mais orgânico. O tempo sou eu que dou, e vou seguindo meu próprio ritmo. Às vezes eu paro, o público interage, eles conseguem falar mais comigo nesses shows. 

Eu brinco que, às vezes, vira um talk no meio do show, vira um stand-up [risos] Também fico mais nervosa porque sou só eu no palco, existe uma vulnerabilidade a mais nesse projeto. Estou muito ansiosa mesmo para colocar essa turnê na estrada, acho que como nunca estive. Talvez porque a última vez que eu fiz, de fato, esse formato foi em 2023, depois eu voltei a fazer alguns acústicos, mas não exatamente com essa proposta, de ter três instrumentos no palco e eu comandando ali.

Tem também toda uma questão de ser um show que sou eu que tenho que arranjar. Então é um momento que me tira muito da minha zona de conforto e, ao mesmo tempo, não porque foi de onde eu vim. Fico nessa dualidade, sabe? Eu estou um pouco fora da minha casa, mas não. É o que eu faço dentro do meu quarto, só que estou fazendo na frente das pessoas. Então é um pouco isso.

É como seu quarto, mas com um teatro esgotado atrás, né? [risos] 

Exatamente! É essa a sensação [risos].

Carol, o que você aprendeu na edição de 2023 que pretende levar para 2026? Ou tem algo que você acha que não funcionou e gostaria de alterar? Pode dar um spoiler da turnê pra gente?

2023 foi um ano em que eu experimentei coisas novas, principalmente na questão do acústico. Eu já não estava querendo só ir com o violão, porque quando se fala em acústico, as pessoas já associam a isso, a um violão só. Mas eu penso o acústico sempre com poucas camadas, né? Para mim, o acústico é um pouco disso. Daí vem o nome da turnê também vem disso: “Pouco, mas nem tão pouco assim”. Essa ideia se manteve, mas em algumas outras coisas eu fui me aperfeiçoando.

Eu já estou um pouco melhor no pedal de loop, que eu usei lá na primeira turnê. Na época, foi um equipamento que eu pedi para incluir na turnê, mas eu tive só um mês para treinar com ele desde que chegou. Então foi tudo muito novo.

Agora eu tive mais tempo para aprender, para criar os timbres de guitarra que eu quero e tal. Eram coisas novas para mim, porque eu sempre fui muito do violão mesmo. E o piano também é outro instrumento que eu trouxe que funciona como um terceiro instrumento. Eu não sou pianista, longe de mim dizer isso. Eu sei tocar as minhas músicas, bem decoradas, então eu estudo, fico repetindo, maturando aquilo.

Então, eu acho que foi uma turnê em que eu trouxe um pouco mais do piano também. Tem mais músicas nele. É um show bem dividido, eu fico praticamente 50% em cada instrumento, sabe? Isso está sendo um desafio, porque tem horas em que estou muito na minha zona de conforto, fazendo só o violão, que eu conheço bem, e em outros momentos estou lidando com coisas novas.

Acrescentei também um pedal de voz no show, então tem mais esse detalhe — que é outro equipamento com o qual eu apanhei bastante, ainda estou aprendendo [risos]. Mas eu acho que esse é o legal, sabe? É um momento em que a gente para pra estudar mesmo. 

Porque, no meio dessa correria de compor, ir para o estúdio, fazer lançamento, gravar clipe, estar na estrada, a gente acaba esquecendo de voltar para esse lugar do estudo, da repetição, da prática. E eu gosto muito disso. Acho que esse é meu lado nerd, que às vezes eu deixo de lado por falta de tempo. Então eu tive essa desculpa agora: “eu preciso parar, preciso estudar para fazer esse show”. E foi bom, porque eu também voltei a estudar.

Sei que você já toca vários instrumentos, mas tem algum que você ainda quer aprender?

Sou louca em bateria. Só que eu não sei se eu entrei num prazo de validade, porque quando a gente vai ficando mais velho, parece que vai tendo mais dificuldade de aprender as coisas. Não sei se isso é coisa da minha cabeça, mas eu sinto que, quando era criança, parecia que tudo entrava muito fácil. Ou talvez fosse o tempo, que era mais disponível.

Mas eu tenho muita vontade de aprender bateria. Até tentei fazer umas aulas com o meu baterista que toca muito. Fiz umas quatro aulas com ele, estava até rolando. Ele é um professor maravilhoso, muito foda, bem mais novo do que eu, mas com uma sabedoria de alguém com 70 anos de bateria.

Então eu fui tentar aprender com ele, mas não consegui continuar. Aí também joguei a desculpa de tipo: “Cara, eu nem tenho espaço para uma bateria”. Falei: “Não vai dar, não é para mim”. Mas, falando de aprender mesmo, eu acho que ainda quero muito aperfeiçoar o piano. Para mim ainda é uma coisa que eu quero desenvolver. Eu sei tocar, como diz o Juliano Vale, que é o nosso maestro, eu faço “dedo de galinha” — são três dedos ali e vai indo até o final [risos] Às vezes eu boto um quarto dedo para fingir que sei mais, mas ainda é bem amador. Então eu quero melhorar isso, esse contato com o instrumento. 

Mas tem muitos outros que eu admiro muito. Saxofone, por exemplo, é um que eu fico: “Cara, eu queria saber fazer isso”. Mas também acho que Deus não dá asa a cobra, entendeu? Porque, se eu soubesse fazer tudo isso, eu ia ser insuportável [risos]  Imagina: tocar violão, guitarra, pianinho e ainda mandar um saxofone no meio do show… ninguém ia me aguentar.

Imagina! Ia ser só você na banda...

Já pensou? [risos] Carol em looping no palco.

Falando sobre isso, me lembrei aqui do Lolla. Os shows que eu mais gostei foram do Blood Orange e do Djo, porque me chamou atenção o quanto eles se dividem em todos os instrumentos, o que deixa a performance muito rica. Para você, qual a importância de um cantor também se dedicar a um instrumento?

Eu acho que isso é 100% válido, sabe? Porque é uma coisa que te traz uma percepção de arranjo também. Principalmente para quem também é compositor, que gosta de ter o próprio sentimento ali escrito, existe esse poder do violão — ou de qualquer instrumento que você use como base para cantar — que é essencial na hora do processo criativo.

Assim você não depende da ideia de outro, sabe? Seja de um produtor ou de um instrumentista. Nem que depois venha um produtor, um arranjador, alguém com mais experiência do que você — porque não dá tempo de saber tudo de forma maravilhosa também —, mas que já consiga desdobrar aquilo em outros caminhos.

Mas o sentimento já está ali, ele vem daquele primeiro momento, né? Eu faço vários arranjos em casa com o violão e depois isso vai para o estúdio. Aí alguém com mais conhecimento de campo harmônico, dessas “loucuras”, vai expandindo aquilo, criando novas possibilidades. Mas a essência está ali, desde o começo.

E eu acho que tocar é foda, independente se você leva isso como profissão ou não. Ter um instrumento em casa, ter a música… fazer música é algo muito foda, sabe? Nem que você não cante, nem que você não seja musicista. Saber um instrumento é tal qual ler um livro, sabe? Ou jogar xadrez, como a galera fala. Está meio que nesse mesmo lugar.

Você é uma cantora de grandes palcos, no próprio Lolla, inclusive, já se apresentou, e teatros são muito diferentes, tem esse contato mais próximo com o público, como estávamos falando, como sua performance vai se transformando a cada espaço?

Para mim, é importante dar uma pausa entre as coisas. No final do ano passado até o comecinho desse ano, eu andei fazendo alguns shows com orquestra também. Foram apresentações pequenas, mas ao mesmo tempo grandiosas, sabe? Porque já tinham essa atmosfera de teatro, com o público sentado, uma energia um pouco mais contida,  onde tudo fica muito concentrado no palco.

E isso é bem diferente de quando você entra com bateria, guitarra com distorção, aquela coisa mais explosiva… aí a energia domina o ambiente, ninguém segura. Vira uma bagunça boa, de pular, de ir pra lá e pra cá. São experiências completamente diferentes.

Mas eu consigo me enxergar em todos esses lugares, eu amo fazer cada formato. E eu amo que, quando um acaba, eu já estou pensando no próximo. Então não dá tempo de enjoar. Acho que não dá tempo de cansar dos formatos. Isso é o mais legal, tanto nesse quanto nos outros projetos: essa possibilidade de experimentar formatos diferentes.

Especificamente nesse show, eu acho que a preparação vem muito dos ensaios mesmo. Começa aqui em casa, só eu, e aí vem também essa insistência de querer fazer aquilo ficar muito bom, esse perfeccionismo meio chato que eu tenho. Porque, quando você está fazendo, você acha tudo uma merda, né? Tem isso. Eu ficava: “Não, não tá bom”. Aí eu gravava, assistia no dia seguinte e pensava: “Não, tá bom, na real. Eu tô viajando. Dá pra fazer isso, sim”.

Então meu processo foi muito esse: eu gravava tudo que fazia pra conseguir me ver de fora. Porque é difícil se enxergar enquanto você está fazendo, e isso às vezes me deixava meio frustrada.

Foi um processo lento. Eu fiquei uns dois meses montando, arranjando esse show. E agora eu estou na fase de replicar, pegar tudo que eu já construí e repetir até aquilo entrar na minha alma. Até chegar num ponto em que eu consiga fazer de forma tão natural que eu não precise mais pensar no que estou fazendo, só sentir. Então acho que o processo de preparação é esse: começa no ensaio. É ensaiando mesmo, não tem jeito.

Acho que, como você falou, muitos artistas têm dificuldade de se ouvir depois de lançarem música, ou escutam e criticam a performance. Você faz parte desse time?

Eu faço um pouco, às vezes. Na maioria das vezes, sim. Mas eu tenho uma explicação pra isso, e acho que deve ser assim com todo mundo. Eu escuto muito as minhas músicas antes de elas saírem. E não é só de forma técnica, pra ficar caçando problema, não. Escuto como uma verdadeira consumidora mesmo, vicio nas minhas músicas.

Fico ouvindo, ouvindo, ouvindo… e pensando: “Caramba, que legal isso que eu fiz, que foda”. Só que, quando sai, eu já não aguento mais ouvir ? [risos] justamente porque eu já ouvi demais antes. Então acho que vem daí. Mas, por incrível que pareça, na retrospectiva do Spotify deu eu mesma como uma das artistas que eu mais ouvi. Então, ainda assim, me ouvi muito. Aí eu fico: até que ponto isso é verdade, né? Não sei.

Acho que tem a ver também com o momento do lançamento. Logo quando o álbum saiu, eu voltei a ouvir bastante, porque foi um trabalho muito emocionante pra mim. Então eu revisitei muito essas músicas nesse período. Mas, no geral, é isso: a gente se escuta muito antes. Então, quando finalmente lança, já deu uma saturada. Acho que é por isso.

Como você construiu o repertório da turnê? 

Começo pensando em qual instrumento eu quero usar para abrir o show e parto disso: “Ah, vou começar com o violão”. Aí eu já começo a pensar nas músicas a partir disso. Aí vou organizando os tons das músicas — é bem nerd esse processo, né? Eu vou vendo: “Ah, essa música combina com essa”, então já puxo uma na sequência da outra, emendo ali.

E também penso na dinâmica do palco, pra não ficar parecendo um polvo, trocando de instrumento o tempo inteiro. Então eu organizo em blocos: faço três, quatro músicas com um instrumento e depois mudo. Mas o repertório também foi muito pensado no que funciona no acústico, né? Por exemplo, eu tenho músicas no Reversa, que é um álbum mais pop, mais eletrônico. As harmonias são mais simples, mais “quadradas” dentro do pop, e muita coisa dali não se encaixa tão bem no acústico. 

Dá pra fazer? Dá. Mas fica um pouco forçado. Tento escolher as músicas que fazem sentido nesse formato e também trago as mais atuais, principalmente do No Escuro Quem é Você. Mas também coloquei músicas antigas, né, pra ninguém reclamar. Tem um momento no show que é um medley só de balada romântica, porque eu tenho muitas. Aí pensei: “Vou botar tudo junto e fazer o povo sofrer de uma vez só” [risos]

Foi difícil montar, porque eu fui ver e tenho mais de 60 músicas lançadas, contando feats e tudo. Aí fui escolhendo… as 30 mais, mais, mais, sabe? Mas sempre rola mudança, né? Sempre tem alguém no público que levanta e grita: “Canta tal música!”. Aí pronto, todo mundo começa a pedir também. E tem umas músicas que eu mostrei só um trecho em live, que nem existem oficialmente, e o pessoal pede no show. Só que eu nem sei cantar, porque nunca finalizei a música. Mas teve um caso que deu certo, que foi “Código”, do No Escuro Quem é Você. A galera me encheu tanto pra lançar, depois de alguns shows acústicos, que eu falei: “Tá bom, vou ter que fazer essa música”. E acabou saindo.

Mas sempre rolam pedidos. E, às vezes, entram músicas inéditas, porque no voz e violão fica mais fácil de adaptar na hora. Eu já vi gente no Twitter falando: “Ah, tenho certeza que ela vai cantar tal música”. E outra pessoa respondendo: “Você tá doida? Ela nunca vai cantar isso”. Aí eu fico olhando, tipo: “Bom… alguém está certo nessa conversa” [risos].

Tem algum lugar que você está mais animada para tocar?

Cara, eu tô muito animada para tocar em várias, porque tem muitos lugares por onde eu ainda não passei. Então acho que são justamente esses lugares que mais me empolgam, sabe? Manaus é um lugar que eu nunca toquei, então acho que vai ser uma experiência muito legal. Florianópolis também — nunca fui, nunca fiz nada por lá. Tem interior também, a gente vai fazer Blumenau… então tem várias cidades que eu acho que, pela experiência mesmo, me deixam muito animada.

Mas eu tô muito, muito ansiosa pra voltar pra Recife, porque vai ser o primeiro show da turnê. A gente começa por lá. E foi uma escolha minha, assim. Eu falei: “Cara, eu quero muito começar por Recife, Fortaleza, Salvador”, principalmente porque foram lugares por onde a turnê não passou antes. A gente não conseguiu ir. E aí eu pensei: “Meu, eu preciso voltar”. Fazia muito tempo que eu não voltava pra esses lugares.

E também tem essa vontade de ir pra onde eu ainda não fui, né? Acho que esse é o grande objetivo. Eu falei: “Vamos arriscar, vamos fazer em lugares que a gente nunca foi”. Só que, ao mesmo tempo, eu sempre fico com aquele medinho, né? Tipo: “Será que vai dar certo?”. Mas aí eu penso que foi assim com toda a minha carreira.

Em São Paulo, por exemplo, a gente começou tocando pra 150 pessoas, depois foi pra 400, 700, 800… até chegar em 3 mil, 4 mil. Então isso é algo que eu sempre cuidei muito. Porque eu acho muito mais interessante você esgotar e precisar abrir uma data extra do que ficar naquela ansiedade de “ai, não tá vendendo, e agora?”. Isso desespera todo mundo. Então eu sou muito a favor de crescer desse jeito, com calma. E, nessa turnê, a gente decidiu arriscar um pouco mais.

Falei: “Vamos colocar mais datas, vamos rodar mais tempo”, porque foi uma turnê muito gostosa de fazer. Era tudo mais simples — passagem de som tranquila, montagem tranquila — dava mais tempo pra tudo. Então eu pensei: “Vamos estender isso, acho que a gente consegue sustentar essa turnê por mais tempo”.

Sem grande banda ou estrutura de cenário, as turnês acústicas, em geral, conseguem viajar para mais lugares. Pra você, qual a importância de inserir essas cidades na agenda?

100%. Sempre falei que o maior sonho da minha vida era passar por lugares do Brasil onde eu achava que talvez a minha música não fosse ser ouvida, por ser pop, por ser uma coisa mais urbana. Às vezes a gente se coloca nessa caixinha, né? Tipo: “Ah, então vou tocar só em Rio, São Paulo e é isso”. E o meu maior sonho era justamente fazer show perto dos meus pais, tá ligado? Eu pensava: “Meu, um dia eu vou tocar em Londrina”, e tal…

E olha que são cidades grandes, né? Mas são lugares que consomem muito sertanejo, então eu ficava com esse receio: “Será que vai rolar? Será que vai dar certo?”. Eu tinha esse medo de talvez o meu som ter uma limitação. E aí eu saquei que não tinha. Que, na real, é um som que chega, e que está furando bolhas de um jeito que eu não imaginava.

Então eu acho muito importante, primeiro, por me aproximar de um público que talvez eu nunca tenha visto, e que também nunca me viu pessoalmente. E essa conexão, de fato, é muito especial. Porque uma coisa é você se identificar com a música de um artista, né? Gostar do que ele fala, da forma como ele vive, se expressa… Mas conhecer esse artista ao vivo é outra parada. A gente sabe como isso é especial. E ter essa troca ali, no palco, com o público, é muito importante. Então essa turnê está sendo muito especial por isso: por me permitir fazer coisas que talvez, em outros formatos de show, eu ainda não conseguiria fazer.

Como é sua rotina quando termina um show?

Fico em completo silêncio! Eu tenho essa tática — na verdade, é quase uma obrigação que eu tenho com a minha fono: calar a boca depois do show [risos]  Porque eu costumava sair do show falando muito, conversando com todo mundo. E aí eu ficava rouca no dia seguinte, não pelo show, mas porque falei demais. Então ela falava: “Você precisa sair do show muda. Acabou. Não fala mais nada. Desaquece, vai pro hotel, descansa, dorme”.

E eu aprendi isso. Já faz mais ou menos um ano que eu sigo essa rotina depois dos shows. Termino, desaqueço, no máximo dou um alô ali pra equipe — “valeu, gente, somos foda” — e vou pro hotel, tomo meu banho… e aí vem um silêncio absurdo. Parece o maior silêncio da história. É muito doido, porque você estava num lugar cheio de gente, todo mundo ali pra te ver, e de repente você está completamente sozinha.

E eu acho que é nesse momento que eu começo a recapitulando tudo o que vivi no show.Às vezes eu não resisto, pego o celular, demoro pra dormir… fica aquela ansiedade, aquela adrenalina. Mas, no geral, eu faço isso. E acho que também é uma forma de conseguir sustentar a rotina, de conseguir fazer outro show no dia seguinte. Então eu fico calada — aprendi, né? Fazer o quê.

Mas eu gosto de falar, gosto de conversar, como você pode perceber [risos]. Porque estar na estrada tem esse lado da solidão também, você está longe de casa. E o palco é o oposto disso, né? É cheio, é troca, é energia. Mas o hotel traz esse silêncio, esse vazio. Eu sou muito assim — fico bem alerta quando estou fora, justamente pra manter uma rotina saudável e não pifar.

Você tem alguma história maluca de turnê para compartilhar com a gente?

Nossa, história maluca? Ai, são muitas, viu? São muitas, mas eu já tive uma situação em que conseguiram achar meu quarto — subiram até lá, mas não chegaram a entrar. Já teve isso. Mas faz um tempo já.

Fãs são muito jornalistas. Eles descobrem tudo!

Eles já estão ligados em tudo: qual é o hotel, descobrem horário de voo… agora até a volta estão descobrindo também, que horas eu chego. Às vezes eu broto aqui em São Paulo e já tem uma galera me esperando. Mas é, rola muito isso. Eu já dei carona pra fã também, já aconteceu. Mas, no geral, eles são muito respeitosos. Tem, claro, o calor da emoção — querer foto, autógrafo, trocar uma ideia comigo — mas nunca passei por uma situação realmente constrangedora. Tirando essa do hotel, que me deu um certo receio, fora isso nunca vivi nada bizarro, não. Mas uma coisa é certa: eles descobrem tudo. Não adianta esconder nada. Descobrem mesmo.

Este ano você estreou no Carnaval, como foi a experiência de levantar um trio para você?

Top 10 experiências mais loucas da minha vida — na verdade, top 3. Fazer carnaval foi um negócio assim… eu falei: “acho que eu bati a cabeça, não sei, tô louca”.

Metade da banda era nova também, já com uma linguagem de carnaval, então foi um processo intenso. Mas acho que o mais chocante pra mim foi: como aguentar o carnaval? Como sobreviver àquilo? Porque depois do show eu fiquei com uma sensação de dengue, sério. Eu imagino que o público também [risos]. Foi uma coisa muito intensa.

Eu lembro que entrei numa energia absurda desde a primeira música. Nas primeiras dez, eu fui direto, pulando sem parar, porque o BPM do show é lá em cima o tempo inteiro. E o público muito feliz, pulando junto. Só que ao mesmo tempo você tem que controlar o trio, né? Tem que lembrar que o trio precisa andar, se não andar, ferrou, tem que andar.

E era gente pedindo água, e eu: “Gente, tem água do lado de vocês!”. Mas eles queriam que eu jogasse a minha água. Ninguém queria comprar água no carnaval [risos] . Foi realmente uma loucura, uma experiência única.

Eu preciso começar a me preparar uns cinco meses antes, sério. Vou ter que pegar dica com a Ivete Sangalo, porque eu não sei como ela dá conta. O show dela deve ter seis horas, o meu teve três e eu quase morri. Imagina fazer dois, três seguidos?

Fico lembrando da Anitta que, além de cantar, pular e dançar, ainda consegue flagar furtos de cima do trio [risos]

Isso é muito bom. Estava tão nervosa que não consegui prestar atenção em tudo. Acho que no próximo ano vou conseguir ter mais essa visão panorâmica, sabe? Quero tentar. Mas disseram que o meu bloco tava muito seguro, que não teve problema nenhum. Falaram que só tinha sapatão, viado, trans — era só o povo do bem [risos] Então não tinha medo, não tinha o que temer. Era só a galera do bem mesmo. Falaram que tava ótimo, fiquei feliz por isso também. Missão cumprida.

Carol, você é muito camaleônica. Consegue, realmente, se transformar de álbum para álbum, turnê para turnê. Queria te pedir, e pode pirar o cabeção, viu? Como seria sua turnê dos sonhos? Algo que você ainda não realizou, mas tem vontade?

Nossa, eu tenho muita vontade de fazer uma coisa bem big band mesmo, sabe? Tipo, com muitas backings, um baixo bem groovado, mas também com sintetizador. Eu queria ter sanfoneiro no palco, queria ter tanta coisa… Queria ter alguém pra jogar violão, queria ter sopros. Eu queria ter tudo no palco. Um palco muito grande, sabe? 

Acho que essa é meio que a minha parada. Com orquestra eu já tive um pouco dessa realização, de certa forma, mas era um show mais clássico. Eu queria fazer algo mais big band mesmo, uma coisa preenchendo todos os espaços das músicas, sabe? Muita voz, muitos elementos, algo mais virtuoso. Tenho muita vontade de fazer isso. Então, assim… agora, viajando total, sem me preocupar com orçamento — já que você pediu pra eu pirar — seria exatamente isso.

Sinto que 2026 é o seu ano de palcos, mas não posso deixar de perguntar: vem algum lançamento por aí? 

Boa pergunta. Tem uma coisinha que tá por vir, mas eu não posso falar ainda porque não é um lançamento solo, então preciso ficar quieta. Se fosse só meu, eu te contava [risos] Mas vai ter, sim, uma novidade em breve pra galera. Eu não paro, né? É um negócio meio maluco, nunca paro. Tô em turnê, fazendo show, mas ao mesmo tempo continuo fazendo música. Então, tem coisinhas aí pra sair.

Agenda - Carol Biazin

04/04 Recife (Sessão Extra)

04/04 Recife

05/04 Fortaleza

05/04 Fortaleza (Sessão Extra)

10/04 Belo Horizonte

12/04 Juiz de Fora

07/05 Salvador

22/05 Manaus

23/05 Belém

23/05 Belém (Sessão Extra)

27/05 Uberaba (Vendas 09/03 12h)

02/06 Rio de Janeiro (Data Extra)

03/06 Rio de Janeiro

04/06 Joinville

05/06 Curitiba

07/06 Londrina

13/06 São Luís

13/06 São Luís (Sessão Extra)

14/06 Teresina

02/08 Campinas

02/08 Campinas (Sessão Extra)

14/08 Porto Alegre

15/08 Florianópolis

16/08 Blumenau

20/08 Goiânia

21/08 Vitória

05/09 Pelotas

06/09 Novo Hamburgo

Por:

Vitória Prates

Fotos: Divulgação

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