
Sofia Malta lançou em abril seu primeiro álbum de estúdio, Comédia Romântica (2026). Nesta sexta-feira (29/5) ela faz o show de lançamento do projeto no Teatro Ipanema [ingressos aqui] Assim como no EP Não Vim no Mundo pra Ser Pedra (2024), Sofia tem o pop como fio condutor para mergulhar em histórias de amor, autoconhecimento e liberdade, citando Rita Lee como referência.
Pelas nove faixas, Sofia passeia pelas diferentes fases de uma relação amorosa, em uma narrativa marcada pela intensidade. Em músicas como “Ranço” e “Falei de você na terapia”, o fim de um relacionamento aparece atravessado por ironia, enquanto faixas como “Esfinge” aprofundam o mergulho em inseguranças, julgamentos e afirmação pessoal.
Faixas como “Vilão” e “Chá” nasceram durante e após a participação da artista no TOCA Revela, reality musical do UOL apresentado por Arape Malik e Larissa Luz, do qual Sofia foi finalista em 2024. “Parece que eu tô me apresentando para as pessoas artisticamente agora, com esse trabalho”, comenta Sofia.
O álbum reúne produções de Eutimyo, Barro, Marley no Beat, Dudu Marotti e Guilherme Assis, além de participações de artistas ligados à cena pernambucana, como Mago de Tarso e Uana.
Confira Comédia Romântica faixa a faixa:
"Vilão": foi o primeiro single do álbum e carrega uma trajetória muito especial pra mim. A música nasceu com produção do Eutimyo, passou pelo reality TOCA, onde me inscrevi com ela, e, ao longo do processo, ganhou novos contornos com Dudu Marotti e Barro. Antes mesmo de ser lançada, ela já circulava espontaneamente nos bastidores, com a equipe cantando, o que me sinalizou sua força. Escolhi abrir o álbum Comédia Romântica com essa faixa não só por gostar muito dela, mas também pelo seu papel narrativo: começo com “acende as luzes, primeiro ato”, assumindo o disco como uma espécie de filme ou peça. Essa metalinguagem dialoga diretamente com quem eu sou, entre a música e a atuação, e posiciona “Vilão” como o início dessa história.
"Cobaia": eu entro em um território mais próximo do trap e convido o Mago de Tarso, um artista que eu já admirava muito. A música surgiu de forma mais direta, quase como um desabafo urgente, e fez muito sentido dividir isso com ele. Também me interessa a oralidade desse gênero, que me aproxima da poesia e de referências populares que sempre fizeram parte da minha formação. É uma faixa intensa, que revela um processo criativo mais instintivo e abre novas possibilidades dentro do álbum.
"Ranço": é a faixa foco do álbum e, pra mim, resume muito bem o que é Comédia Romântica, tanto que o título vem dela. Com produção do Eutimyo, eu misturo pop e MPB pra falar sobre o que sobra depois do fim de uma relação. Aqui, começo a deslocar o centro do desejo: deixo de olhar para o outro e passo a me colocar como protagonista. Essa virada é essencial no disco, que acompanha uma transformação do eu lírico ao longo das faixas.
"Falei de você na terapia": eu transformo o fim de um relacionamento em uma faixa pop marcada por consciência e ironia. Com influências de Afrobeats, a música revisita o coração partido a partir da introspecção, onde as memórias deixam de ser apenas sentidas e passam a ser analisadas — e até encaradas com humor. A letra transita entre intensidade emocional e distanciamento crítico, refletindo a complexidade de viver o amor sendo mulher em uma sociedade que muitas vezes confunde vulnerabilidade com fraqueza. A participação de Uana amplia essa dimensão, somando energia e criando um momento catártico que reforça o caráter íntimo e, ao mesmo tempo, universal da faixa.
"Esfinge": é uma das músicas mais íntimas do álbum. Ela puxa mais para a MPB e se afasta da ideia de música dançante, abrindo espaço para um mergulho emocional mais profundo. Quando canto, me sinto exposta, vulnerável. A letra atravessa experiências em que me senti julgada ou reduzida, especialmente por uma suposta superioridade intelectual do outro. Aqui, afirmo minha complexidade e recuso qualquer tentativa de simplificação. No fim, me reconheço como meu próprio enigma e também como meu maior valor.
"Chá": nasceu de um desafio dentro do reality TOCA: compor a partir de uma matéria aleatória sobre a relação entre folha de cajueiro e a prevenção da diabetes. Transformei isso em metáfora a partir da expressão “dar um chá”, e a música foi ganhando forma com leveza e humor. O retorno positivo dentro do programa me incentivou a desenvolvê-la, e ela acabou se tornando um brega romântico divertido, com uma energia sedutora de que eu gosto muito.
"Replay": mergulho no brega funk com produção do Marley no Beat, um artista que eu já queria trazer pro álbum. Aqui, eu me permito jogar mais o jogo do gênero, tanto na sonoridade quanto na composição, assumindo uma linguagem mais direta e voltada pra pista. Ainda assim, busco um ponto de encontro entre a minha identidade e a dele, criando uma faixa dançante e com bastante personalidade.
"Sismei": foi construída em parceria com o Barro, em um processo realmente simultâneo de criação, o que foi novo pra mim. A música fala sobre a idealização nas relações, esse lugar de projetar no outro algo que ainda nem existe. Eu exploro esse momento anterior ao vínculo real, quando a gente inventa histórias e sentimentos sozinho. Ao mesmo tempo que é encantador, também pode ser um lugar perigoso, porque não abre espaço para o real acontecer.
"Rita": é profundamente especial pra mim. A música nasce a partir de escritos da Rita Lee, uma referência enorme na minha vida. Mais do que falar sobre o outro, essa faixa reafirma o amor-próprio como ponto de chegada. Ao longo do disco, eu vou deslocando o desejo até entender que ele pode e talvez deva estar em mim mesma. Encerrar com “Rita” é uma forma de celebrar essa descoberta e homenagear uma artista que, pra mim, representa liberdade e autonomia afetiva.














