
Em “Cajuína” (Cinema Transcendental, 1979), Caetano Veloso usa a imagem da bebida extraída do fruto como símbolo de memória e sensibilidade. Ao mesmo tempo em que versa sobre um acontecimento pessoal — a morte do amigo e poeta Torquato Neto —, traduz a força do nordestino em versos como: “Tampouco turva-se a lágrima nordestina”. Filipe Toca se apropria desse imaginário no disco de estreia, Muita Sede: tanto ao citar o nome da faixa, em “Mangaba, Menina”, quanto ao exaltar o forro (com toques pop) e priorizar feats nordestinos, como Duda Beat e Agnes Nunes.
O potiguar vive em São Paulo desde 2020, mesmo ano em que integrou o The Voice Brasil e teve sua voz revelada para um público maior, além de assinar composições para nomes como Falamansa e Rachel Reis. Desde então, lançou dois EPs (um autointitulado de 2021 e Alma Doce, de 2023) até o álbum cheio chegar, calcando seu nome no forró pop.
Em Muita Sede, o estilo predomina, mas ganha camadas: há o ritmo dançante de "Olhar de Quem Não Presta", com Duda Beat, e o arranjo delicado em"Borboleta Furta-Cor", com Agnes Nunes. Além das duas, a paulista Mariana Aydar — já expoente do gênero — aparece em "Foi no São João", versão do single de Filipe Toca de 2023. As dez faixas têm produção assinada por Juliano Valle.
Leia e ouça abaixo Muita Sede, de Filipe Toca, faixa a faixa:
"Mangaba Menina": Ela traz toda a tropicalidade que já está impressa no meu trabalho. Acho que crava essa identidade nordestina logo na primeira faixa.
"Outro Áudio Meu":É um forró pop romântico, fala de amor com delicadeza.
"Olhar de Quem Não Presta" (part. Duda Beat): É o primeiro feat do disco, é um baião pop e por isso que eu chamei Duda Beat para participar dessa, porque traz todo o molho que o artista brasileiro tem.
"Fiapinho de Amor": É uma canção que trata sobre uma separação dolorida, eu diria que é uma sofrência poética.
"Pai e Mãe": Rapaz, essa eu escrevi chorando. Com certeza, é a canção mais confidencial do álbum. Tudo que eu tô escrevendo ali, eu sinto diariamente e acredito que, para quem é migrante como eu, vai bater.
"Foi no São João" (part. Mariana Aydar): Essa é uma música feita para celebrar a melhor época do ano. E ninguém melhor que Mariana Aydar para participar dela, por toda a história linda que ela tem no forró.
"Quinta, Quase Sexta": Essa foi inspirada nos cordéis, nos contos, nos repentes. É uma história em forma de música.
"Borboleta Furta-Cor" (part. Agnes Nunes): Nessa, quis trazer toda a doçura do Nordeste, a beleza das coisas da vida. É uma canção mística para mim e eu convidei minha amiga Agnes Nunes para participar.
"Bença" (Interlúdio): Essa é uma das canções que traz toda força, toda energia do Nordeste assim para fechar esse álbum.
"Muita Sede": Muita Sede, de fato, é o momento que eu tô vivendo hoje: sede de viver, sede de amar, sede de cantar.













